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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

17.11.03

Aprimorar qualidade de vida é peça chave
no combate à endometriose
Dr. Carlos Alberto Petta*
 
A endometriose é considerada uma doença da mulher moderna. Isso porque a ansiedade e o estresse, fatores que teoricamente colaboram para o surgimento da doença, estão cada vez mais presentes na realidade do então chamado “sexo frágil”. Além de sofrerem a pressão de serem boas esposas, mães ou namoradas, elas estão trabalhando mais, inseridas no mercado de trabalho e sujeitas às preocupações e angústias da vida profissional. Tanto para combater o aumento da incidência da endometriose, quanto para melhor conviver com ela, é importante que as mulheres tenham uma rotina mais leve e saudável, inserindo medidas no dia a dia que melhoram seu físico, aumentam a auto-estima, e, consequentemente, a qualidade de vida.

A endometriose aparece em cerca de 10% da população feminina e, na maioria das mulheres, é descoberta dos 20 aos 35 anos de idade. Ela consiste da presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, se instalando em outras regiões do próprio útero e em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestinos e bexiga. O diagnóstico é feito através de um procedimento cirúrgico, chamado de laparoscopia.

A doença causa dores constantes no abdômen e na pelve em 80% dos casos, enquanto os 20% restantes nada sentem e muitas vezes nem sabem de sua existência. Em 40% das portadoras, a doença também está relacionada com a infertilidade. O fato de ela representar um incômodo constante devido à dor, além da possibilidade de ficar estéril, abre espaço para outro mal que acaba acometendo muitas mulheres com endometriose: a depressão. Por isso, uma reação imediata no que diz respeito à qualidade de vida é necessária.

Tanto para as mulheres que já desenvolveram a doença, quanto para aquelas que buscam preveni-la, fazer exercícios físicos regularmente é primordial. Primeiro porque essa é uma ótima maneira de relaxar, deixar os problemas para trás, diminuir os níveis de estresse. Segundo porque, além de melhorar seu condicionamento físico e sua auto-estima, a mulher que se exercita desenvolve uma tolerância maior para as dores provocadas pela endometriose. Os mais indicados são os exercícios aeróbicos, que devem ser feitos pelo menos durante 30 minutos, cinco vezes por semana.

Uma alimentação regrada é também peça fundamental na luta contra a endometriose e outras doenças. A mulher deve consumir alimentos ricos em fibras, que colaboram para o melhor funcionamento do intestino, e vitaminas B e C, além de evitar produtos industrializados e que contenham conservantes, nem um pouco saudáveis. Não se deve esquecer de manter a boa hidratação, bebendo pelo menos dois litros de água por dia.

Outra dica importante, que ajuda a desviar a mente dos efeitos da doença e também do estresse, é a realização de atividades lúdicas, que visem o divertimento e o auto-conhecimento, como yoga, e no caso das artes, a pintura, por exemplo. Manter corpo e mente sãos, essa é a chave para minimizar os problemas da endometriose.

* Dr. Carlos Alberto Petta é diretor do Centro de Reprodução Humana de Campinas e responsável pelo Ambulatório de Endometriose da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

 

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