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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

29.12.03

Mastectomia, teoria e prática: o que
a mulher precisa saber a respeito
Dra. Alice H. Rosante Garcia*
 
Deparar-se com o diagnóstico de câncer não é uma tarefa fácil, porém o processo de conhecimento da doença e do tratamento que o paciente passa em busca da cura, ensina muita gente a aceitar o problema e a lutar pela vida.

Nesse contexto, um dos tumores que possuem as mais altas taxas de incidência no mundo, o câncer de mama, acaba se tornando assustador para as mulheres, pois acena com a possibilidade da mastectomia, cirurgia para retirada de parte ou de todo o órgão para controle da doença. É por isto que precisamos conhecer sobre o assunto: para entendermos as razões dos tratamentos e não ver a doença de maneira tão assustadora e insuportável como parece.

Por mais agressivo que seja o diagnóstico, a ameaça de uma amputação é para algumas mulheres a pior conseqüência da patologia. Como convencer e tornar mais fácil para a paciente a retirada da mama, símbolo da feminilidade e órgão de extrema importância na busca do prazer sexual? Que tal conhecermos um pouco mais sobre a cirurgia e perder esse medo?

É muito importante visualizarmos algumas características do câncer de mama, para avaliar os prós e contras da perda desse órgão, o que nem sempre acontece.
Existem vários tipos de mastectomia. A conhecida e temida mastectomia radical, retirada completa do seio incluindo os músculos peitorais e da axila, não é muito praticada atualmente, ao contrário do que acontecia há alguns anos.

Hoje, quando um especialista diagnostica o tumor, ele considera uma série de fatores para decidir, junto a paciente, a melhor ação a ser tomada. Entre esses fatores estão o tamanho da mama e do tumor, sua localização, a idade da paciente, a presença ou não de metástase e outros sinais prognósticos.
Para se localizar um tumor, os médicos utilizam um conceito que visualiza a mama em quatro partes diferentes: uma linha horizontal divide o seio em quadrantes superior e inferior, e uma linha vertical subdivide o órgão em outros dois quadrantes, internos e externos.

Agora fica mais fácil saber porque a localização do tumor é tão importante! Se a doença ocupar apenas um quadrante da mama é utilizada a cirurgia conservadora, também chamada de quadrantectomia, que retira apenas o setor ocupado. Se o tumor estiver em mais de um quadrante ou no centro, atrás do mamilo, não é possível conservar o seio, uma vez que precisamos retirar completamente as células doentes.
O tipo de cirurgia mais utilizado hoje é a chamada conservadora, feita em pacientes que tenham diagnosticado o tumor em estágio inicial, em que o volume de células atingidas é pequeno. Isso torna mais fácil o controle no pós-operatório, uma vez que a possibilidade de disseminação fora da mama é mais remota.
Quando o tumor está muito grande, com comprometimento da pele e/ou dos gânglios axilares, é prudente iniciar o tratamento com quimioterapia por dois ou três ciclos antes da cirurgia, na tentativa de diminuir o tamanho da doença e permitir a realização de uma cirurgia menos agressiva, ao mesmo tempo em que aumenta as chances de cura.

Se por essas razões a mastectomia já foi realizada, a paciente pode posteriormente decidir pela reconstrução da mama. Habitualmente, os especialistas sugerem um tempo médio de espera de dois anos. Depois desse tempo, se a mulher desejar, a cirurgia estética poderá ser feita utilizando várias técnicas. Entre elas há as que usam músculos e pele da região dorsal (costas) ou da região abdominal, que também implica em abdominoplastia (cirurgia redutora do abdome), ou então de colocação de um expansor sob a pele do plastrão (cicatriz da mastectomia), que será expandido gradativamente até atingir o tamanho desejado. Posteriormente, é feito o mamilo com pele da pálpebra ou dos grandes lábios da vagina, com ótimos resultados estéticos e sensitivos.

É preciso transmitir segurança às pacientes, mas sempre enfatizando que, como todas as cirurgias reparadoras, a de mama está sujeita a intercorrências, como infecções e necroses de enxerto, comprometendo o resultado final. Por isso deve-se discutir todos os detalhes com o cirurgião e ouvir opiniões de outros especialistas sobre o assunto para decidir com calma qual o caminho mais seguro a ser trilhado.
Vale lembrar que a decisão sobre reconstruir ou não a mama deve partir da paciente, que é a única capaz de avaliar até que ponto isso é importante para ela. Felizmente, hoje as mastectomias simples se restringem a poucos casos em que a cirurgia completa é indispensável.

Com a divulgação exaustiva de métodos preventivos, houve um aumento da preocupação da mulher com a sua saúde. Como conseqüência, observamos um crescimento na detecção precoce da doença, o que permite tratamento conservador, mesmo que complementado com radio e quimioterapia.
O importante é que a população feminina se conscientize da importância da realização dos exames preventivos e procure um médico sempre que tiver dúvidas. A prevenção ainda é a principal arma que temos contra o câncer, seja de mama ou de quaisquer outros órgãos.

* Dra. Alice H. Rosante Garcia é médica especializada em oncologia clínica da Clínica Oncocamp, de Campinas

 

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