Um
dos grandes problemas que o setor de saúde no Brasil enfrenta é
a descapitalização que afeta tanto a área pública
quanto privada. A pública padece da quase total ausência de investimentos
e sofre problemas como a falta de insumos básicos e baixos salários.
O foco do governo está na prevenção de doenças para
a população, como por exemplo, as campanhas de vacinação.
Porém, a rede hospitalar carece de uma política mais agressiva e
direcionada.
Do lado privado, também existe um grave problema financeiro. Este setor
não possui os problemas básicos encontrados no público, mas
sofre de sérios problemas de gestão e ausência de processos
de controle. Por exemplo, a grande maioria dos hospitais não tem na ponta
do lápis os seus custos. Faltam metodologias, indicadores, objetivos e
metas que possibilitem que estas instituições sejam mais competitivas.
Esta falta de visão dos processos afeta diretamente o administrador do
hospital, que acaba investindo o pouco recurso de maneira equivocada, muitas vezes
esquecendo de mensurar a manutenção do equipamento ou sistema, o
custo dos técnicos especializados e até mesmo sua depreciação.
O impacto disso no caixa da instituição a médio e longo prazo
é muito grande. Para piorar o cenário, os hospitais sofrem as pressões
das fontes pagadoras que determinam os valores das tabelas de serviços.
O aumento da exigência de qualidade no setor tem levado muitos gestores
a procurar saídas para aprimorar os controles e melhorar a gestão.
Hoje, um hospital é obrigado a ter um sistema de rastreabilidade para os
doadores de sangue, por exemplo. Estas forças aliadas à crise do
setor têm obrigado as instituições a buscar ajuda na tecnologia
da informação. Neste quesito, o País ainda está engatinhando.
Pesquisa da Organização Panamericana de Saúde em parceria
com o Panorama Setorial indica que apenas 33% dos mais de 6500 hospitais do Brasil
têm algum o tipo de sistema de TI, e somente 5% deles possuem um nível
de informatização considerado satisfatório. Outro dado reforça
a defasagem que ainda enfrentamos: em média, os hospitais brasileiros investem
apenas 1% de seu orçamento em TI. Para termos de comparação,
os hospitais americanos investem em média 2% a 3% de seu orçamento
em tecnologia.
Mas apenas a implementação de soluções de TI nas
instituições não resolve os problemas. As empresas também
precisam incentivar os seus funcionários no que se refere à quebra
de preconceitos na adoção da tecnologia ao cotidiano. A adoção
de ferramentas de TI nos complexos hospitalares representa uma oportunidade de
impacto imediato na qualidade da produção clínica, com benefícios
para gestores, profissionais e clientes.
Os gestores ganham com a redução de glosas e custos, os médicos
com a adoção de protocolos e suporte à prescrição
médica, e os clientes são beneficiados com agilidade e qualidade
nos serviços. A informatização é essencial para a
tomada de decisões, procurando atender não somente à saúde
do paciente, mas também ajudar as instituições com ganhos
significativos, onde os investimentos podem ser recuperados em questão
de meses. Ou seja, a tecnologia bem utilizada e principalmente bem compreendida
como uma ferramenta útil, proporciona ganhos para todas as partes envolvidas.
A pergunta que fica é investir em tecnologia se a área padece
de recursos? A solução está nos chamados projetos on demand,
onde o hospital adquire e paga as soluções à medida que aumenta
a sua utilização. Esta pode ser a saída para o setor neste
momento difícil onde reduzir custos e melhorar a gestão é
questão de sobrevivência.
*Jamil Mattar é CEO da TrakHealth no Brasil
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