O
Point-of-Care Testing (POCT) é conhecido com
vários nomes, sendo os mais comuns teste rápido,
teste de fluxo lateral, teste à beira do leito
ou teste ao lado do paciente. Eles fornecem resultados
rápidos qualitativos ou semi quantitativos e são
realizados onde o cuidado é prestado ao cliente.
A tecnologia de POCT gera testes que combinam rapidez
no fornecimento de resultados, conveniência, facilidade
de uso, baixo custo, confiança na sensibilidade
e especificidade, e são estáveis à
temperatura ambiente. A questão chave de testes
rápidos para POCT não é simplesmente
a velocidade de realização dos testes,
mas a habilidade para se tomar decisão efetiva
clinicamente em um curto espaço de tempo.
O POCT começou a ser mencionado no final da
década de 80 nos Estados Unidos mas somente nos
últimos quatro anos teve um avanço espetacular
nos EUA, Canadá e Europa. Uma das principais
razões que levaram ao desenvolvimento da tecnologia
de POCT foi a necessidade de redução do
custo com saúde que procura: a redução
do número de admissões e do tempo de permanência
em hospitais; a padronização das práticas
clínicas; e a procura de novos caminhos alternativos
de serviços em hospitais.
Em 1998 o mercado dos EUA de POCT era da ordem de US$
915 milhões, com um crescimento projetado de
12% ao ano. O mercado mundial de POCT em 2000 era da
ordem de US$ 3,5 bilhões, crescendo em média
12% ao ano. As estimativas mais recentes estimam que
o mercado dos EUA é da ordem de US$ 2 bilhões
e o mercado mundial da ordem de US$ 5,5 bilhões.
Para se ter uma idéia do vertiginoso crescimento
do POCT, estima-se que o mercado europeu de testes rápidos
para o diagnóstico e monitoramento de insuficiência
cardíaca dobrará até 2007, passando
de cerca de EUR122 milhões para EUR 248,55 milhões,
segundo recente relatório da Frost$Sullivan Healthcare
Division. O POCT representa nos EUA 25% dos testes laboratoriais
realizados e representará cerca de 40 a 50% dos
testes laboratoriais no mundo nos próximos 10
anos.
É conveniente mencionar que foram três
fatores que alavancaram o mercado de POCT: companhias
produtoras de produtos para diagnóstico in-vitro
que realizaram pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento,
simplificando procedimentos de testes e também
de processos de produção; Governos, na
procura de redução dos custos de saúde;
e o Público, que tem mais preocupação
e conhecimento por matérias relacionadas a saúde,
adquirido através de melhor educação
e da mídia, e que procura tirar vantagens da
tecnologia disponível.
Por falta de conhecimento da tecnologia de POCT e aliado
à falta de envolvimento dos laboratórios
clínicos, o POCT no Brasil ainda é pouco
difundido. Isto tem forçado os fornecedores de
POCT a direcionar o seu marketing e vendas diretamente
aos hospitais, clínicas ou consultórios
médicos. Somente com a regulamentação
e a criação de Comitês de POCT permitirão
a difusão rápida desta tecnologia que
veio para ficar. Embora lançada no Brasil há
cerca de três anos, já se observa elevadas
taxas de crescimento do uso desta nova tecnologia.
Os testes de POCT mais difundidos no Brasil hoje, e
que apresentam taxas elevadas de crescimento são,
entre outros: marcadores cardíacos (Troponina
I e T, BNP), marcadores tumorais (sangue oculto em fezes,
PSA, BTA, H. pylori), doenças infecciosas (HIV,
HCV, HbsAg, Sífilis, Chlamydia, G. vaginalis,
pH e Aminas, Rubella, Toxoplasmose e outros testes para
virologia e microbiologia, testes rápidos para
gravidez e ovulação, testes de coagulação
(TP, TTPA), gasometria, hematologia (hematócrito,
hemoglobina), tiras reativas para análise de
urina, drogas de abuso, Microalbumina, PCR e, um dos
mais usados, a glicemia em glicosímetros.
*Welington Lima Pereira é
diretor-executivo da Bioeasy Diagnóstica e membro
efetivo da Divisão de Point-ofCare da AACC (Associação
Americana de Química Clínica)
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