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Opinião


As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

06.01.03

Qualidade como fator de redução dos custos hospitalares
José Mauro Carrilho Guimarães*


A situação do setor saúde nada mais é do que o pleno reflexo das condições gerais do País, em especial no que se refere à estrutura econômica, à disparidade na distribuição de rendas, aos desequilíbrios regionais e a fatores de ordem sócio-cultural e políticos.

Devido à situação caótica atual, é necessário resolver os problemas básicos e assistenciais em prazos curtos e médios, sem esperar que as discussões teóricas encontrem sua solução. A necessidade real é a de cortar o círculo vicioso – a ineficiência é causada por problemas básicos, cuja solução depende do aumento da eficiência, que, por sua vez, depende da solução dos problemas básicos, e assim ad infinitum. Para tanto, serão fixados prazos e mobilizados os recursos existentes, sem fórmulas mágicas ou simples destinação de algum percentual do PIB para aplicar na área da Saúde, como se as demais não necessitem de maiores recursos. Trata-se de um esforço de racionalização, acompanhado de um enfoque realista do potencial existente, com vistas a sua maximização.

A forma de execução desses processos são aqueles disponíveis na administração pública, previstos nas leis e para cuja execução basta, apenas, vontade política definida e competência técnica. A ênfase será posta no aperfeiçoamento da capacidade do Estado de executar, a contento, a sua tarefa precípua de gerir a coisa pública, sem ter que, necessariamente, chamar a si a operação de toda e qualquer atividade que possa representar o interesse público. O interesse público é, precisamente, a superação da precária condição atual do País, quanto à qualidade de vida e à saúde da população. A preocupação pela qualidade é uma característica das sociedades avançadas, uma vez superadas as etapas de subdesenvolvimento, nas quais predomina a preocupação pela quantidade. A cada dia que passa, a qualidade, usada como arma empresarial, está recebendo mais atenção em todas as atividades.

Segundo Dr. Juran, J. M. - Engenheiro e Advogado americano que auxiliou a implantação do TQC – Total Quality Control, no Japão pós-guerra, Qualidade é a adequação ao uso, isto é, terá Qualidade quando satisfizer o cliente quanto a características intrínsecas (conforto, beleza, durabilidade, etc.), custo/preço e atendimento/assistência técnica. Basta qualquer um desses itens não atender às expectativas do cliente, para que o produto, ou serviço seja considerado sem Qualidade. A proposta tradicional do processo de gestão da qualidade concentra sua atenção em dois parâmetros fundamentais, o custo e o prazo, cuja otimização tem constituído, até agora, o objetivo da boa prática do projeto/processo.

E certo que em todas as organizações ocorrem perdas de tempo e dinheiro como resultados de erros, enganos ou, simplesmente, por não se fazerem bem às coisas, na primeira vez, sem mencionar os casos de patologias, durante o uso, e, inclusive, de falhas de execução, a curto ou longo prazo. O mais importante na gestão da qualidade é a mudança de mentalidade, antes até de uma mudança de atitude.
Neste sentido, pode-se dizer que um bom índice da qualidade, em qualquer organização, é o tempo, conseqüentemente, o dinheiro/custo, perdido em “tapar buracos”, reparar defeitos, quer dizer, em fazer coisas que não seriam necessários se o trabalho anterior, que conduziu a essa situação, fosse feito corretamente. Um dos principais objetivos da gestão da qualidade é, precisamente, conseguir que as coisas sejam bem feitas no primeiro momento, após uma análise adequada das diferentes soluções possíveis do problema em questão.

Um dos ramos da Psicologia que mais se desenvolveu nos últimos anos é a chamada Psicologia das Organizações, que estuda o comportamento das pessoas dentro das empresas.
Entre os componentes do fator humano que mais influem na produtividade e na qualidade temos a formação que inclui capacitação inicial e reciclagem permanente devido à rápida evolução que experimentam as técnicas, à informação cuja característica mais significativa é à quantidade (um excesso de informação conduz à sobrecarga e culmina em erros de falta de percepção ou, simplesmente, desinteresse), a forma (linguagem verbal ou escrita, sinais ou gestos, influência do contexto), e, sobretudo, a comprovação, ou seja, se há confirmação, ou não, ao emissor, de como foi entendida sua mensagem. A comprovação diminui a velocidade do processo de comunicação, porém, em contrapartida, acrescenta uma maior segurança ao mesmo, e, portanto, passa a ser recomendável, em quase todos os casos.

Os processos de informação e comunicação podem ser melhorados mediante diversas técnicas de simples aplicação. Uma delas é o uso de listas de verificação, de grande aplicação, em garantia da qualidade.
A motivação é, possivelmente, a característica mais difícil de estudar dentro do fator humano e, por sua vez, também a que mais influi no resultado do trabalho.
Os componentes da motivação estão diretamente ligados à satisfação das necessidades dos indivíduos, já que a idéia de conseguir algo que satisfaça uma necessidade que sentimos é, sem dúvida, um elemento motivador de nossa conduta.

A participação é um processo evolutivo que vai de baixo para cima e que atinge, de forma especial, as novas gerações, nada inclinadas para idéia de produtividade ou rendimento.
Quando se fala da qualidade e custos devem ser considerados dois aspectos distintos: controle de custos, que não se refere à comprovação de custos e sim ao sistema de gestão de custos e custos da qualidade.
Muitas atividades geram custos que não são possíveis conhecer de antemão, com precisão. Por isso, convém vigiar as zonas de incerteza, e tentar prever os custos, a cada momento, se possível em termos de probabilidade.

Esta previsão, de caráter continua, consiste em: conseguir informação atualizada dos custos reais, comparar esses custos com os planos/objetivos, estimar os custos finais e efetuar as correções necessárias.
Com base nessas considerações é possível estabelecer a seguinte seqüência de ações:
1- identificar todos os conceitos que geram custos (materiais, equipamentos, mão-de-obra, seguros, penalizações, etc.); 2- estimar as incertezas (com respeito às previsões) de cada conceito operador de custos, sem ser otimista. Expressar estas incertezas em termo de probabilidade; 3- determinar qual informação sobre custos é realmente necessária e como se deve obtê-la; 4- prever o custo final do processo, levando-se em conta as incertezas, desde agora até o término do serviço; 5- comparar esse custo previsto com o planejado, e informar, aos participantes, o melhor possível; 6- tomar medidas adequadas, caso existiam grandes discrepâncias entre os dois valores; 7- comprovar se essas medidas podem ser tomadas sem afetar a qualidade planejada, e, 8- retroação da informação ao ponto 4, e repetição do ciclo de forma regular, em datas predeterminadas.

Normalização é o processo de estabelecer e aplicar regras a fim de abordar ordenadamente uma atividade especifica, para o beneficio e com a participação de todos os interessados e, em particular, promover a otimização da economia, levando em consideração as condições funcionais e as exigências de segurança. Sem a Normalização não é possível obter a qualidade nos procedimentos repetitivos que lastreiam as atividades econômicas, as trocas comerciais e em particular a produção.
Que tenhamos efetivamente a participação da iniciativa privada e do Governo (Federal, Estadual e Municipal), no giro em que o mundo está processando a Qualidade.

* José Mauro Carrilho Guimarães é arquiteto urbanista, pós-graduado em Administração Hospitalar e da Saúde

 

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