Estresse: o responsável por muitas
doenças
Luiz Gonzaga Leite*
O estresse, as emoções e
os conflitos psíquicos estão na psicogene (origem)
das doenças. Para entendermos melhor, cabe lembrar que
os seres vivos assim permanecem – isto é, com vida
– enquanto conseguirem manter um estado de equilíbrio
interior. Segundo essa concepção, qualquer mudança
percebida pelo organismo nesse status quo seria sentida
como ameaça a sua vida – enquanto sistema organizado
– e desencadearia toda uma situação de alarme
e preparação para enfrentamento de situações
que geram ameaças.
O corpo
foi planejado de forma que os momentos de estresse seguidos
por uma reação física do tipo lutar ou
fugir, causem poucos danos. No entanto, quando a resposta
fisiológica ao estresse não é descarregada
– por causa das conseqüências sociais da
“luta” ou “fuga” – há
um efeito cumulativo no corpo. Isto é chamado de estresse
crônico, o estresse que se acumula dentro do corpo e
não é liberado. E é uma idéia
cada vez mais aceita que o estresse desempenha um papel fundamental
no surgimento de muitas doenças.
Uma das características básicas
do estresse é ser uniforme e não específico.
Isto é, a preparação do organismo será
idêntica para qualquer tipo de ameaça ou agressão,
independente da natureza ou do grau de perigo que represente.
O potencial nocivo, ou causador de doenças, criado
pelas situações estressantes, dependerá
do tipo e da intensidade do estresse. Provavelmente, dependerá,
sobretudo, de sua repetição e duração
ao longo da vida e da forma como cada um lida com ele.
Uma forma didática de explicar o estresse
é agrupá-lo em três grupos: a família,
o trabalho e o ambiente em que vive a pessoa. Esse último
caso corresponde ao chamado estresse “social”
ou “ambiental”, no qual incluímos problemas
com vizinhos, com o vendedor ou com o profissional que lhe
presta serviços, nas discussões de trânsito
etc.
O estresse familiar e do trabalho, são as formas mais
graves, não só pela natureza e multiplicidade
das facetas que encerram, mas principalmente por configurar,
na maioria das vezes, uma fonte permanente de tensão
ao longo da vida, acabando por configurar-se como estresse
duradouro ou crônico.
Parece haver uma ligação evidente
entre o estresse e a doença, ligação
essa tão forte que é possível predizer
a doença baseando-se na quantidade de estresse sofrida
pelas pessoas, em suas vidas cotidianas. Pesquisadores observam
que há maiores possibilidades de que ocorram doenças
após acontecimentos estressantes da vida de pessoas.
Quando as pessoas sofrem dissabores emocionais há um
aumento não apenas de doenças já reconhecidamente
suscetíveis à influência emocional –
úlceras, aumento de pressão sangüínea,
doenças cardíacas, dores de cabeça –
mas também de doenças infecciosas, dores lombares
e mesmo acidentes.
O estresse crônico, com freqüência, produz
desequilíbrios hormonais. Como os hormônios têm
uma função essencial no regulamento das funções
corporais, muitas doenças são desencadeadas.
O estresse emocional, que suprime o sistema imunológico,
também leva a um desequilíbrio emocional. Esse
desequilíbrio pode vir a aumentar a produção
de células anormais no momento que o corpo encontra-se
menos capacitado para destruí-las. É importante
notar que a quantidade de estresse emocional causado por fatores
externos depende da maneira como a pessoa interpreta ou lida
com eles. Mesmo se os pesquisadores podem prever doenças
baseando-se no número de fatores estressantes da vida
de um indivíduo, muitas dessas pessoas simplesmente
não ficam doentes, mesmo quando recebem grande carga
de estresse. É necessário estabelecer e examinar
a reação específica de cada pessoa ao
fator estressante.
Todos nós devemos, de alguma maneira,
apreender a lidar com os fatores causadores de estresse, seja
reduzindo seu impacto emocional, seja diminuindo seus efeitos
negativos sobre o corpo.
* Luiz Gonzaga Leite
é coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital
Santa Paula (SP) |