Deparar-se
com o diagnóstico de câncer não é uma tarefa fácil,
porém o processo de conhecimento da doença e do tratamento que o
paciente passa em busca da cura, ensina muita gente a aceitar o problema e a lutar
pela vida.
Nesse contexto, um dos tumores que possuem as mais altas taxas de incidência
no mundo, o câncer de mama, acaba se tornando assustador para as mulheres,
pois acena com a possibilidade da mastectomia, cirurgia para retirada de parte
ou de todo o órgão para controle da doença. É por
isto que precisamos conhecer sobre o assunto: para entendermos as razões
dos tratamentos e não ver a doença de maneira tão assustadora
e insuportável como parece.
Por mais agressivo que seja o diagnóstico, a ameaça de uma amputação
é para algumas mulheres a pior conseqüência da patologia. Como
convencer e tornar mais fácil para a paciente a retirada da mama, símbolo
da feminilidade e órgão de extrema importância na busca do
prazer sexual? Que tal conhecermos um pouco mais sobre a cirurgia e perder esse
medo?
É muito importante visualizarmos algumas características do câncer
de mama, para avaliar os prós e contras da perda desse órgão,
o que nem sempre acontece.
Existem vários tipos de mastectomia. A conhecida e temida mastectomia radical,
retirada completa do seio incluindo os músculos peitorais e da axila, não
é muito praticada atualmente, ao contrário do que acontecia há
alguns anos.
Hoje, quando um especialista diagnostica o tumor, ele considera uma série
de fatores para decidir, junto a paciente, a melhor ação a ser tomada.
Entre esses fatores estão o tamanho da mama e do tumor, sua localização,
a idade da paciente, a presença ou não de metástase e outros
sinais prognósticos.
Para se localizar um tumor, os médicos utilizam um conceito que visualiza
a mama em quatro partes diferentes: uma linha horizontal divide o seio em quadrantes
superior e inferior, e uma linha vertical subdivide o órgão em outros
dois quadrantes, internos e externos.
Agora fica mais fácil saber porque a localização do tumor
é tão importante! Se a doença ocupar apenas um quadrante
da mama é utilizada a cirurgia conservadora, também chamada de quadrantectomia,
que retira apenas o setor ocupado. Se o tumor estiver em mais de um quadrante
ou no centro, atrás do mamilo, não é possível conservar
o seio, uma vez que precisamos retirar completamente as células doentes.
O tipo de cirurgia mais utilizado hoje é a chamada conservadora, feita
em pacientes que tenham diagnosticado o tumor em estágio inicial, em que
o volume de células atingidas é pequeno. Isso torna mais fácil
o controle no pós-operatório, uma vez que a possibilidade de disseminação
fora da mama é mais remota.
Quando o tumor está muito grande, com comprometimento da pele e/ou dos
gânglios axilares, é prudente iniciar o tratamento com quimioterapia
por dois ou três ciclos antes da cirurgia, na tentativa de diminuir o tamanho
da doença e permitir a realização de uma cirurgia menos agressiva,
ao mesmo tempo em que aumenta as chances de cura.
Se por essas razões a mastectomia já foi realizada, a paciente
pode posteriormente decidir pela reconstrução da mama. Habitualmente,
os especialistas sugerem um tempo médio de espera de dois anos. Depois
desse tempo, se a mulher desejar, a cirurgia estética poderá ser
feita utilizando várias técnicas. Entre elas há as que usam
músculos e pele da região dorsal (costas) ou da região abdominal,
que também implica em abdominoplastia (cirurgia redutora do abdome), ou
então de colocação de um expansor sob a pele do plastrão
(cicatriz da mastectomia), que será expandido gradativamente até
atingir o tamanho desejado. Posteriormente, é feito o mamilo com pele da
pálpebra ou dos grandes lábios da vagina, com ótimos resultados
estéticos e sensitivos.
É preciso transmitir segurança às pacientes, mas sempre
enfatizando que, como todas as cirurgias reparadoras, a de mama está sujeita
a intercorrências, como infecções e necroses de enxerto, comprometendo
o resultado final. Por isso deve-se discutir todos os detalhes com o cirurgião
e ouvir opiniões de outros especialistas sobre o assunto para decidir com
calma qual o caminho mais seguro a ser trilhado.
Vale lembrar que a decisão sobre reconstruir ou não a mama deve
partir da paciente, que é a única capaz de avaliar até que
ponto isso é importante para ela. Felizmente, hoje as mastectomias simples
se restringem a poucos casos em que a cirurgia completa é indispensável.
Com a divulgação exaustiva de métodos preventivos, houve
um aumento da preocupação da mulher com a sua saúde. Como
conseqüência, observamos um crescimento na detecção precoce
da doença, o que permite tratamento conservador, mesmo que complementado
com radio e quimioterapia.
O importante é que a população feminina se conscientize da
importância da realização dos exames preventivos e procure
um médico sempre que tiver dúvidas. A prevenção ainda
é a principal arma que temos contra o câncer, seja de mama ou de
quaisquer outros órgãos.
* Dra. Alice H. Rosante Garcia é médica
especializada em oncologia clínica da Clínica Oncocamp, de Campinas
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