Ainda
pouco conhecida, a doação de óvulos pode ser a única
alternativa para ajudar casais que querem engravidar e não têm condições
porque as mulheres não ovulam mais ou produzem óvulos de baixa qualidade.
O tratamento é indicado a mulheres que apresentam menopausa prematura,
perderam os ovários através de cirurgia ou não conseguem
engravidar devido à idade, em geral acima dos 42 anos.
A fertilização dos óvulos doados é feita em laboratório
(FIV – fertilização in vitro), utilizando os espermatozóides
do marido da receptora, para que posteriormente os embriões sejam implantados
no útero da receptora.
No Brasil, existem programas de doação compartilhada de óvulos.
Mulheres que ovulam normalmente, mas mesmo assim necessitam do tratamento de fertilização
in vitro, doam parte de seus óvulos para outras que não ovulam.
Em troca, as receptoras arcam com os custos do tratamento das doadoras.
Não se pode usar doadoras que não precisem passar pela FIV. As
doadoras, em geral, são mulheres jovens (até 30 anos), que não
podem engravidar devido a algum problema do marido ou nas trompas. São
escolhidas mulheres mais jovens porque as chances de gravidez são maiores
e em geral o número de óvulos é suficiente para as duas mulheres
terem boas chances de engravidar, que podem chegar a 50%, dependendo da idade
da doadora. Ambos os casais passam por vários testes para identificar doenças
infecciosas, e as mulheres são escolhidas pelas semelhanças físicas
entre elas, além do tipo sanguíneo.
As doadoras, por sua vez, também têm chance de engravidar porque
podem realizar um tratamento que muitas vezes não está ao seu alcance
devido ao alto custo, já que os hospitais públicos que oferecem
o serviço não conseguem atender a grande demanda por FIV.
Recentemente, o mesmo sistema foi autorizado pelas autoridades inglesas. É
importante ressaltar, porém, que tanto no Brasil como na Inglaterra não
é permitida a venda dos óvulos.
Uma das regras básicas para a doação compartilhada de
óvulos é o sigilo absoluto dos nomes de receptoras e doadoras, visando
evitar problemas futuros. A legislação também não
permite a doação entre parentes. Todo o processo é documentado,
com a assinatura de um compromisso por escrito, e deve ser muito bem entendido
pelo casal antes de iniciado.
* Dr. Carlos Alberto Petta é ginecologista especializado
em medicina reprodutiva, diretor do Centro de Reprodução Humana
de Campinas e professor da Faculdade de Medicina da Unicamp
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