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07.02.06

Campanha Nacional da Saúde Auditiva alerta
para aumento nos casos de inflamação do ouvido

 

O coordenador da Campanha Nacional da Saúde Auditiva, da Sociedade Brasileira de Otologia, Dr. Oswaldo Laércio Cruz alerta que a otite (inflamção nos ouvidos) é muito mais comum no verão, por causa da maior umidade do ar, do calor e dos hábitos assumidos pela população nesta estação. Afeta tanto adultos como crianças e deve ser diferenciada da otite média aguda, que apresenta uma incidência muito maior nos meses de inverno e nas crianças (até os seis anos de vida).

Quando o ambiente está úmido e quente, o contato constante com a água (muitas vezes imprópria para o banho), pode modificar o revestimento do canal auditivo externo gerando descamação e prurido (coceira). “Como reação imediata, muitas pessoas costumam coçar o ouvido, e utilizam os mais variados objetos (cotonetes, tampas de caneta, agulhas de tricô etc.) o que pode causar sérios traumas no revestimento interno do ouvido. Estas micro-rupturas na pele servem, então, como ótimas portas de entrada para microrganismos que podem causar infecções locais ou infecções mais importantes atingindo áreas vizinhas”, alerta o otorrinolaringologista.

Segundo o médico, é preciso tomar muito cuidado com alguns tratamentos ou métodos caseiros. Ele faz um alerta: "Nunca pingue nada no ouvido". Algumas pessoas costumam utilizar álcool ou vinagre. O especialista adverte que esses tratamentos podem causar desidratação da pele, predispondo a infecção. “O álcool poderia ser usado com muito cuidado apenas para evaporar a água acumulada e muito raramente, mas o uso de vinagre é medida desastrada e inoportuna”, adverte.

Dr. Laércio também é contra o uso de tampões no ouvido, para evitar a entrada de água, por tempo prolongado. "A falta de ventilação prolongada do canal auditivo pode, também, provocar infecção", além de que um tampão mal adaptado pode gerar traumas na pele do ouvido. “Tampões de ouvido são ferramentas muito úteis na prevenção de certas doenças do ouvido, mas devem ter indicações específicas”, orienta.

Limpeza
O ideal é que antes de praticar esportes aquáticos, a pessoa procure um otorrinolaringologista para ver se está tudo correto com o ouvido. Depois da piscina e da praia, se ficar uma sensação de que existe água dentro do ouvido, é um sinal de que algo não está bem. Tente secar o ouvido com um secador de cabelo, posicionado a uns 10 centímetros de distância da orelha, selecionando uma temperatura e um jato de ar moderados. Caso permaneça a sensação e molhado e entupido, procure um otorrinolaringologista.

Os sintomas mais comuns da otite externa são: dor de ouvido, que piora quando a orelha é pressionada ou puxada; a coceira no canal externo, saída de secreção, inchaço e diminuição da audição.

O tratamento inclui uma limpeza cuidadosa do canal auditivo externo, que deve ser feita por um otorrinolaringologista. Habitualmente, são receitados medicamentos tópicos e analgésicos.

Os médicos não recomendam o uso de xampu, sabão e outros agentes que irritam o canal ou de hastes de diferentes espécies para manipular o ouvido (como o uso de cotonetes). Também durante o período de inflamação, não é recomendado praticar natação. Nunca pingue nada no ouvido sem o consentimento do seu otorrinolaringologista.

Para prevenir a otite externa recorrente, é preciso, em alguns casos, o uso de medicação, além de cuidados locais realizados em um consultório. É recomendável também não nadar em águas poluídas.
Sempre que tiver dor de ouvido, procure um otorrinolaringologista, pois existem outras doenças que podem estar associadas à otite externa. Somente um especialista pode orientar.

Campanha
A Campanha Nacional da Audição é um programa de conscientização sem fins lucrativos lançado pela Sociedade Brasileira de Otologia, com o objetivo de orientar a população sobre os todos os cuidados necessários para a conservação de uma boa saúde auditiva. A iniciativa visa ainda melhorar a qualidade de vida do deficiente auditivo e levar informações com credibilidade à população brasileira, em relação ao profundo impacto pessoal, social e profissional causado pela perda auditiva.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Otologia (SBO), cerca de 30% das pessoas que procuram um otorrinolaringologista apresentam problemas de audição. E, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 15 milhões de brasileiros têm problemas auditivos.

No site da campanha, que está com novo layout e conteúdo atualizado, foram disponibilizadas diversas informações sobre audição e problemas auditivos. Também serão promovidos chats ao vivo, com a participação de médicos otorrinolaringologistas, que irão tirar dúvidas das pessoas interessadas. Mais informações acesse: www.saudeauditiva.org.br

 
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