Os
hospitais e as empresas de saúde estão se deparando com um grande
dilema: ou se profissionalizam ou não sobrevivem. Entre as inúmeras
crises que tem atingido o setor nas últimas décadas, esta parece
ter uma contundência mais profunda já que atinge todos os atores.
Os planos e seguros-saúde - que foram penalizados com o incremento da
abrangência de suas coberturas, provocada pela nova regulamentação
da ANS, sem a respectiva correção das mensalidades pagas pelos usuários
- iniciaram um processo de melhoria de gestão e passaram a pressionar os
hospitais no sentido de redução de custos e buscando diminuir o
desequilíbrio de suas contas.
Os usuários individuais, por sua vez, já não conseguem
manter os pagamentos de seus planos ou seguros-saúde em dia. E as empresas
do setor que mantêm uma maior quantidade de planos coletivos estão
com grandes dificuldades para continuar a conceder estes benefícios para
funcionários e colaboradores, contribuindo para o baixo crescimento da
massa de usuários.
Os planos de saúde que nunca se preocuparam em construir a devida reserva
técnica e mantinham suas carteiras oxigenadas com a entrada de novos usuários,
agora, sem este artifício, enfrentam sérias dificuldades. E estão
repassando para os hospitais, a parte mais fraca nesta cadeia, os malefícios
do desequilíbrio de caixa.
Sofrem, portanto, os hospitais, com os sucessivos atrasos nos pagamentos dos
serviços prestados aos planos de saúde e a enorme defasagem nas
tabelas de remuneração. São também pressionados por
usuários cada vez mais exigentes, médicos ávidos por novas
tecnologias e ainda com o constante aumento dos custos das tarifas públicas,
folha de pagamentos e outros insumos. Sem contar que têm de conviver com
os inúmeros desperdícios causados pela gestão não
profissional.
O hospital é uma estrutura complexa, formada por um conjunto de atividades
importantes que precisam funcionar de forma interligada: um grande hotel, várias
farmácias, unidades de produção, restaurantes, lavanderia,
e outros serviços que geram uma variedade de processos que dificultam o
controle de sua operação, facilitando o desperdício.
A essa complexidade, soma-se a fragilidade das ferramentas de controle existentes
no mercado e o desconhecimento dos gestores em selecionar a melhor solução.
O mercado de TI voltado para a área de saúde é composto,
em sua maioria, por pequenas empresas que ao vender, apresentam soluções
mágicas, capazes de resolver todos os problemas. Mas que, em sua maioria,
não dispõem da infra-estrutura necessária e tampouco produtos
consistentes que possibilitem a execução de uma gestão qualificada.
Por terem uma apresentação semelhante e promessas abrangentes, ocasionam
com que o gestor do Hospital as identifique como soluções equivalentes,
utilizando assim como fator decisivo para escolha o custo.
Uma solução eficaz para a gestão hospitalar precisa partir
de uma empresa estruturada, com equipe qualificada e que entenda a linguagem da
área de saúde e do hospital, sendo capaz de absorver as necessidades
e traduzi-las em controles que contribuam para a melhoria da gestão e automação
dos processos. Necessita funcionar de forma totalmente interligada, permitindo
a automatização de todas as áreas do hospital e disponibilizando
informações precisas, em tempo real, capazes de embasar o gestor
na tomada de decisão.
É importante que atente para a área clínica, com um prontuário
eletrônico eficiente, mas, ainda mais fundamental é que incorpore
um modelo de gestão bem definido, com processos, controles e custos por
procedimentos de forma automática.
Tudo isto para melhorar o cenário atual: onde 99% dos hospitais brasileiros
não possuem as informações de custos dos procedimentos de
forma automática. Ocasionando uma gestão às cegas ou na base
do empirismo e culminando com o completo endividamento da rede, ociosidade de
leitos e eminente fechamento de inúmeros hospitais.
* Paulo Magnus é presidente da MV Sistemas e diretor
da Assespro Nacional
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