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Tecnologia permite a realização de exames fora de laboratórios

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Point of Care possibilita que o farmacêutico assuma o papel de incentivar o paciente a acompanhar seus indicadores biológicos

 Mais de metade dos pacientes brasileiros (53%) não segue corretamente os tratamentos indicados por seus médicos; 26% afirmam ter dificuldades para fazer consulta de retorno por conta da agenda dos especialistas, fila de espera e custo; e outros 23% afirmam que abandonaram as medicações prescritas devido ao incômodo causado por efeitos colaterais. Por outro lado, 21% dos pacientes brasileiros afirmam que interrompem o tratamento assim que começam a se sentir melhor, mesmo antes do fim do prazo indicado pelo médico.

 
Os dados são de pesquisa IBOPE encomendada pela Abrafarma (Associação Brasileira de redes de Drogaria e Farmácias) e realizada em setembro de 2016, com 2.002 pessoas em 143 municípios brasileiros. São dados que revelam que, em todo o País, os sistemas público e privado de saúde não são suficientes para garantir que o paciente assuma compromisso com o tratamento de sua saúde de acordo com as orientações médicas.
 
Apenas no município de São Paulo, por exemplo, são mais de 350 mil pessoas na fila para a realização de exames e consultas de acompanhamento, de acordo com dados de agosto de 2016; parte desses pacientes aguardam há pelo menos cinco meses por suas consultas. A estatística levou o prefeito João Doria a apresentar um programa de Corujão no sistema de saúde como uma das primeiras ações de sua gestão.
 
Mas há, também, uma ação que depende do governo federal e que poderia ampliar a estrutura disponível para pacientes acompanharem sua saúde e o tratamento de doenças: regulamentar, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Lei 13.021/2014, que autoriza ao farmacêutico aplicar vacinas e realizar o acompanhamento da saúde do paciente por meio de exames rápidos que avaliam indicadores-chave para cada condição.
 
A tecnologia para que farmacêuticos possam assumir o papel de incentivar o paciente a acompanhar seus indicadores biológicos já existe: equipamentos e dispositivos para testes rápidos como os produzidos pela multinacional Alere permitem a leitura instantânea de diversos dados sobre mais de 100 categorias de doenças.
 
A tecnologia e os testes são chamados como Point of Care, ou seja, equipamentos e dispositivos que permitem a realização de exames fora do ambiente convencional de um laboratório. Geralmente, esses exames requerem uma pequena amostra de material: sangue capilar (ponta de dedo) ou uma pequena quantidade de secreção nasal, por exemplo.
 
Segundo Cyrille Schroeder, vice-presidente de Marketing da Alere, a testagem rápida e portátil é uma aliada do acesso ao diagnóstico e acompanhamento médico em um cenário em que os sistemas de saúde estão sobrecarregados, como no Brasil.
 
 “O Point of Care [termo em inglês para o diagnóstico portátil] fornece uma ampla gama de ferramentas para a assistência farmacêutica, permitindo que essa rede possa atuar para desafogar os gargalos da saúde. Mais do que isso, a praticidade desse tipo de exame traz vantagens no entendimento epidemiológico de doenças, chegando a pacientes assintomáticos que não se preocupariam em realizar um exame em curto ou médio prazo, transformando desinformação em informação. Graças a um resultado rápido que lhe dê um sinal de alerta, ele pode passar a procurar o apoio de um médico especialista, sem necessariamente passar pela rede de pronto-atendimento sobrecarregada”, explica.