Estudo
conduzido no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, a ser publicado brevemente
pela revista Circulation, traduz em números o que está sendo chamado
nos meios médicos especializados de custo-efetividade. Trata-se de comparar
os resultados clínicos obtidos na angioplastia para desobstrução
de coronárias lesionadas entre o implante com o stent convencional e o
stent revestido com rapamicina.
Stent é uma prótese de aço colocada no interior das artérias
obstruídas. A estrutura chega ao ponto da obstrução por meio
do cateterismo. O percurso do cateter até os locais lesionados é
controlado pelo cardiologista intervencionista com auxílio do ultra-som.
A versão tradicional do stent apresenta bons resultados, mas, seis meses
após o procedimento, em média 20% das pessoas volta a ter estreitamento
da coronária - o retorno da lesão é chamada de reestenose.
O estudo pioneiro com o novo stent foi realizado no IDPC pelo dr. José
Eduardo Sousa, diretor do IDPC, em 99, em 30 pacientes. O seguimento evidencia
uma taxa expressiva de sucesso do procedimento, chegando a 100% de resposta satisfatória
nesta amostra. Significa dizer que os pacientes não sofreram reestenose,
ou seja, não houve reobstrução da coronária tratada,
o que ocorre em 20% dos doentes que recebem o stent convencional.
O estudo demonstra o impacto econômico das sucessivas consultas e reinternações
do paciente para tratar as complicações decorrentes da reestenose,
forçando nova angiografia ou cirurgia. Impacta, também, evidentemente,
nas condições de vida deste paciente, levado a ausentar-se do trabalho
e adotar limitações que não mais fazem parte da vida daqueles
beneficiados pelo stent revestido.
No Brasil, o custo do stent revestido é 3 a 4 vezes superior ao do stent
convencional, cujo valor oscila de R$ 1.500 a 2.000, freqüentemente coberto
pelos planos e seguros saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS),
porém, ressarce apenas a utilização do stent sem medicamento
e a briga de cardiologistas e dos fabricantes dos medicamentos é no sentido
de ser aprovado o uso da nova prótese, mais cara mas, por outro lado, muito
mais efetiva. São utilizados atualmente, no mundo, duas drogas com ação
anti-proliferativas: rapamicina (J&J) e paclitaxel (Boston Scientific), ambas
já aprovadas para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA).
No site www.sbhci.com.br
há um documento com a opinião dos experts brasileiros sobre o uso
clínico dos stents revestidos com drogas, defendendo a utilização
do novo stent para toda a população, como resposta à intensa
demanda de cardiologistas intervencionistas, cardiologistas clínicos em
geral, empresas de seguro saúde e convênios médicos. É
a posição oficial dos cardiologistas reunidos na Sociedade Brasileira
de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.
No documento, ressaltam que “Com o objetivo de evitar-se reestenose,
o uso de endopróteses embebidas em medicamentos constitui o avanço
mais marcante já registrado no âmbito da cardiologia intervencionista.
As evidências científicas disponíveis demonstram eficácia
e segurança comprovadamente superiores”. Diversos estudos já
realizados em vários países, inclusive no Brasil, têm mostrado
que o stent revestido com um medicamento de liberação gradual é
um resultado definitivo para o paciente.
Paralelamente a essa manifestação oficial, no segundo semestre
do ano passado, cardiologistas que atuam na especialidade da Cardiologia Intervencionista
estão pressionando o Ministério da Saúde para que o Sistema
Único de Saúde (SUS) assuma os custos do novo stent para pacientes
carentes. O recurso já é coberto por vários planos e seguros
de saúde.
Os estudos realizados em vários países têm demonstrado
as vantagens terapêuticas do modelo de prótese endovascular (cujo
implante permanece no interior das coronárias) revestida com medicamentos
e cujo experimento inaugural, em 1999, desencadeou um autêntica corrida
em torno de desenvolvimentos similares, em razão do sucesso retumbante
do experimento. A disseminação do uso do stent revestido ainda esbarra
no custo. O novo stent, que vem provando ser mais eficaz nos pacientes com artérias
coronárias comprometidas por obstruções que levam ao infarto
agudo do miocárdio e outras complicações, custa a partir
de R$ 6 mil.
Quando surgiu, na metade da década de 80, o stent foi usado de forma
pioneira também no IDPC, a cargo da equipe chefiada pelo diretor da instituição,
dr. José Eduardo Sousa. A angioplastia experimentou um salto especialmente
após o advento do stent, uma minúscula prótese de aço
colocada no interior da coronária obstruída, que foi testada pioneiramente
no mundo em 1987 no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC) pelo dr. José
Eduardo Sousa.
O dr. Souza foi responsável, também, pelo primeiro estudo clínico
que provou a eficácia do stent revestido com uma película que libera
gradualmente o medicamento, capaz de reduzir a quase zero o índice de reobstrução
e restabelecer definitivamente o fluxo sangüíneo na coronária
afetada, sem risco de nova angioplastia ou cirurgia. O procedimento teve forte
repercussão internacional e transformou o estudo em absoluta referência
internacional para novos experimentos para seguimento em maior número de
pacientes e no decorrer de um período mais amplo. Trata-se, agora, de referendar
com casuística mais abrangente, um recurso que vem demonstrando ser fundamental
no dia-a-dia do cardiologista intervencionsta.
Estima-se que sejam implantados no Brasil 30 mil stents por ano, 70% deles
pagos pelo SUS. A restrição à nova prótese, porém,
limita o número de beneficiários e aumenta os custos para o sistema
de saúde, por exigir em 20% dos casos nova internação e novo
tratamento por cateterismo ou cirurgia.
Todos os anos são realizados 250 mil cateterismos nos países
da América Latina, segundo dados reunidos pelo registro da Sociedade Latino
Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI). Destes, 25% são angioplastias
coronárias, ou seja, o procedimento de liberar o fluxo sangüíneo
em artérias obstruídas por meio do implante de stent. Nos Estados
Unidos, a angioplastia com implante de stent já representa até 80%
de todos os procedimentos invasivos.
A intervenção percutânea, com o cateter acessando as artérias
que irrigam o coração para devolver-lhes a função
original, ganhou força com a crescente incidência das doenças
cardiovasculares, a principal causa de morte em todo o mundo. No Brasil, ocorrem
cerca de 300 mil infartos por ano, dos quais ¼ resultam em óbito
e igual proporção é tratada por meio do implante de stent.
* Dr. Alexandre Abizaid é cardiologista
intervencionista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e presidente do IX
Congresso da Sociedade Latino Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI)
- 23 a 25 de julho, em São Paulo.
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