Qualidade
como fator de redução dos custos hospitalares
José Mauro Carrilho Guimarães*
A situação
do setor saúde nada mais é do que o pleno reflexo
das condições gerais do País, em especial
no que se refere à estrutura econômica, à
disparidade na distribuição de rendas, aos desequilíbrios
regionais e a fatores de ordem sócio-cultural e políticos.
Devido à situação
caótica atual, é necessário resolver
os problemas básicos e assistenciais em prazos curtos
e médios, sem esperar que as discussões teóricas
encontrem sua solução. A necessidade real é
a de cortar o círculo vicioso – a ineficiência
é causada por problemas básicos, cuja solução
depende do aumento da eficiência, que, por sua vez,
depende da solução dos problemas básicos,
e assim ad infinitum. Para tanto, serão fixados
prazos e mobilizados os recursos existentes, sem fórmulas
mágicas ou simples destinação de algum
percentual do PIB para aplicar na área da Saúde,
como se as demais não necessitem de maiores recursos.
Trata-se de um esforço de racionalização,
acompanhado de um enfoque realista do potencial existente,
com vistas a sua maximização.
A forma de execução desses
processos são aqueles disponíveis na administração
pública, previstos nas leis e para cuja execução
basta, apenas, vontade política definida e competência
técnica. A ênfase será posta no aperfeiçoamento
da capacidade do Estado de executar, a contento, a sua tarefa
precípua de gerir a coisa pública, sem ter que,
necessariamente, chamar a si a operação de toda
e qualquer atividade que possa representar o interesse público.
O interesse público é, precisamente, a superação
da precária condição atual do País,
quanto à qualidade de vida e à saúde
da população. A preocupação pela
qualidade é uma característica das sociedades
avançadas, uma vez superadas as etapas de subdesenvolvimento,
nas quais predomina a preocupação pela quantidade.
A cada dia que passa, a qualidade, usada como arma empresarial,
está recebendo mais atenção em todas
as atividades.
Segundo Dr. Juran, J. M. - Engenheiro e Advogado
americano que auxiliou a implantação do TQC
– Total Quality Control, no Japão pós-guerra,
Qualidade é a adequação ao uso, isto
é, terá Qualidade quando satisfizer o cliente
quanto a características intrínsecas (conforto,
beleza, durabilidade, etc.), custo/preço e atendimento/assistência
técnica. Basta qualquer um desses itens não
atender às expectativas do cliente, para que o produto,
ou serviço seja considerado sem Qualidade. A proposta
tradicional do processo de gestão da qualidade concentra
sua atenção em dois parâmetros fundamentais,
o custo e o prazo, cuja otimização tem constituído,
até agora, o objetivo da boa prática do projeto/processo.
E certo que em todas as organizações
ocorrem perdas de tempo e dinheiro como resultados de erros,
enganos ou, simplesmente, por não se fazerem bem às
coisas, na primeira vez, sem mencionar os casos de patologias,
durante o uso, e, inclusive, de falhas de execução,
a curto ou longo prazo. O mais importante na gestão
da qualidade é a mudança de mentalidade, antes
até de uma mudança de atitude.
Neste sentido, pode-se dizer que um bom índice da qualidade,
em qualquer organização, é o tempo, conseqüentemente,
o dinheiro/custo, perdido em “tapar buracos”,
reparar defeitos, quer dizer, em fazer coisas que não
seriam necessários se o trabalho anterior, que conduziu
a essa situação, fosse feito corretamente. Um
dos principais objetivos da gestão da qualidade é,
precisamente, conseguir que as coisas sejam bem feitas no
primeiro momento, após uma análise adequada
das diferentes soluções possíveis do
problema em questão.
Um dos ramos da Psicologia que mais se desenvolveu
nos últimos anos é a chamada Psicologia das
Organizações, que estuda o comportamento das
pessoas dentro das empresas.
Entre os componentes do fator humano que mais influem na produtividade
e na qualidade temos a formação que inclui capacitação
inicial e reciclagem permanente devido à rápida
evolução que experimentam as técnicas,
à informação cuja característica
mais significativa é à quantidade (um excesso
de informação conduz à sobrecarga e culmina
em erros de falta de percepção ou, simplesmente,
desinteresse), a forma (linguagem verbal ou escrita, sinais
ou gestos, influência do contexto), e, sobretudo, a
comprovação, ou seja, se há confirmação,
ou não, ao emissor, de como foi entendida sua mensagem.
A comprovação diminui a velocidade do processo
de comunicação, porém, em contrapartida,
acrescenta uma maior segurança ao mesmo, e, portanto,
passa a ser recomendável, em quase todos os casos.
Os processos de informação
e comunicação podem ser melhorados mediante
diversas técnicas de simples aplicação.
Uma delas é o uso de listas de verificação,
de grande aplicação, em garantia da qualidade.
A motivação é, possivelmente, a característica
mais difícil de estudar dentro do fator humano e, por
sua vez, também a que mais influi no resultado do trabalho.
Os componentes da motivação estão diretamente
ligados à satisfação das necessidades
dos indivíduos, já que a idéia de conseguir
algo que satisfaça uma necessidade que sentimos é,
sem dúvida, um elemento motivador de nossa conduta.
A participação é um
processo evolutivo que vai de baixo para cima e que atinge,
de forma especial, as novas gerações, nada inclinadas
para idéia de produtividade ou rendimento.
Quando se fala da qualidade e custos devem ser considerados
dois aspectos distintos: controle de custos, que não
se refere à comprovação de custos e sim
ao sistema de gestão de custos e custos da qualidade.
Muitas atividades geram custos que não são possíveis
conhecer de antemão, com precisão. Por isso,
convém vigiar as zonas de incerteza, e tentar prever
os custos, a cada momento, se possível em termos de
probabilidade.
Esta previsão, de caráter continua,
consiste em: conseguir informação atualizada
dos custos reais, comparar esses custos com os planos/objetivos,
estimar os custos finais e efetuar as correções
necessárias.
Com base nessas considerações é possível
estabelecer a seguinte seqüência de ações:
1- identificar todos os conceitos que geram custos (materiais,
equipamentos, mão-de-obra, seguros, penalizações,
etc.); 2- estimar as incertezas (com respeito às previsões)
de cada conceito operador de custos, sem ser otimista. Expressar
estas incertezas em termo de probabilidade; 3- determinar
qual informação sobre custos é realmente
necessária e como se deve obtê-la; 4- prever
o custo final do processo, levando-se em conta as incertezas,
desde agora até o término do serviço;
5- comparar esse custo previsto com o planejado, e informar,
aos participantes, o melhor possível; 6- tomar medidas
adequadas, caso existiam grandes discrepâncias entre
os dois valores; 7- comprovar se essas medidas podem ser tomadas
sem afetar a qualidade planejada, e, 8- retroação
da informação ao ponto 4, e repetição
do ciclo de forma regular, em datas predeterminadas.
Normalização é o processo
de estabelecer e aplicar regras a fim de abordar ordenadamente
uma atividade especifica, para o beneficio e com a participação
de todos os interessados e, em particular, promover a otimização
da economia, levando em consideração as condições
funcionais e as exigências de segurança. Sem
a Normalização não é possível
obter a qualidade nos procedimentos repetitivos que lastreiam
as atividades econômicas, as trocas comerciais e em
particular a produção.
Que tenhamos efetivamente a participação da
iniciativa privada e do Governo (Federal, Estadual e Municipal),
no giro em que o mundo está processando a Qualidade.
* José Mauro Carrilho
Guimarães é arquiteto urbanista, pós-graduado
em Administração Hospitalar e da Saúde |