Algum
tempo atrás, a questão da segurança de produtos e consumidores
era tratada como sendo uma responsabilidade das indústrias. Contudo, a
publicação de regulamentações específicas sobre
estes assuntos, tanto no mercado interno quanto externo, trouxe à tona
uma significativa mudança na forma de encarar e tratar isso. Além
do aspecto legal, a segurança do consumidor – no caso da Saúde
dos pacientes – tornou-se uma responsabilidade e ética de negócios.
A qualidade e segurança dos produtos e serviços contribuem de
forma decisiva para aumentar a confiança do consumidor e fortalecer o seu
relacionamento com as instituições de Saúde. Um conjunto
de “melhores práticas” tem sido desenvolvido e implementado
voluntariamente por organizações que demonstram ter consciência
no gerenciamento de processos e atividades e no relacionamento com os pacientes.
Esta tendência confirma, mais uma vez, que a segurança nunca recebeu
tanta atenção. As organizações constantemente aceitam
o desafio de aprimorar seus processos internos baseados na melhoria contínua
com o auxílio de novas tecnologias e novos métodos de trabalho.
O governo brasileiro - preocupado com essas questões, e buscando acompanhar
todo o processo de produção, distribuição e comercialização
de medicamentos - publicou portarias e resoluções cuja finalidade
é a de identificar a origem de determinado problema em qualquer etapa da
Cadeia de Suprimentos. Dentre as ações, a retirada imediata de produtos
do mercado, quando identificado um problema, a responsabilidade da empresa em
todas as etapas de produção e regras específicas para distribuidores
fazem parte dos requisitos legais, exigindo de toda a cadeia produtiva o investimento
de recursos em sistemas de informação, automação de
processos e integração.
A rastreabilidade passa a ser, então, um requisito legal, permitindo
que as indústrias e organizações de saúde implementem
sistemas apropriados para assegurá-la em suas operações e
permanecerem competitivas. Pode-se constatar os benefícios adicionais como
atingir o elevado nível atual de expectativas dos consumidores em relação
à qualidade e segurança dos produtos e serviços e aumentar
a percepção de valor dos clientes em relação aos produtos
e serviços oferecidos, ao mesmo tempo em que se consegue melhorar a eficiência
operacional.
Neste contexto, a difícil tarefa de receber os medicamentos e materiais
médicos e utilizá-los com segurança é um desafio para
o setor hospitalar. Daí, a importância de sistemas que garantam a
rastreabilidade dos medicamentos e a identificação dos pacientes
aos quais são ministrados e dos profissionais que os prescrevem.
Considerando este cenário, o Grupo de Trabalho Saúde, coordenado
pela EAN BRASIL, desenvolve atividades para a implantação de códigos
internacionais e padronizados, com fornecedores, indústrias farmacêuticas
e instituições de saúde. A rastreabilidade depende de estruturas
de dados e de códigos de barras para a identificação única
e exclusiva dos produtos e da qualidade das informações que são
registradas e armazenadas ao longo de toda a Cadeia de Suprimentos, desde o recebimento
de insumos e matéria-prima pela indústria farmacêutica até
os processos de distribuição e dispensação dos medicamentos
no leito do hospital. Para orientar as empresas e instituições do
setor sobre a adoção desses códigos e as bases dos sistemas
de rastreabilidade, a EAN BRASIL está lançando o Guia de Codificação
para o Setor da Saúde.
A finalidade deste Guia é a de possibilitar a integração
das operações de gestão de materiais e suprimentos de hospitais,
internamente e com fornecedores de medicamentos e produtos para saúde,
por meio da implementação de código de barras e do comércio
eletrônico, baseados em padrões internacionalmente aceitos, considerando
a necessidade de identificação dos pacientes, salas e leitos, como
fatores essenciais para garantir a rastreabilidade e a segurança dos pacientes.
Com o lançamento do Guia de Codificação para o Setor da Saúde,
a EAN BRASIL novamente contribui com os temas da rastreabilidade de produtos e
da segurança dos pacientes, facilitando o processo de implantação,
além de potencializar os ganhos com o emprego da automação,
pelo estabelecimento de padrões de códigos de barras e comércio
eletrônico.
Dentre os benefícios esperados, destacam-se: melhor controle e segurança
no combate às falsificações, contrabando e roubos de produtos
para a saúde; rastreabilidade de produtos pelos sistemas de registros automatizados
e armazenagem de dados da movimentação de produtos; mais clareza
das vulnerabilidades e fraquezas inerentes aos processos de dispensação
e uso dos medicamentos; aumento da capacidade de identificação e
avaliação das potenciais causas de erros e o desenvolvimento de
sistemas e processos que garantam a segurança dos pacientes.
A adoção de sistemas de rastreabilidade é a tendência
definitiva para o crescimento econômico mundial de economia globalizada,
embora ainda seja necessário entender suas vantagens, investir e estabelecer
métodos de trabalho para que todos sejam beneficiados. O setor da saúde
dispõe de imenso potencial para colher os benefícios que a rastreabilidade
é capaz de oferecer, desde que ele acredite e invista nessa idéia.
A adoção de sistemas de rastreabilidade apoiados pelas ferramentas
de automação, portanto, traz inúmeras vantagens àqueles
que, em sintonia com as tendências mundiais, investem nessa idéia.
Do ponto de vista operacional, são beneficiados pela gestão mais
precisa dos estoques, melhor fluxo de caixa, mais agilidade nos processos de compra,
distribuição interna e dispensação, para citar apenas
alguns fatores. Quanto aos aspectos social e humano, pode-se dizer que este investimento
é para o bem mais precioso do paciente: sua vida.
*Michel Tartarin Zambelli é assessor de Soluções
de Negócios da EAN BRASIL
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