O
que é Glaucoma?
O glaucoma é causado por diferentes enfermidades que, na maioria dos casos,
levam a um aumento da PIO. O aumento da pressão é causado por um
bloqueio ao fluido no interior do olho. Com o tempo isto causa dano ao nervo óptico.
Através da detecção precoce, diagnóstico e tratamento,
você e seu oftalmologista podem ajudar a preservar sua visão.
Pense em seu olho como em uma pia, na qual a torneira e o ralo permanecem permanentemente
abertos. O humor aquoso está constantemente circulando através da
câmara anterior. É produzido por uma pequena "glândula",
flui para fora através de um tecido esponjoso e fino chamado malha trabecular,
que serve como o ralo (escoamento) do olho. A malha trabecular está situada
no ângulo onde a íris encontra a córnea.
Quando o ralo da pia entope, o aquoso não consegue deixar o olho tão
rapidamente quanto é produzido, causando um fluxo retrógrado. No
entanto, como o olho é um compartimento fechado, a pia não transborda;
ao contrário, o fluxo retrógrado causa aumento da pressão
intraocular(PIO). Para entender como o aumento da pressão afeta o olho
pense em seu olho como se fosse um balão. Quando muito ar é soprado
para dentro de um balão, a pressão aumenta, causando seu estouro.
Mas o olho é resistente demais para estourar. Esta pressão aumentada
passa a atuar sobre a parte mais fraca do olho, o ponto na esclera onde o nervo
óptico deixa o olho.
O nervo óptico é a parte do olho que carrega a informação
visual até o cérebro. É formado por mais de um milhão
de células nervosas. Quando se eleva a pressão no olho, as células
nervosas tornam-se comprimidas, o que as danifica, e eventualmente até
causa sua morte. A morte destas células resulta em perda visual permanente.
O diagnóstico e o tratamento precoces do glaucoma podem prevenir esta situação.
Tipos de Glaucoma
Existe uma variedade de tipos de glaucoma:
• Glaucoma Primária de Ângulo Aberto (GPAA): aproximadamente
1% dos americanos apresentam esta forma de glaucoma, tornando-a a forma mais comum
no país. Ocorre predominantemente em indivíduos acima de 50 anos.
O GPAA não é acompanhado por sintomatologia. A PIO sobe lentamente,
e a córnea se adapta sem edemaciar. Se a córnea se torna edemaciada,
o que usualmente é um sinal de que alguma coisa está errada, sintomas
podem estar presentes. Mas como esta não é a regra, esta doença
geralmente não é detectada. Não há dor, e o paciente
muitas vezes não percebe que está perdendo lentamente a visão
até os últimos estágios da doença.
No GPAA não há anormalidade visível na malha trabecular.
Acredita-se que há algo errado na habilidade das células da malha
trabecular em cumprir normalmente sua função, ou que haja menos
células presentes como resultado natural do processo de envelhecimento.
O glaucoma, na verdade, diz respeito aos problemas resultantes da PIO aumentada.
A PIO média numa população normal é aproximadamente
14 – 16 milímetros de mercúrio ( mmHg ). Já uma PIO
acima de 22mmHg é considerada suspeita e possivelmente anormal. No entanto,
nem todos os pacientes que apresentam PIO elevada desenvolvem glaucoma. O porquê
de algumas pessoas desenvolverem dano glaucomatoso e outras não é
tópico de muitas pesquisas na atualidade.
Como mencionado anteriormente, a pressão elevada pode destruir as células
do nervo óptico. Uma vez que um determinado número de células
nervosas é destruído, ”pontos cegos “ começam
a se formar no campo visual. O glaucoma primário de ângulo aberto
é uma doença crônica. Acredita-se que seja hereditária,
embora isto ainda não esteja bem definido. No presente momento não
se conhece a cura para esta doença, mas ela pode progredir mais lentamente
e de forma mais arrastada se tratada. Visto que não apresenta sintomas,
muitos pacientes têm dificuldade em entender porque é necessário
um tratamento com medicamentos caros, e, ainda, por toda a vida.
Seguir corretamente a orientação médica e usar regularmente
a medicação é crucial na prevenção da perda
visual. Por isso é necessário discutir os efeitos colaterais da
medicação com seu oftalmologista. Vocês dois precisam atuar
como um time nesta batalha contra o glaucoma.
• Glaucoma de Pressão Normal: O glaucoma de pressão
normal, também conhecido como glaucoma de baixa pressão, é
caracterizado por dano progressivo no nervo óptico e também no campo
visual com uma pressão intraocular estatisticamente normal. Esta forma
de glaucoma, cujo diagnostico tem sido mais freqüentemente realizado, responde
por um terço dos casos de glaucoma de ângulo aberto nos Estados Unidos.
Hoje se pensa que o glaucoma de pressão normal está relacionado,
ao menos em parte, a um fluxo sanguíneo pobre para o nervo óptico,
o que leva à morte as células que carregam os impulsos nervosos
da retina até o cérebro. Além disso, esses olhos parecem
ser suscetíveis ao dano resultante do aumento pressórico mesmo na
taxa normal, e por isso a pressão mais baixa que o normal é necessária
para prevenir a perda visual.
• Glaucoma de Ângulo Fechado (agudo): O glaucoma de ângulo
fechado afeta aproximadamente meio milhão de pessoas nos Estados Unidos.
Há uma tendência de que esta seja uma doença herdada.
Com o envelhecimento, a lente do olho ( cristalino ) torna-se maior. A habilidade
do humor aquoso de passar entre a íris e o cristalino em seu caminho para
a câmara anterior diminui, causando aumento da pressão de fluido
atrás da íris, estreitando ainda mais o ângulo. Se a pressão
se torna suficientemente alta, a íris é empurrada contra a malha
trabecular, bloqueando a drenagem do aquoso, assim como se um ralo tivesse sido
posto em uma pia e a torneira permanecesse aberta. Quando este espaço encontra-se
totalmente bloqueado, o resultado é um ataque de glaucoma de ângulo
fechado ( glaucoma agudo ).
Diferentemente do glaucoma primário de ângulo aberto, onde a PIO
se eleva de forma lenta, no glaucoma agudo, ela sofre elevação abrupta.
Esse rápido aumento pressórico pode ocorrer num prazo de algumas
horas e tornar-se extremamente doloroso. A dor pode ser tão intensa que
pode causar náuseas e vômitos. Os olhos tornam-se vermelhos, a córnea
fica edemaciada e opaca, e o paciente pode referir halos luminosos e visão
borrada.
Um ataque agudo de glaucoma é uma condição de emergência.
Se há demora em iniciar o tratamento, a visão pode estar permanentemente
destruída. Muitos destes ataques repetidos ocorrem em ambientes escuros
como teatros e cinemas. Se você está lembrado, ambientes escuros
causam dilatação da pupila, ou seja, aumento no seu tamanho. Quando
isso acontece, há máximo contato entre a lente e a íris,
o que deixa o ângulo estreito e pode desencadear um ataque. Sabe-se também
que a pupila também dilata em momentos de estresse e ansiedade. Uma variedade
de drogas também pode levar a um ataque de glaucoma por causar dilatação
da pupila. Estas incluem: antidepressivos, anti-gripais, anti-histamínicos,
e algumas medicações para o tratamento de náuseas.
Um ataque agudo de glaucoma pode ser tratado com uma combinação
de colírios que diminuem o tamanho da pupila e a produção
do líquido intra-ocular. Assim que a pressão tenha baixado para
níveis mais seguros o oftalmologista poderá realizar uma iridectomia
com LASER. Este procedimento é totalmente ambulatorial e consiste na utilização
de um feixe de LASER para construir uma pequena abertura na íris para que
o fluxo do liquido intra-ocular seja restaurado. É utilizado um colírio
anestésico que evita qualquer dor.
Quem está sob risco?
Toda a pessoa deveria ser informada sobre o glaucoma e seus efeitos. É
importante para cada um de nós, crianças e adultos, um avaliação
periódica da função visual pois apenas a detecção
precoce e o tratamento correto podem prevenir a perda da visão e mesmo
a cegueira. Existem algumas condições especiais que pode colocar
determinadas pessoas em maior risco de desenvolvimento do glaucoma, são
elas: pessoas acima de 45 anos; com história familiar de glaucoma; com
pressão intra-ocular anormalmente elevada; com descendência africana
ou asiática; e pessoas que possuem diabetes, miopia, uso prolongado de
esteroides (corticóides) e alguma lesão ocular prévia
Diagnosticando o Glaucoma
O seu médico oftalmologista tem as ferramentas diagnósticas necessárias
para determinar se você tem ou não glaucoma ou risco para tal, mesmo
antes de aparecerem os sintomas.
O tonômetro é o aparelho que mede a pressão intra-ocular.
Se o médico usa um tonômetro de aplanação seu olho
será anestesiado com colírio antes da medição. Você
sentará junto ao aparelho conhecido como lâmpada de fenda e um pequeno
prisma plástico tocará levemente seu olho a fim de realizar a medição.
Um tonômetro de ar dispara um jato pequeno de ar na direção
do olho e mede assim a pressão não necessitando anestesia pois não
há contato direto com seu olho.
A campimetria é um teste que permite ao seu médico avaliar como
e se o glaucoma afetou seu campo de visão. O teste de campo visual é
uma importante ferramenta que permite avaliar a extensão do dano sobre
as fibras nervosas do nervo óptico. Existem diversos aparelhos que permitem
este exame.
Na campimetria computadorizada você será solicitado a permanecer
com o rosto apoiado em um apoio e a olhar fixamente para uma luz piloto. Cada
vez que outras luzes aparecerem na sua frente você deverá acionar
um botão, informando o computador que você a viu. Dessa forma, ao
final do teste, seu médico receberá um gráfico ilustrativo
do seu campo visual. O perímetro de Goldmman também realiza esta
tarefa, porem sem a utilização de um computador.
A oftalmoscopia é o exame de fundo do olho como é conhecida popularmente
a oftalmoscopia, e permite que o seu medico visualize diretamente através
da pupila o aspecto do nervo óptico. A sua coloração e aparência
podem indicar se há ou não dano relacionado ao glaucoma e qual a
extensão deste.
Tratando o Glaucoma
O glaucoma pode ser tratado utilizando-se colírios, medicamentos orais,
cirurgia a laser, cirurgias convencionais e, uma combinação desses
métodos. O propósito do tratamento é impedir perda visual
ainda maior. Manter a pressão intraocular em níveis baixos, sob
controle, é a chave para a prevenção da perda visual nos
casos de glaucoma. Seu medico tem a disposição diversas opções,
estas incluem:
Colírios
Todos os colírios podem inicialmente causar sensação de ardência
ou queimação. Isso freqüentemente ocorre devido ao agente antibacteriano
presente nas soluções de colírio e não ao medicamento
antiglaucomatoso em si. Apesar de desconfortável, este não dura
mais do que alguns segundos. É importante utilizar sua medicação
exatamente como seu médico a prescreveu. Por exemplo: colírios com
prescrição de quatro vezes ao dia tem usualmente uma duração
de ação de seis horas. Utilizando a medicação quatro
vezes ao dia em intervalos regulares enquanto você está acordado
garantirá uma cobertura efetiva do medicamento durante as vinte e quatro
horas do dia.
Em razão da absorção dos colírios pela corrente
sanguínea, é importante relatar ao seu médico quaisquer outros
medicamentos em utilização no momento. A fim de minimizar a absorção
pela corrente sanguínea e aumentar a quantidade absorvida pelo olho feche
seus olhos por um ou dois minutos após a administração dos
colírios, pressionando levemente o canto do olho perto do nariz para fechar
os ductos de drenagem da lágrima.
Cirurgia
A cirurgia a LASER tornou-se um método popular como passo intermediário
entre as drogas e a cirurgia tradicional. O tipo mais comumente empregado para
o glaucoma de ângulo aberto é chamado trabeculoplastia. Este procedimento
dura entre 10 a 20 minutos, não causa dor, e pode ser efetuado no consultório
médico. O feixe de LASER é focalizado acima do ponto de drenagem
do olho. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o LASER não
“fura” o olho. Ao invés disso, seu calor intenso e localizado,
faz com que algumas áreas do mecanismo de drenagem abram-se, resultando
em uma passagem mais fácil do fluido intra-ocular para fora do olho.
Você pode ir para casa e retomar suas atividade normais logo após
a cirurgia. Seu médico deve verificar a pressão de seu olho em uma
ou duas horas após o procedimento. Após este procedimento, quase
80% de todos os pacientes respondem suficientemente bem, adiando um procedimento
cirúrgico mais complexo. Pode levar algumas semanas para observar-se a
real diminuição da pressão ocular, motivo pelo qual você
deve continuar com a medicação até que seu médico
julgue necessário.
A mais comum das cirurgias é chamada trabeculectomia. Nesse procedimento
o cirurgião remove uma pequena parte da malha trabecular – ponto
de drenagem. Isto facilita a saída do humor aquoso, reduzindo a pressão.
Este procedimento geralmente é feito sob anestesia local, tanto a nível
ambulatorial como hospitalar. É importante notar que seus olhos não
terão a mesma visão durante algumas semanas após o procedimento.
Apesar de a trabeculectomia ser um procedimento cirúrgico relativamente
seguro, aproximadamente um terço dos pacientes desenvolvem catarata num
prazo de cinco anos. Após a cirurgia muitos pacientes podem descontinuar
o uso de medicamentos antiglaucomatosos. Talvez 10 a 15% dos pacientes necessitem
alguma cirurgia adicional.
Conclusão
O exame oftalmológico de rotina e vital para a saúde de seus olhos.
No caso de seu médico oftalmologista detectar glaucoma, o tratamento precoce
pode ajudar a prevenir a perda visual.
* Dr. Leôncio de Souza Queiroz Neto é oftalmologista
do Instituto Penido Burnier, de Campinas – SP
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