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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

07.07.03

Administração, Desenvolvimento e Treinamento: buscando racionalidade operacional
Luiz de Luca*
 
Em junho, o evento Hospitalar 2003, com a presença do Ministro da Saúde e de demais celebridades no contexto da saúde nacional, teve como tema central a Gestão Hospitalar. São satisfatórias as iniciativas que estamos vendo e desenvolvendo, convergentes com as necessidades que vivemos. Não há dúvidas de que a profissionalização da saúde decorrerá do advento de uma melhor capacitação de todos, sejam esses os médicos que estão na administração de seus negócios, sejam administradores que se especializaram na área da saúde. Convém citar que foi publicada no final do ano passado uma portaria (2.225 do Ministério da Saúde) estabelecendo que a partir de 1º de janeiro de 2005, os profissionais que buscarem a posição de diretores gerais e administrativos nos hospitais conveniados ao SUS, deverão ter realizado cursos de aperfeiçoamento ou especialização em Administração Hospitalar.

Correspondendo a essa tendência, um dos pontos mais importantes abordados durante o curso na JPR´2003 foi o módulo Gestão Estratégica de Custos e a continuidade do assunto em Viabilidade Financeira em Investimentos de Tecnologia. A particularidade desta atividade – Radiologia – que requer equipamentos para ser exercida, nos leva a um novo pensar e desenvolvimento crítico do que é mais relevante para o negócio, deixando a tecnologia desejada em detrimento da mais viável economicamente.

É importante acabar com os conflitos que satisfazem o Ego, que nos levam a ter o que achamos que é melhor e não o que realmente necessitamos para dar continuidade à nossa atividade. Tão importante quanto a definição de lucro é a capacidade de poder pagar as suas obrigações, tanto as de curto como as de longo prazo – esse é o gerenciamento chamado de Fluxo de Caixa. Pode-se ter projeções de lucro e ao mesmo tempo estar “quebrando”. Esse, aliás, foi um dos conceitos apresentados e comprovado no curso que deixou os participantes perplexos. Infelizmente, muitos já estão vivenciando tal experiência.

Não menos importante foi o módulo de Gestão Estratégica, no qual abordou-se várias teorias e planejamentos que permitirão desde uma simples avaliação do negócio, até o desenvolvimento de ações que levarão a uma vantagem competitiva, uma continuidade não sustentada somente na última geração tecnológica dos equipamentos (infelizmente essa é a única abordagem mercadológica que é feita como diferencial no mercado, comprovada recentemente por uma propaganda veiculada por uma grande instituição em um revista de circulação nacional).

Com o mesmo objetivo de busca da qualidade técnica-médica, deve-se buscar a excelência na demais atividades. Tão importante como o aplicativo que há nos tomógrafos ou ressonâncias são os aplicativos de gestão. Deve haver uma preocupação com ferramentas para gerar receitas, assim como dispositivos para
melhor administrá-las. Muitos já devem ter lido ou visto alguma apresentação sobre “Lung Cancer Management”, um aplicativo que permite desde a detecção à evolução da doença e da eficiência do tratamento aplicado. Da mesma forma, deve-se pensar no negócio com o mesmo critério que se cuida de vidas, pois administrar uma empresa é gerir uma atividade que só tem importância se o negócios estiver “vivo”.
Existem oportunidades de melhoria em todo negócio, assim como problemas e riscos para gerenciar. É possível antever o impacto financeiro e se preparar para administrá-lo (como a nova lei 10.864), aumentando a tributação da contribuição social em aproximadamente 160% a partir de 1º de setembro de 2003.

Apesar de ser um pouco cético com relação à situação que vivemos, sou ao mesmo tempo positivista. Acredito que há sempre como melhorar. Não julgo e nem critico aqueles que querem administrar o seu próprio negócio. Como administrador, tenho a obrigação de desenvolver os profissionais deste mercado, sendo eles médicos ou de qualquer outra formação atuando nesse segmento. Tenho que qualificá-los da melhor maneira possível, buscar o seu aperfeiçoamento e seu crescimento. Da mesma forma que em um jogo, temos um desempenho melhor quando o competidor é mais forte, também evoluiremos na área de radiologia se ”jogarmos” com os melhores, caso contrário, ficaremos sem progredir, ou pior, iremos regredir.

Para progredir em qualquer esporte, numa situação administrativa ou de qualquer outra habilidade, deve-se treinar. O treinamento pressupõe receber a orientação de um profissional com maior qualificação da que possuímos, ou ainda desenvolver as atividades administrativas de forma mais criteriosa participando de cursos e de treinamentos específicos. Se quiser desenvolver o conceito de um “time” de vencedores, e não uma árdua e exaustiva competição individual, esse treinamento deve ser aplicado a uma equipe.
Pode-se começar o treino com algumas leituras mais simples, mas principalmente com o propósito incondicional de querer mudar. Não se começa a preparar para correr uma maratona (aproximadamente 42 km) correndo 30 km logo de início, mas informando-se por meio de exames médicos sobre qual a condição física em que se encontra (talvez tenha que se tratar de algo que não sabia, uma ação mais imediata, emergencial).

Uma preparação de base do nosso corpo com exercícios físicos de fortalecimento (assim como a estrutura administrativa) se faz necessária. Somente depois virão os treinos de corrida mais específicos.

Vislumbrando um desafio semelhante à participação em uma maratona, gostaria de convocar todos para fazer a primeira etapa deste processo de desenvolvimento, criando a vontade de mudar e de vencer. Todos os que concluem uma maratona são vencedores, independente do tempo de prova, pois venceram acima de tudo a si próprios.

*Luiz de Luca é consultor de tecnologia e mercado para a Sociedade Paulista de Radiologia e maratonista - luiz.deluca@uol.com.br

 

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