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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

11.10.05

Desafios no exercício da medicina nos dias de hoje
Dr. Lecy Marcondes Cabral*
 

Com a proximidade da chegada do Dia 18 de Outubro-Dia do Médico, os 23 anos de exercício profissional me vêm à mente e são repassados desde a formação, passando pela especialização, a conclusão do mestrado, as escolhas profissionais, os desafios, os momentos de incerteza, as alegrias, os sucessos, os bons resultados. São justamente estas duas décadas de dedicação à medicina que me fazem destacar a importância do exercício ético da profissão como o principal motivo para celebração da data que se aproxima.

A despeito de todos os problemas enfrentados no dia-a-dia, sejam estes decorrentes do aviltamento da profissão ou da falta de condições adequadas de trabalho, os médicos brasileiros têm sua competência reconhecida dentro e fora do País. Podemos nos orgulhar de contar com profissionais de gabarito incontestável que produzem conhecimento científico de qualidade, acompanhado da prática diária de nossa Medicina, que é regida por parâmetros éticos e por compromisso social com os pacientes. E neste universo de profissionais, a notícia boa é que as mulheres que exercem a medicina já representam, hoje, cerca de 1/3 do total de médicos no Brasil.

Neste sentido, para marcar a data, é interessante destacar alguns dos resultados do estudo “O Médico e o seu Trabalho”, publicado pelo Conselho Federal de Medicina, CFM, em 2004. À época da realização da pesquisa, de acordo com os registros do CFM, o Brasil contava com 234.554 médicos. Destes, 14.405 constituem a amostra analisada.

O exame acurado dos indicadores do mercado de trabalho nos revelará o quão árduo é o exercício da medicina, hoje. Embora 98% dos entrevistados tenham relatado estar exercendo sua profissão, fato que evidencia o ‘quase pleno emprego’ da classe médica, é grande, também, o número de profissionais com múltiplas atividades em medicina. Especificamente, os que indicaram realizar 4 atividades representam 16,7%, aqueles que mencionaram 5 atividades, 7,4%, e surpreendentemente, os que mencionaram 6 ou mais atividades representam 4,1% do universo pesquisado. Esta multiplicidade de atividades, envolvendo o trabalho nos setores público, privado, consultório, filantrópico e docente sobrecarrega o profissional e limita, muito, as possibilidades de atualização científica.

Hoje, mais da metade dos médicos brasileiros, 52%, exerce atividades de plantão, principalmente do tipo presencial (64%), fato que é percebido por 58% da classe como motivo de desgaste da profissão, pois o excessivo número de horas trabalhadas por semana é fator determinante no estresse do profissional.

A grande maioria dos entrevistados declarou morar e trabalhar exclusivamente na mesma cidade em que reside (72,6%), porém um percentual expressivo afirmou dividir sua jornada de trabalho entre a cidade onde reside e outra do mesmo estado (19,7%).

Em relação ao mercado de trabalho, as considerações da pesquisa em relação à remuneração são reflexos das condições macroeconômicas do País. Na apresentação de resultados se observou que a maioria dos médicos (52%) ganha até 2 mil dólares mensais. Os que declararam renda superior a 4 mil dólares representam 9% do universo pesquisado.

A Medicina não pode ser representada apenas por números e estatísticas, mas fico muito feliz em saber que também podemos quantificar o indissociável compromisso do médico com a sociedade, ao detectarmos os valores humanos que regem a sua conduta profissional. A mesma pesquisa indicou que os três valores humanos mais importantes para os médicos no Brasil são: honestidade (97,3%), ordem social (91,9%) e afetividade (88,2%). Dentre os valores apontados como menos importantes estão emoção (20,2%), poder (17%) e prestígio (12,5%).

Ser médico não é tarefa fácil. É missão extremamente complexa, porém necessária. É ministério difícil, porém possível. É fonte de felicidade para quem valoriza o homem e consegue enxergar, em cada paciente, uma extensão de sua própria humanidade.


* Dr. Lecy Marcondes Cabral é médico, diretor da Clínica Integrada de Cirurgia Plástica São Paulo e mestre em cirurgia plástica pela Escola Paulista de Medicina

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