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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

03.01.06

Community Health: a integração na cadeia de saúde
Jamil Mattar*
 

No Brasil, como em boa parte do mundo, a demanda por serviços de saúde é crescente. As dificuldades de atendimento estão diretamente ligadas aos altos custos do setor e aos avanços da medicina, dentre outros fatores. Uma das mais importantes faces desse complexo cubo de problemas é a informação. Ao longo do tempo, ela vem se mostrando cada vez mais uma poderosa ferramenta capaz de reduzir custos, otimizar recursos, projetar programas de prevenção para a Comunidade de Saúde e melhorar consideravelmente a qualidade e a produtividade dos serviços médicos.

Um inovador conceito mundial na área de saúde e tecnologia da informação, chamado de Community Health (redes comunitárias de saúde), proporciona a informatização da gestão. A aplicação do conceito é possível com o uso da Internet. É possível melhorar o controle de toda a geração, tratamento e distribuição das informações clínicas, assistenciais e administrativas de uma comunidade, seja ela uma cidade, um estado ou até mesmo um país. Esse é um exemplo de que existem soluções únicas e inovadoras em nível mundial, e que levam a visão de integração de dados no sentido exato do contexto.

Ou seja, trata-se da integração das informações administrativas, demográficas e clínicas dos pacientes que permitem a gestão integrada de uma determinada comunidade de usuários de serviços de saúde. Da mesma forma, a extração de dados gerenciais e estatísticos traz para um mesmo plano de sinergia informacional o profissional de saúde (médico, enfermeiros, etc.), os administradores, os gestores públicos, as instituições, demais grupos operacionais e toda a municipalidade envolvida com o provimento da saúde. O conceito de Community Health permite a horizontalização dos processos nas instituições de saúde, otimizando-os e maximizando os recursos da comunidade.

Mais conhecido fora do país, hoje, este conceito pode se tornar realidade no Brasil. As autoridades poderão realizar um mapeamento epidemiológico da sua comunidade, por meio de análises de cruzamentos de dados clínicos, administrativos e gerenciais. Além disso, é possível integrar postos e centros de saúde com hospitais regionais e centrais, como também serviços especializados, garantindo que o paciente tenha um registro único com todo o seu histórico.

Mas não são somente os pacientes que ganham, as próprias instituições de saúde (graças à unificação das informações) têm seus custos reduzidos e podem melhorar a performance dos indicadores da atividade hospitalar. Claro, desde que sigam uma metodologia de escolha que permita ao comprador acertar seu investimento dentro do orçamento e tempo de implantação prometido.

O conceito de Community Health vem revolucionando novamente as práticas de gestão hospitalar e provendo uma das mais importantes plataformas tecnológicas. O bem-sucedido projeto realizado na National Health Service, no Reino Unido, está informatizando um complexo de mais de 1.600 hospitais e centros clínicos daquele país. Além desse projeto, posso exemplificar também o Queensland Health, uma mega implantação com mais de 200 unidades de atendimento no Estado de Queensland, na Austrália. E, no Estado da Tasmânia, na Austrália, o projeto Tasmânia Community Health Profile unificou mais de 60 unidades de atendimento clínico-assistencial. Esses são casos de sucesso realizados em países que possuem um olhar pioneiro quando o assunto é saúde. Da teoria à prática, de fato, há muito trabalho a ser feito. O Brasil é um dos maiores mercados emergentes na área de saúde do mundo e para o País esse novo conceito pode mudar o cenário do setor.

* Jamil Mattar é diretor geral da TrakHealth Brasil

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