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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

09.12.03

O Sol: mocinho ou vilão?
Dr. Canrobert Oliveira*
 
Nos primórdios da humanidade, além da competição pela vida, o homem tinha que driblar as intempéries da época. Enquanto os outros animais fugiam em busca de áreas mais quentes, os humanos descobriram o fogo, aprenderam a se cobrir com peles provenientes das caças e a se agrupar em cavernas para fugir do frio. Socializaram-se, dominaram a terra e começaram a manipular o meio ambiente. O progresso desordenado e irresponsável da raça humana fez da sua trajetória evolutiva o exemplo do homem que esgota na juventude as forças que vai precisar na maturidade.

A ambição desenfreada pelo domínio do planeta levou ao descaso com a saúde da natureza, e hoje a terra, em meia vida, dá sinais de que está enferma. “SALVE O GREEN PEACE”...

A camada de ozônio, por exemplo, que protege a vida animal e vegetal dos raios ultravioleta (UV) emanados do sol e hoje enfraquecida, permite a espoliação da vida e transforma a terra em uma grande fornalha. O resultado desse comportamento vem trazendo serias conseqüências ao próprio homem. A catarata, por exemplo, tornou-se uma degeneração precoce do cristalino, sendo seus primeiros sinais detectados aos trinta e cinco anos de idade, em várias pessoas. Esta opacificação da lente natural do olho é responsável pela cegueira de pelo menos doze milhões de pessoas e pela redução significativa da visão de outros dezoito milhões de indivíduos em todo o mundo.

O sol que sempre foi fonte de vida e saúde leva também a culpa por três outros problemas oculares relativamente comuns. Um deles é o pterígio, um “crescimento carnoso” que invade a córnea danificando a visão nos casos mais avançados. Outro é a pingüecula. Uma elevação amarelada ou esbranquiçada que se desenvolve na esclera nasal constituindo uma fonte de irritação e desconforto freqüentes. O terceiro problema ligado aos efeitos nocivos dos raios ultravioleta do sol é a degeneração macular relacionada à idade. Há uma destruição impiedosa dos neurônios da mácula, área central da retina responsável pela nitidez da visão central. Hoje, cerca de um quarto da população mundial acima de setenta e cinco anos de idade, apresenta esta degeneração em diversos graus.

Ainda como conseqüência dos raios UV, é o câncer de pele responsável, só nos Estados Unidos, pelo desaparecimento anual de doze mil pessoas.

Apesar dos transtornos causados à humanidade pela redução de 12% da camada de ozônio a cada década, os países que mais poluem o planeta e dilapidam esse filtro natural, fecham os olhos e não cumprem o tratado de Kyoto, assinado em 1997, no Japão.

Enquanto isso, o que nos resta é adotar lentes escuras munidas de filtros anti-UV, passar protetores solares na pele, reverenciar os líderes mundiais e dizer que o sol é mesmo o vilão da história.

* Dr. Canrobert Oliveira é chefe do Departamento de Cirurgia Refrativa do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB)

 

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