A
endometriose é considerada uma doença da mulher moderna. Isso porque
a ansiedade e o estresse, fatores que teoricamente colaboram para o surgimento
da doença, estão cada vez mais presentes na realidade do então
chamado “sexo frágil”. Além de sofrerem a pressão
de serem boas esposas, mães ou namoradas, elas estão trabalhando
mais, inseridas no mercado de trabalho e sujeitas às preocupações
e angústias da vida profissional. Tanto para combater o aumento da incidência
da endometriose, quanto para melhor conviver com ela, é importante que
as mulheres tenham uma rotina mais leve e saudável, inserindo medidas no
dia a dia que melhoram seu físico, aumentam a auto-estima, e, consequentemente,
a qualidade de vida.
A endometriose aparece em cerca de 10% da população feminina
e, na maioria das mulheres, é descoberta dos 20 aos 35 anos de idade. Ela
consiste da presença do endométrio (tecido que reveste o interior
do útero) fora da cavidade uterina, se instalando em outras regiões
do próprio útero e em outros órgãos da pelve, como
trompas, ovários, intestinos e bexiga. O diagnóstico é feito
através de um procedimento cirúrgico, chamado de laparoscopia.
A doença causa dores constantes no abdômen e na pelve em 80% dos
casos, enquanto os 20% restantes nada sentem e muitas vezes nem sabem de sua existência.
Em 40% das portadoras, a doença também está relacionada com
a infertilidade. O fato de ela representar um incômodo constante devido
à dor, além da possibilidade de ficar estéril, abre espaço
para outro mal que acaba acometendo muitas mulheres com endometriose: a depressão.
Por isso, uma reação imediata no que diz respeito à qualidade
de vida é necessária.
Tanto para as mulheres que já desenvolveram a doença, quanto
para aquelas que buscam preveni-la, fazer exercícios físicos regularmente
é primordial. Primeiro porque essa é uma ótima maneira de
relaxar, deixar os problemas para trás, diminuir os níveis de estresse.
Segundo porque, além de melhorar seu condicionamento físico e sua
auto-estima, a mulher que se exercita desenvolve uma tolerância maior para
as dores provocadas pela endometriose. Os mais indicados são os exercícios
aeróbicos, que devem ser feitos pelo menos durante 30 minutos, cinco vezes
por semana.
Uma alimentação regrada é também peça fundamental
na luta contra a endometriose e outras doenças. A mulher deve consumir
alimentos ricos em fibras, que colaboram para o melhor funcionamento do intestino,
e vitaminas B e C, além de evitar produtos industrializados e que contenham
conservantes, nem um pouco saudáveis. Não se deve esquecer de manter
a boa hidratação, bebendo pelo menos dois litros de água
por dia.
Outra dica importante, que ajuda a desviar a mente dos efeitos da doença
e também do estresse, é a realização de atividades
lúdicas, que visem o divertimento e o auto-conhecimento, como yoga, e no
caso das artes, a pintura, por exemplo. Manter corpo e mente sãos, essa
é a chave para minimizar os problemas da endometriose.
* Dr. Carlos Alberto Petta é diretor do
Centro de Reprodução Humana de Campinas e responsável pelo
Ambulatório de Endometriose da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)
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