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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

14.07.03

A profissionalização da gestão hospitalar com o apoio da Tecnologia da Informação
Paulo Magnus*
 
Os hospitais e as empresas de saúde estão se deparando com um grande dilema: ou se profissionalizam ou não sobrevivem. Entre as inúmeras crises que tem atingido o setor nas últimas décadas, esta parece ter uma contundência mais profunda já que atinge todos os atores.

Os planos e seguros-saúde - que foram penalizados com o incremento da abrangência de suas coberturas, provocada pela nova regulamentação da ANS, sem a respectiva correção das mensalidades pagas pelos usuários - iniciaram um processo de melhoria de gestão e passaram a pressionar os hospitais no sentido de redução de custos e buscando diminuir o desequilíbrio de suas contas.

Os usuários individuais, por sua vez, já não conseguem manter os pagamentos de seus planos ou seguros-saúde em dia. E as empresas do setor que mantêm uma maior quantidade de planos coletivos estão com grandes dificuldades para continuar a conceder estes benefícios para funcionários e colaboradores, contribuindo para o baixo crescimento da massa de usuários.

Os planos de saúde que nunca se preocuparam em construir a devida reserva técnica e mantinham suas carteiras oxigenadas com a entrada de novos usuários, agora, sem este artifício, enfrentam sérias dificuldades. E estão repassando para os hospitais, a parte mais fraca nesta cadeia, os malefícios do desequilíbrio de caixa.

Sofrem, portanto, os hospitais, com os sucessivos atrasos nos pagamentos dos serviços prestados aos planos de saúde e a enorme defasagem nas tabelas de remuneração. São também pressionados por usuários cada vez mais exigentes, médicos ávidos por novas tecnologias e ainda com o constante aumento dos custos das tarifas públicas, folha de pagamentos e outros insumos. Sem contar que têm de conviver com os inúmeros desperdícios causados pela gestão não profissional.

O hospital é uma estrutura complexa, formada por um conjunto de atividades importantes que precisam funcionar de forma interligada: um grande hotel, várias farmácias, unidades de produção, restaurantes, lavanderia, e outros serviços que geram uma variedade de processos que dificultam o controle de sua operação, facilitando o desperdício.

A essa complexidade, soma-se a fragilidade das ferramentas de controle existentes no mercado e o desconhecimento dos gestores em selecionar a melhor solução.

O mercado de TI voltado para a área de saúde é composto, em sua maioria, por pequenas empresas que ao vender, apresentam soluções mágicas, capazes de resolver todos os problemas. Mas que, em sua maioria, não dispõem da infra-estrutura necessária e tampouco produtos consistentes que possibilitem a execução de uma gestão qualificada. Por terem uma apresentação semelhante e promessas abrangentes, ocasionam com que o gestor do Hospital as identifique como soluções equivalentes, utilizando assim como fator decisivo para escolha o custo.

Uma solução eficaz para a gestão hospitalar precisa partir de uma empresa estruturada, com equipe qualificada e que entenda a linguagem da área de saúde e do hospital, sendo capaz de absorver as necessidades e traduzi-las em controles que contribuam para a melhoria da gestão e automação dos processos. Necessita funcionar de forma totalmente interligada, permitindo a automatização de todas as áreas do hospital e disponibilizando informações precisas, em tempo real, capazes de embasar o gestor na tomada de decisão.

É importante que atente para a área clínica, com um prontuário eletrônico eficiente, mas, ainda mais fundamental é que incorpore um modelo de gestão bem definido, com processos, controles e custos por procedimentos de forma automática.

Tudo isto para melhorar o cenário atual: onde 99% dos hospitais brasileiros não possuem as informações de custos dos procedimentos de forma automática. Ocasionando uma gestão às cegas ou na base do empirismo e culminando com o completo endividamento da rede, ociosidade de leitos e eminente fechamento de inúmeros hospitais.

* Paulo Magnus é presidente da MV Sistemas e diretor da Assespro Nacional

 

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