Doença
do olhinho preguiçoso pode ser tratada
com sucesso, mas exige diagnóstico precoce
*Dr. Renato Neves
O
termo “diagnóstico precoce” tem sido cada
vez mais enfatizado, em praticamente todas as especialidades
médicas. Mas no caso da doença dos olhinhos preguiçosos,
tecnicamente chamada de ambliopia, ele passa a ser determinante
para o sucesso do tratamento, podendo prejudicar o desempenho
da pessoa para o resto da vida se não for tratada o mais
cedo possível, até por volta dos seis anos.
A ambliopia ocorre
quando um dos olhos da criança não se desenvolve
normalmente, formando imagens manchadas, sem nitidez. Crianças
com visão normal aprendem a usar ambos os olhos ao
mesmo tempo logo nos primeiros meses de vida. O cérebro
desenvolve a habilidade de fundir as imagens que vêm
do olho esquerdo e direito, formando uma única imagem.
É a binocularidade. Como os olhos são separados
por alguns centímetros, as imagens formadas no olho
esquerdo são ligeiramente diferentes das formadas no
direito, com diferentes ângulos de visão. Ao
fundir as duas imagens, o cérebro garante melhor noção
espacial e de profundidade.
Porém, condições como
estrabismo (olhos tortos), miopia, hipermetropia ou catarata,
por exemplo, podem fazer com que o cérebro não
funda as duas imagens e, por fim, acabe bloqueando a imagem
distorcida, formada no olho preguiçoso. É como
se o cérebro “desligasse” as funções
do olho doente e passasse a contar apenas com o olho sadio.
O resultado é a perda do desenvolvimento da acuidade
visual.
Em alguns casos, a tendência à
ambliopia é herdada dos pais. Um tipo comum é
a chamada ambliopia refrativa, causada quando cada olho necessita
de diferentes prescrições de óculos,
tornando difícil para os olhos focarem juntos. Nessa
situação, a melhor indicação para
óculos ou lentes de contato é tentar equalizar
o máximo possível a visão em cada olho.
O estrabismo, uma das causas mais comuns de ambliopia, ocorre
quando o cérebro não consegue alinhar os olhos
apropriadamente. Como resultado, um olho pode apontar para
dentro, para fora, para cima ou para baixo, fazendo com que
duas imagens distintas sejam enviadas para o cérebro.
Como ele, obviamente, não consegue fundir duas imagens
tão distintas entre si, a criança passa a ter
visão dupla – o que obriga o cérebro a
suprimir a imagem capturada pelo olho problemático.
Para corrigir a disfunção,
o olho fraco deve, primeiro, receber uma imagem nítida
e ser forçado a funcionar como visão principal.
Normalmente, costuma-se usar um tampão no olho sadio
por alguns períodos, forçando o olho fraco a
reagir e a funcionar adequadamente. Por fim, há situações
que exigem cirurgia de alinhamento dos olhos ou retirada de
opacidades nos meios ópticos da córnea e cristalino
(catarata).
É imperativo que os pais da criança
portadora de ambliopia entendam claramente quais são
as opções de tratamento, escolhendo a terapia
mais adequada e dando todo incentivo e suporte durante a fase
mais crítica da correção. Os ganhos são
permanentes, uma vez que o cérebro passa a fundir as
imagens, garantindo a binocularidade e a acuidade visual.
O exame oftalmológico logo ao nascimento, devendo ser
repetido aos 2, 4 e 6 anos de idade, é fundamental.
*Dr. Renato Neves é
médico oftalmologista e diretor da Clínica Eye
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