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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

13.10.03

Tecnologias na Identificação de Pacientes
Marcos Tadeu Machado*
 
Nas últimas décadas, o acesso quase imediato as informações tem contribuído para profundas mudanças conceituais em todas as áreas do conhecimento e conseqüentemente de uma nova conformação da sociedade. No setor de saúde especificamente esta evolução tem gerado mudanças não somente tecnológicas como culturais, institucionais e sociais.

Não há dúvidas que a amplitude do conceito de cidadania alcançou também o Sistema Nacional de Saúde, imprimindo uma nova concepção sobre a qualidade da assistência de direitos do “ paciente” . Este a quem hoje, em virtude dos novos conceitos, passamos a considerar “cliente” . Um cliente cada vez mais exigente e consciente deste direito como usuário do serviço de saúde, seja ele publico ou privado.
Faz-se necessário uma reflexão para análise destas mudanças que geram novos desafios e limites no que diz respeito a garantia de assistência prestada no setor de saúde.

A busca pela excelência deste serviço exige a avaliação de vários indicadores, entre os mais discutidos e polêmicos podemos citar a questão da qualidade e da segurança . Ambos decisivos para a qualificação do atendimento.

Com referência à questão da segurança do usuário, torna-se urgente a tomada de medidas que regulamentem e normatizem principalmente as condutas adotadas quanto ao paciente hospitalizado.
Para alcançar este objetivo, o primeiro passo é a implantação de normas quanto a identificação pessoal do Sistema de Saúde, ou seja, do paciente no momento de sua admissão em toda e qualquer unidade prestadora de serviços de saúde em todos os níveis de atendimento (ambulatorial e hospitalar e mais recentemente na assistência e tratamento ao paciente em casa-Homecare).

Um sistema de identificação adequado, passar por várias etapas durante sua implementação, de acordo com as características das instituições (porte, fluxo, grau de complexidade, etc.), porém, alguns princípios básicos sobre identificação são comuns a toda rede de saúde.

1- Identificação de todos os pacientes
São muitos os fatores que podem interferir na identificação positiva do paciente: estado de consciência, sedação, barreira lingüística, defeitos da falta e audição, idade (criança, jovem ou idoso), homônimos, etc.
Erros na identificação geralmente vem acompanhados de sérias conseqüências para os pacientes, familiares e instituições envolvidas. A gravidade destas conseqüências podem variar de seqüelas leves até mesmo o óbito , com relação ao paciente e aumento dos custos hospitalares até complicação jurídicas, com relação a instituição.
Graves ocorrências tem sido registradas especificamente no setor das maternidades por ocasião de erros ou ineficiência do sistema de identificação adotado para o registro de recém-nascidos.

2 – Princípios básicos de identificação
Um sistema eficaz de identificação de pacientes envolve três funções primordiais:
- Fornecer a identificação do paciente desde o momento da sua admissão para todos os setores do hospital (enfermagem, laboratórios, nutrição, hemoterapia, etc.)
- Fornecer um método (visual ou automatizado) de vincular o paciente a sua documentação médica e terapêutica (prontuário).
- Minimizar a possibilidade dos dados de identificação serem transferidos de um paciente a outro (homônimo, registros, etc.).
Daí, a preferência por métodos exclusivos e intransferíveis para identificação pessoal do paciente e facilidade de ter todos os dados do paciente através de códigos de barras. Um exemplo é a utilização de pulseiras de identificação, colocada no pulso do paciente no momento subseqüente a sua admissão. Estas pulseiras são intransferíveis (possuem lacre inviolável) e contém informações como: nome e registro do paciente, data da admissão, tipagem sanguíneas, leito, etc.

Tomando-se por base o conceito de identidade como “ um conjunto de caracteres próprios e únicos de um indivíduos”, podemos definir um sistema de identificação de pacientes como um método através do qual pode-se registrar elementos que garantam a identificação positiva, ou seja, única e exclusiva do paciente.

Pulseiras com impressão do codigo de barras nas pulseiras
Os serviços de automatização através de redes computadorizadas intra ou inter-hospitalares permitam a imediata identificação do usuário e resgate de toda sua documentação médica e terapêutica (prontuário) em qualquer setor do hospital ou mesmo fora dele, ou no caso do usuário procurar outra instituição. Isto, simplesmente com o scanner. Com este sistema de identificação por código de barras impresso direto pulseiras, o usuário passa a ser um cliente da rede e não mais somente de uma instituição. Esta experiência tem demonstrado uma redução de custos , principalmente no que se refere a serviços diagnósticos, em cerca de 25%.

Nas maternidades, a utilização de dois métodos simultâneos reduz praticamente a zero, o risco de erro ou ineficiência na identificação dos recém-nascidos.

Do ponto de vista prático, a utilização da pulseira de identificação com código de barras, permite o reconhecimento imediato do paciente através da leitura dos dados nela contidos. È extremamente importante para checagem da identidade do paciente antes do todo e qualquer procedimento realizado (administração de medicamentos e hemoderivados, coleta de exames complementares, cirurgiões, etc.)

No Sistema de saúde europeu todos os países utilizam a pulseira com códigos de barras contendo informações mais detalhadas . Neste caso, cada paciente passa a ser debitado automaticamente momento em que é realizado.

Felizmente , aqui no Brasil, algumas instituições já caminham rapidamente neste sentido . Mas o grande desafio é levar esta tecnologia aos hospitais que atendem a classe média-baixa. Para isto, conseguimos reduzir custos fazendo parcerias, no caso a Biomedical ( Pulseiras inteligentes) e Zebra maior fabricante de impressoras para área da saúde permitindo que esta tecnologia alcance instituições de saúde menos privilegiadas e também possam abranger hospitais, clínicas em território nacional.

Afirma os especialistas que, “a atual corrida pela qualidade das empresas prestadoras de serviços de saúde, publicas ou privadas, e o empenho para alcançar um nível elevado de competitividade global no mercado exige que se estabeleça uma base sólida, representada por padrões de qualidade” .

Cabe a sociedade, na condição de usuária do sistema de saúde identificar o pontos críticos da prestação deste serviço, como qualidade e segurança e as esferas políticas e administrativas a busca pela melhoria dos padrões assistenciais gerenciando, estabelecendo normas e vencendo os desafios.

* Marcos Tadeu Machado é diretor da Abraidi e presidente da Biomedical

 

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