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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

26.05.03

Point-of-care Testing: perspectivas do diagnóstico
rápido no Brasil
Welington Lima Pereira*
 
O Point-of-Care Testing (POCT) é conhecido com vários nomes, sendo os mais comuns teste rápido, teste de fluxo lateral, teste à beira do leito ou teste ao lado do paciente. Eles fornecem resultados rápidos qualitativos ou semi quantitativos e são realizados onde o cuidado é prestado ao cliente.

A tecnologia de POCT gera testes que combinam rapidez no fornecimento de resultados, conveniência, facilidade de uso, baixo custo, confiança na sensibilidade e especificidade, e são estáveis à temperatura ambiente. A questão chave de testes rápidos para POCT não é simplesmente a velocidade de realização dos testes, mas a habilidade para se tomar decisão efetiva clinicamente em um curto espaço de tempo.

O POCT começou a ser mencionado no final da década de 80 nos Estados Unidos mas somente nos últimos quatro anos teve um avanço espetacular nos EUA, Canadá e Europa. Uma das principais razões que levaram ao desenvolvimento da tecnologia de POCT foi a necessidade de redução do custo com saúde que procura: a redução do número de admissões e do tempo de permanência em hospitais; a padronização das práticas clínicas; e a procura de novos caminhos alternativos de serviços em hospitais.

Em 1998 o mercado dos EUA de POCT era da ordem de US$ 915 milhões, com um crescimento projetado de 12% ao ano. O mercado mundial de POCT em 2000 era da ordem de US$ 3,5 bilhões, crescendo em média 12% ao ano. As estimativas mais recentes estimam que o mercado dos EUA é da ordem de US$ 2 bilhões e o mercado mundial da ordem de US$ 5,5 bilhões.

Para se ter uma idéia do vertiginoso crescimento do POCT, estima-se que o mercado europeu de testes rápidos para o diagnóstico e monitoramento de insuficiência cardíaca dobrará até 2007, passando de cerca de EUR122 milhões para EUR 248,55 milhões, segundo recente relatório da Frost$Sullivan Healthcare Division. O POCT representa nos EUA 25% dos testes laboratoriais realizados e representará cerca de 40 a 50% dos testes laboratoriais no mundo nos próximos 10 anos.

É conveniente mencionar que foram três fatores que alavancaram o mercado de POCT: companhias produtoras de produtos para diagnóstico in-vitro que realizaram pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, simplificando procedimentos de testes e também de processos de produção; Governos, na procura de redução dos custos de saúde; e o Público, que tem mais preocupação e conhecimento por matérias relacionadas a saúde, adquirido através de melhor educação e da mídia, e que procura tirar vantagens da tecnologia disponível.

Por falta de conhecimento da tecnologia de POCT e aliado à falta de envolvimento dos laboratórios clínicos, o POCT no Brasil ainda é pouco difundido. Isto tem forçado os fornecedores de POCT a direcionar o seu marketing e vendas diretamente aos hospitais, clínicas ou consultórios médicos. Somente com a regulamentação e a criação de Comitês de POCT permitirão a difusão rápida desta tecnologia que veio para ficar. Embora lançada no Brasil há cerca de três anos, já se observa elevadas taxas de crescimento do uso desta nova tecnologia.

Os testes de POCT mais difundidos no Brasil hoje, e que apresentam taxas elevadas de crescimento são, entre outros: marcadores cardíacos (Troponina I e T, BNP), marcadores tumorais (sangue oculto em fezes, PSA, BTA, H. pylori), doenças infecciosas (HIV, HCV, HbsAg, Sífilis, Chlamydia, G. vaginalis, pH e Aminas, Rubella, Toxoplasmose e outros testes para virologia e microbiologia, testes rápidos para gravidez e ovulação, testes de coagulação (TP, TTPA), gasometria, hematologia (hematócrito, hemoglobina), tiras reativas para análise de urina, drogas de abuso, Microalbumina, PCR e, um dos mais usados, a glicemia em glicosímetros.


*Welington Lima Pereira é diretor-executivo da Bioeasy Diagnóstica e membro efetivo da Divisão de Point-ofCare da AACC (Associação Americana de Química Clínica)



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