Há
quem defenda que a gestão dos custos no setor de saúde deva ser
focada no controle do uso de tecnologia. Práticas desencorajantes, como
a limitação do diagnóstico por imagem ou a imposição
de um intrincado sistema de reembolso por parte dos planos de assistência
médica privada, impactam a qualidade do tratamento do paciente.
Fatos comprovam que valorizar a tecnologia médica e o grau de preparação
do especialista, é fundamental para se garantir melhor qualidade de vida
e maior sobrevida dos pacientes. Este é, paradoxalmente, o melhor meio
de sanar as doenças do próprio sistema de saúde. Dificultar
o acesso do paciente aos exames que envolvem tecnologia de ponta é impor
graves barreiras ao aumento de expectativa de vida – “com qualidade
de vida”.
Os avanços tecnológicos na área de saúde podem,
quando bem gerenciados, representar economia de custo, aumento de qualidade e
produtividade, como também maior capacidade de detectar precocemente as
doenças. Prestadores de serviços de saúde, pacientes e fontes
pagadoras estão começando a perceber, ainda que com uma certa resistência,
o verdadeiro potencial da tecnologia bem empregada.
Empregadores já constatam o quanto os investimentos em diagnósticos
eficientes podem reduzir o número de faltas e afastamento do trabalho,
além de aumentar a produtividade dos pacientes. Médicos e hospitais
ainda podem conferir como a alta tecnologia empregada diminui a duração
dos tratamentos, encurta os períodos de recuperação e reduz
o tempo de internação hospitalar, diminuindo os investimentos em
saúde a longo prazo e com melhores resultados.
O diagnóstico precoce de doenças como câncer, por exemplo,
quando amparado por equipamentos de ponta e médicos treinados para realizar
os laudos, é um dos maiores trunfos do setor de saúde no quesito
economia de custo. Tanto os exames laboratoriais como os de diagnóstico
por imagem, quando realizados por um serviço mais confiável, podem
representar uma economia de milhões de reais.
É nessa linha de raciocínio que se pode definitivamente valorizar
os modernos métodos de diagnósticos por imagem e os médicos
especializados na sua interpretação. Apesar dos altos investimentos,
tanto do ponto de vista de aquisição de equipamentos, como na preparação
dos profissionais em saúde que estão diretamente envolvidos com
os resultados, os ganhos socio-econômicos do sistema de saúde –
provenientes da melhor capacidade de detectar e tratar doenças em menor
espaço de tempo e exigindo menos idas e vindas ao médico e repetição
de inúmeros exames inadequados – são prova cabal de que apostar
em alta tecnologia e na valorização do especialista em interpretar
os exames, é o caminho mais viável, econômico e seguro.
*Dr. Marcelo Secaf é médico radiologista
e diretor da URP Diagnósticos Médicos
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