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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

17.03.03

Estresse: o responsável por muitas doenças
Luiz Gonzaga Leite*


O estresse, as emoções e os conflitos psíquicos estão na psicogene (origem) das doenças. Para entendermos melhor, cabe lembrar que os seres vivos assim permanecem – isto é, com vida – enquanto conseguirem manter um estado de equilíbrio interior. Segundo essa concepção, qualquer mudança percebida pelo organismo nesse status quo seria sentida como ameaça a sua vida – enquanto sistema organizado – e desencadearia toda uma situação de alarme e preparação para enfrentamento de situações que geram ameaças.

O corpo foi planejado de forma que os momentos de estresse seguidos por uma reação física do tipo lutar ou fugir, causem poucos danos. No entanto, quando a resposta fisiológica ao estresse não é descarregada – por causa das conseqüências sociais da “luta” ou “fuga” – há um efeito cumulativo no corpo. Isto é chamado de estresse crônico, o estresse que se acumula dentro do corpo e não é liberado. E é uma idéia cada vez mais aceita que o estresse desempenha um papel fundamental no surgimento de muitas doenças.

Uma das características básicas do estresse é ser uniforme e não específico. Isto é, a preparação do organismo será idêntica para qualquer tipo de ameaça ou agressão, independente da natureza ou do grau de perigo que represente. O potencial nocivo, ou causador de doenças, criado pelas situações estressantes, dependerá do tipo e da intensidade do estresse. Provavelmente, dependerá, sobretudo, de sua repetição e duração ao longo da vida e da forma como cada um lida com ele.

Uma forma didática de explicar o estresse é agrupá-lo em três grupos: a família, o trabalho e o ambiente em que vive a pessoa. Esse último caso corresponde ao chamado estresse “social” ou “ambiental”, no qual incluímos problemas com vizinhos, com o vendedor ou com o profissional que lhe presta serviços, nas discussões de trânsito etc.
O estresse familiar e do trabalho, são as formas mais graves, não só pela natureza e multiplicidade das facetas que encerram, mas principalmente por configurar, na maioria das vezes, uma fonte permanente de tensão ao longo da vida, acabando por configurar-se como estresse duradouro ou crônico.

Parece haver uma ligação evidente entre o estresse e a doença, ligação essa tão forte que é possível predizer a doença baseando-se na quantidade de estresse sofrida pelas pessoas, em suas vidas cotidianas. Pesquisadores observam que há maiores possibilidades de que ocorram doenças após acontecimentos estressantes da vida de pessoas. Quando as pessoas sofrem dissabores emocionais há um aumento não apenas de doenças já reconhecidamente suscetíveis à influência emocional – úlceras, aumento de pressão sangüínea, doenças cardíacas, dores de cabeça – mas também de doenças infecciosas, dores lombares e mesmo acidentes.
O estresse crônico, com freqüência, produz desequilíbrios hormonais. Como os hormônios têm uma função essencial no regulamento das funções corporais, muitas doenças são desencadeadas.
O estresse emocional, que suprime o sistema imunológico, também leva a um desequilíbrio emocional. Esse desequilíbrio pode vir a aumentar a produção de células anormais no momento que o corpo encontra-se menos capacitado para destruí-las. É importante notar que a quantidade de estresse emocional causado por fatores externos depende da maneira como a pessoa interpreta ou lida com eles. Mesmo se os pesquisadores podem prever doenças baseando-se no número de fatores estressantes da vida de um indivíduo, muitas dessas pessoas simplesmente não ficam doentes, mesmo quando recebem grande carga de estresse. É necessário estabelecer e examinar a reação específica de cada pessoa ao fator estressante.

Todos nós devemos, de alguma maneira, apreender a lidar com os fatores causadores de estresse, seja reduzindo seu impacto emocional, seja diminuindo seus efeitos negativos sobre o corpo.

* Luiz Gonzaga Leite é coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula (SP)

 

 

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