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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

19.07.04

A saída para o setor de Saúde é investir em tecnologias
Jamil Mattar*
 
Um dos grandes problemas que o setor de saúde no Brasil enfrenta é a descapitalização que afeta tanto a área pública quanto privada. A pública padece da quase total ausência de investimentos e sofre problemas como a falta de insumos básicos e baixos salários. O foco do governo está na prevenção de doenças para a população, como por exemplo, as campanhas de vacinação. Porém, a rede hospitalar carece de uma política mais agressiva e direcionada.

Do lado privado, também existe um grave problema financeiro. Este setor não possui os problemas básicos encontrados no público, mas sofre de sérios problemas de gestão e ausência de processos de controle. Por exemplo, a grande maioria dos hospitais não tem na ponta do lápis os seus custos. Faltam metodologias, indicadores, objetivos e metas que possibilitem que estas instituições sejam mais competitivas. Esta falta de visão dos processos afeta diretamente o administrador do hospital, que acaba investindo o pouco recurso de maneira equivocada, muitas vezes esquecendo de mensurar a manutenção do equipamento ou sistema, o custo dos técnicos especializados e até mesmo sua depreciação. O impacto disso no caixa da instituição a médio e longo prazo é muito grande. Para piorar o cenário, os hospitais sofrem as pressões das fontes pagadoras que determinam os valores das tabelas de serviços.

O aumento da exigência de qualidade no setor tem levado muitos gestores a procurar saídas para aprimorar os controles e melhorar a gestão. Hoje, um hospital é obrigado a ter um sistema de rastreabilidade para os doadores de sangue, por exemplo. Estas forças aliadas à crise do setor têm obrigado as instituições a buscar ajuda na tecnologia da informação. Neste quesito, o País ainda está engatinhando. Pesquisa da Organização Panamericana de Saúde em parceria com o Panorama Setorial indica que apenas 33% dos mais de 6500 hospitais do Brasil têm algum o tipo de sistema de TI, e somente 5% deles possuem um nível de informatização considerado satisfatório. Outro dado reforça a defasagem que ainda enfrentamos: em média, os hospitais brasileiros investem apenas 1% de seu orçamento em TI. Para termos de comparação, os hospitais americanos investem em média 2% a 3% de seu orçamento em tecnologia.

Mas apenas a implementação de soluções de TI nas instituições não resolve os problemas. As empresas também precisam incentivar os seus funcionários no que se refere à quebra de preconceitos na adoção da tecnologia ao cotidiano. A adoção de ferramentas de TI nos complexos hospitalares representa uma oportunidade de impacto imediato na qualidade da produção clínica, com benefícios para gestores, profissionais e clientes.

Os gestores ganham com a redução de glosas e custos, os médicos com a adoção de protocolos e suporte à prescrição médica, e os clientes são beneficiados com agilidade e qualidade nos serviços. A informatização é essencial para a tomada de decisões, procurando atender não somente à saúde do paciente, mas também ajudar as instituições com ganhos significativos, onde os investimentos podem ser recuperados em questão de meses. Ou seja, a tecnologia bem utilizada e principalmente bem compreendida como uma ferramenta útil, proporciona ganhos para todas as partes envolvidas.

A pergunta que fica é investir em tecnologia se a área padece de recursos? A solução está nos chamados projetos on demand, onde o hospital adquire e paga as soluções à medida que aumenta a sua utilização. Esta pode ser a saída para o setor neste momento difícil onde reduzir custos e melhorar a gestão é questão de sobrevivência.

*Jamil Mattar é CEO da TrakHealth no Brasil

 

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