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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

13.01.03

Doença do olhinho preguiçoso pode ser tratada
com sucesso, mas exige diagnóstico precoce

*Dr. Renato Neves


O termo “diagnóstico precoce” tem sido cada vez mais enfatizado, em praticamente todas as especialidades médicas. Mas no caso da doença dos olhinhos preguiçosos, tecnicamente chamada de ambliopia, ele passa a ser determinante para o sucesso do tratamento, podendo prejudicar o desempenho da pessoa para o resto da vida se não for tratada o mais cedo possível, até por volta dos seis anos.

A ambliopia ocorre quando um dos olhos da criança não se desenvolve normalmente, formando imagens manchadas, sem nitidez. Crianças com visão normal aprendem a usar ambos os olhos ao mesmo tempo logo nos primeiros meses de vida. O cérebro desenvolve a habilidade de fundir as imagens que vêm do olho esquerdo e direito, formando uma única imagem. É a binocularidade. Como os olhos são separados por alguns centímetros, as imagens formadas no olho esquerdo são ligeiramente diferentes das formadas no direito, com diferentes ângulos de visão. Ao fundir as duas imagens, o cérebro garante melhor noção espacial e de profundidade.

Porém, condições como estrabismo (olhos tortos), miopia, hipermetropia ou catarata, por exemplo, podem fazer com que o cérebro não funda as duas imagens e, por fim, acabe bloqueando a imagem distorcida, formada no olho preguiçoso. É como se o cérebro “desligasse” as funções do olho doente e passasse a contar apenas com o olho sadio. O resultado é a perda do desenvolvimento da acuidade visual.

Em alguns casos, a tendência à ambliopia é herdada dos pais. Um tipo comum é a chamada ambliopia refrativa, causada quando cada olho necessita de diferentes prescrições de óculos, tornando difícil para os olhos focarem juntos. Nessa situação, a melhor indicação para óculos ou lentes de contato é tentar equalizar o máximo possível a visão em cada olho. O estrabismo, uma das causas mais comuns de ambliopia, ocorre quando o cérebro não consegue alinhar os olhos apropriadamente. Como resultado, um olho pode apontar para dentro, para fora, para cima ou para baixo, fazendo com que duas imagens distintas sejam enviadas para o cérebro. Como ele, obviamente, não consegue fundir duas imagens tão distintas entre si, a criança passa a ter visão dupla – o que obriga o cérebro a suprimir a imagem capturada pelo olho problemático.

Para corrigir a disfunção, o olho fraco deve, primeiro, receber uma imagem nítida e ser forçado a funcionar como visão principal. Normalmente, costuma-se usar um tampão no olho sadio por alguns períodos, forçando o olho fraco a reagir e a funcionar adequadamente. Por fim, há situações que exigem cirurgia de alinhamento dos olhos ou retirada de opacidades nos meios ópticos da córnea e cristalino (catarata).

É imperativo que os pais da criança portadora de ambliopia entendam claramente quais são as opções de tratamento, escolhendo a terapia mais adequada e dando todo incentivo e suporte durante a fase mais crítica da correção. Os ganhos são permanentes, uma vez que o cérebro passa a fundir as imagens, garantindo a binocularidade e a acuidade visual. O exame oftalmológico logo ao nascimento, devendo ser repetido aos 2, 4 e 6 anos de idade, é fundamental.

*Dr. Renato Neves é médico oftalmologista e diretor da Clínica Eye Care

 

 

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