Em
junho, o evento Hospitalar 2003, com a presença do Ministro da Saúde
e de demais celebridades no contexto da saúde nacional, teve como tema
central a Gestão Hospitalar. São satisfatórias as iniciativas
que estamos vendo e desenvolvendo, convergentes com as necessidades que vivemos.
Não há dúvidas de que a profissionalização
da saúde decorrerá do advento de uma melhor capacitação
de todos, sejam esses os médicos que estão na administração
de seus negócios, sejam administradores que se especializaram na área
da saúde. Convém citar que foi publicada no final do ano passado
uma portaria (2.225 do Ministério da Saúde) estabelecendo que a
partir de 1º de janeiro de 2005, os profissionais que buscarem a posição
de diretores gerais e administrativos nos hospitais conveniados ao SUS, deverão
ter realizado cursos de aperfeiçoamento ou especialização
em Administração Hospitalar.
Correspondendo a essa tendência, um dos pontos mais importantes abordados
durante o curso na JPR´2003 foi o módulo Gestão Estratégica
de Custos e a continuidade do assunto em Viabilidade Financeira em Investimentos
de Tecnologia. A particularidade desta atividade – Radiologia – que
requer equipamentos para ser exercida, nos leva a um novo pensar e desenvolvimento
crítico do que é mais relevante para o negócio, deixando
a tecnologia desejada em detrimento da mais viável economicamente.
É importante acabar com os conflitos que satisfazem o Ego, que nos levam
a ter o que achamos que é melhor e não o que realmente necessitamos
para dar continuidade à nossa atividade. Tão importante quanto a
definição de lucro é a capacidade de poder pagar as suas
obrigações, tanto as de curto como as de longo prazo – esse
é o gerenciamento chamado de Fluxo de Caixa. Pode-se ter projeções
de lucro e ao mesmo tempo estar “quebrando”. Esse, aliás, foi
um dos conceitos apresentados e comprovado no curso que deixou os participantes
perplexos. Infelizmente, muitos já estão vivenciando tal experiência.
Não menos importante foi o módulo de Gestão Estratégica,
no qual abordou-se várias teorias e planejamentos que permitirão
desde uma simples avaliação do negócio, até o desenvolvimento
de ações que levarão a uma vantagem competitiva, uma continuidade
não sustentada somente na última geração tecnológica
dos equipamentos (infelizmente essa é a única abordagem mercadológica
que é feita como diferencial no mercado, comprovada recentemente por uma
propaganda veiculada por uma grande instituição em um revista de
circulação nacional).
Com o mesmo objetivo de busca da qualidade técnica-médica, deve-se
buscar a excelência na demais atividades. Tão importante como o aplicativo
que há nos tomógrafos ou ressonâncias são os aplicativos
de gestão. Deve haver uma preocupação com ferramentas para
gerar receitas, assim como dispositivos para
melhor administrá-las. Muitos já devem ter lido ou visto alguma
apresentação sobre “Lung Cancer Management”, um aplicativo
que permite desde a detecção à evolução da
doença e da eficiência do tratamento aplicado. Da mesma forma, deve-se
pensar no negócio com o mesmo critério que se cuida de vidas, pois
administrar uma empresa é gerir uma atividade que só tem importância
se o negócios estiver “vivo”.
Existem oportunidades de melhoria em todo negócio, assim como problemas
e riscos para gerenciar. É possível antever o impacto financeiro
e se preparar para administrá-lo (como a nova lei 10.864), aumentando a
tributação da contribuição social em aproximadamente
160% a partir de 1º de setembro de 2003.
Apesar de ser um pouco cético com relação à situação
que vivemos, sou ao mesmo tempo positivista. Acredito que há sempre como
melhorar. Não julgo e nem critico aqueles que querem administrar o seu
próprio negócio. Como administrador, tenho a obrigação
de desenvolver os profissionais deste mercado, sendo eles médicos ou de
qualquer outra formação atuando nesse segmento. Tenho que qualificá-los
da melhor maneira possível, buscar o seu aperfeiçoamento e seu crescimento.
Da mesma forma que em um jogo, temos um desempenho melhor quando o competidor
é mais forte, também evoluiremos na área de radiologia se
”jogarmos” com os melhores, caso contrário, ficaremos sem progredir,
ou pior, iremos regredir.
Para progredir em qualquer esporte, numa situação administrativa
ou de qualquer outra habilidade, deve-se treinar. O treinamento pressupõe
receber a orientação de um profissional com maior qualificação
da que possuímos, ou ainda desenvolver as atividades administrativas de
forma mais criteriosa participando de cursos e de treinamentos específicos.
Se quiser desenvolver o conceito de um “time” de vencedores, e não
uma árdua e exaustiva competição individual, esse treinamento
deve ser aplicado a uma equipe.
Pode-se começar o treino com algumas leituras mais simples, mas principalmente
com o propósito incondicional de querer mudar. Não se começa
a preparar para correr uma maratona (aproximadamente 42 km) correndo 30 km logo
de início, mas informando-se por meio de exames médicos sobre qual
a condição física em que se encontra (talvez tenha que se
tratar de algo que não sabia, uma ação mais imediata, emergencial).
Uma preparação de base do nosso corpo com exercícios físicos
de fortalecimento (assim como a estrutura administrativa) se faz necessária.
Somente depois virão os treinos de corrida mais específicos.
Vislumbrando um desafio semelhante à participação em uma
maratona, gostaria de convocar todos para fazer a primeira etapa deste processo
de desenvolvimento, criando a vontade de mudar e de vencer. Todos os que concluem
uma maratona são vencedores, independente do tempo de prova, pois venceram
acima de tudo a si próprios.
*Luiz de Luca
é consultor de tecnologia e mercado para a Sociedade Paulista de Radiologia
e maratonista - luiz.deluca@uol.com.br
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