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da feira Hospitalar

 

21.07.03

Custo-efetividade do stent com medicamentos
Dr. Alexandre Abizaid*
 
Estudo conduzido no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, a ser publicado brevemente pela revista Circulation, traduz em números o que está sendo chamado nos meios médicos especializados de custo-efetividade. Trata-se de comparar os resultados clínicos obtidos na angioplastia para desobstrução de coronárias lesionadas entre o implante com o stent convencional e o stent revestido com rapamicina.

Stent é uma prótese de aço colocada no interior das artérias obstruídas. A estrutura chega ao ponto da obstrução por meio do cateterismo. O percurso do cateter até os locais lesionados é controlado pelo cardiologista intervencionista com auxílio do ultra-som. A versão tradicional do stent apresenta bons resultados, mas, seis meses após o procedimento, em média 20% das pessoas volta a ter estreitamento da coronária - o retorno da lesão é chamada de reestenose.

O estudo pioneiro com o novo stent foi realizado no IDPC pelo dr. José Eduardo Sousa, diretor do IDPC, em 99, em 30 pacientes. O seguimento evidencia uma taxa expressiva de sucesso do procedimento, chegando a 100% de resposta satisfatória nesta amostra. Significa dizer que os pacientes não sofreram reestenose, ou seja, não houve reobstrução da coronária tratada, o que ocorre em 20% dos doentes que recebem o stent convencional.

O estudo demonstra o impacto econômico das sucessivas consultas e reinternações do paciente para tratar as complicações decorrentes da reestenose, forçando nova angiografia ou cirurgia. Impacta, também, evidentemente, nas condições de vida deste paciente, levado a ausentar-se do trabalho e adotar limitações que não mais fazem parte da vida daqueles beneficiados pelo stent revestido.

No Brasil, o custo do stent revestido é 3 a 4 vezes superior ao do stent convencional, cujo valor oscila de R$ 1.500 a 2.000, freqüentemente coberto pelos planos e seguros saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS), porém, ressarce apenas a utilização do stent sem medicamento e a briga de cardiologistas e dos fabricantes dos medicamentos é no sentido de ser aprovado o uso da nova prótese, mais cara mas, por outro lado, muito mais efetiva. São utilizados atualmente, no mundo, duas drogas com ação anti-proliferativas: rapamicina (J&J) e paclitaxel (Boston Scientific), ambas já aprovadas para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

No site www.sbhci.com.br há um documento com a opinião dos experts brasileiros sobre o uso clínico dos stents revestidos com drogas, defendendo a utilização do novo stent para toda a população, como resposta à intensa demanda de cardiologistas intervencionistas, cardiologistas clínicos em geral, empresas de seguro saúde e convênios médicos. É a posição oficial dos cardiologistas reunidos na Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.

No documento, ressaltam que “Com o objetivo de evitar-se reestenose, o uso de endopróteses embebidas em medicamentos constitui o avanço mais marcante já registrado no âmbito da cardiologia intervencionista. As evidências científicas disponíveis demonstram eficácia e segurança comprovadamente superiores”. Diversos estudos já realizados em vários países, inclusive no Brasil, têm mostrado que o stent revestido com um medicamento de liberação gradual é um resultado definitivo para o paciente.

Paralelamente a essa manifestação oficial, no segundo semestre do ano passado, cardiologistas que atuam na especialidade da Cardiologia Intervencionista estão pressionando o Ministério da Saúde para que o Sistema Único de Saúde (SUS) assuma os custos do novo stent para pacientes carentes. O recurso já é coberto por vários planos e seguros de saúde.

Os estudos realizados em vários países têm demonstrado as vantagens terapêuticas do modelo de prótese endovascular (cujo implante permanece no interior das coronárias) revestida com medicamentos e cujo experimento inaugural, em 1999, desencadeou um autêntica corrida em torno de desenvolvimentos similares, em razão do sucesso retumbante do experimento. A disseminação do uso do stent revestido ainda esbarra no custo. O novo stent, que vem provando ser mais eficaz nos pacientes com artérias coronárias comprometidas por obstruções que levam ao infarto agudo do miocárdio e outras complicações, custa a partir de R$ 6 mil.

Quando surgiu, na metade da década de 80, o stent foi usado de forma pioneira também no IDPC, a cargo da equipe chefiada pelo diretor da instituição, dr. José Eduardo Sousa. A angioplastia experimentou um salto especialmente após o advento do stent, uma minúscula prótese de aço colocada no interior da coronária obstruída, que foi testada pioneiramente no mundo em 1987 no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC) pelo dr. José Eduardo Sousa.

O dr. Souza foi responsável, também, pelo primeiro estudo clínico que provou a eficácia do stent revestido com uma película que libera gradualmente o medicamento, capaz de reduzir a quase zero o índice de reobstrução e restabelecer definitivamente o fluxo sangüíneo na coronária afetada, sem risco de nova angioplastia ou cirurgia. O procedimento teve forte repercussão internacional e transformou o estudo em absoluta referência internacional para novos experimentos para seguimento em maior número de pacientes e no decorrer de um período mais amplo. Trata-se, agora, de referendar com casuística mais abrangente, um recurso que vem demonstrando ser fundamental no dia-a-dia do cardiologista intervencionsta.

Estima-se que sejam implantados no Brasil 30 mil stents por ano, 70% deles pagos pelo SUS. A restrição à nova prótese, porém, limita o número de beneficiários e aumenta os custos para o sistema de saúde, por exigir em 20% dos casos nova internação e novo tratamento por cateterismo ou cirurgia.

Todos os anos são realizados 250 mil cateterismos nos países da América Latina, segundo dados reunidos pelo registro da Sociedade Latino Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI). Destes, 25% são angioplastias coronárias, ou seja, o procedimento de liberar o fluxo sangüíneo em artérias obstruídas por meio do implante de stent. Nos Estados Unidos, a angioplastia com implante de stent já representa até 80% de todos os procedimentos invasivos.

A intervenção percutânea, com o cateter acessando as artérias que irrigam o coração para devolver-lhes a função original, ganhou força com a crescente incidência das doenças cardiovasculares, a principal causa de morte em todo o mundo. No Brasil, ocorrem cerca de 300 mil infartos por ano, dos quais ¼ resultam em óbito e igual proporção é tratada por meio do implante de stent.

* Dr. Alexandre Abizaid é cardiologista intervencionista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e presidente do IX Congresso da Sociedade Latino Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) - 23 a 25 de julho, em São Paulo.

 

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