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09.03.2010
Encontro de líderes discute o Complexo Industrial da Saúde
 

 

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Os desafios e possibilidades de um sistema de saúde acessível aliado a uma indústria sólida, eficiente e competitiva. Essa foi a grande discussão do Seminário Complexo Industrial da Saúde, promovido pelo jornal Valor Econômico no dia 1 de março, em São Paulo.

O encontro teve a participação do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, de presidentes de associações, políticos, líderes, empresários e jornalistas. O objetivo do Seminário era apresentar um panorama da produção e da inovação no complexo industrial de saúde no Brasil. Os palestrantes fizeram uma avaliação dos resultados obtidos e desafios para os próximos anos.

O Ministro da Saúde destacou a dualidade de uma nova visão sobre a saúde no Brasil, onde o social e o econômico contribuem juntos para o desenvolvimento. “A saúde exige uma mudança de olhar, pois é preciso pensá-la não só como uma política social, mas também como uma área fundamental de crescimento do país”, disse Temporão. “A aproximação do Estado e da indústria muito pode contribuir para a balança comercial do setor, que hoje possui um déficit de US$ 7 bilhões.” Em torno de 30% desse déficit se concentra em importações da China e da Índia e, de acordo com o Ministério da Saúde, grande parte é de commodities que poderiam ser produzidos pelo Brasil.

Potencial de desenvolvimento do setor

Para o chefe do Departamento de Produtos Intermediários Químicos e Farmacêuticos da Área Industrial do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Pedro Palmeira, a indústria nacional da saúde tem potencial para conjugar desenvolvimento tecnológico, industrial e sócio-econômico. “A demanda por serviços de saúde cresce no país devido ao envelhecimento da população, ao aumento da renda e à mudança de perfil epidemiológico”, ressaltou. Segundo Palmeira, para o BNDES, o setor está em efervescência.

Em relação à indústria de equipamentos médicos e hospitalares, Palmeira destacou que o segmento é bastante heterogêneo, com diferentes plataformas tecnológicas e uma lógica industrial integrada com a de serviço. “O Brasil fatura R$ 7 bilhões nessa área, com empresas de pequeno e médio porte e um déficit comercial elevado e crescente, além de ser dependente de produtos com maior tecnologia”, esclareceu. Porém, uma agenda positiva visa aumentar os esforços de inovação nas empresas. “Em alguns nichos, o Brasil é bastante competitivo, além de termos uma boa base de conhecimento disponível nas universidades.”

Já na indústria farmacêutica, o representante do BNDES destacou o grande potencial do Brasil, já que outros mercados - como América do Norte, Europa e Japão - têm tendência à estagnação. “O Brasil tem um mercado farmacêutico dinâmico e cresceu 11,4% ao ano entre 97 e 2009. Além disso, a estrutura do mercado é oligopolizada, as empresas nacionais estão capitalizadas e têm tradição no setor farmacêutico”, finalizou.

Grandes desafios para a saúde brasileira
Darcísio Perondi, deputado presidente da Frente Parlamentar da Saúde, destacou o tamanho do setor de saúde no Brasil e defendeu mais recursos para o Sistema Único de Saúde. “Gasta-se muito pouco em saúde no Brasil. O SUS precisa de melhor gestão sim, mas principalmente de mais recursos”, disse. Em 2008, o governo federal, responsável por 47% dos gastos com a saúde, investiu 1,7% do PIB no setor, de acordo com dados do IBGE.

O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Carlos Gadelha, destacou os desafios e oportunidades para a indústria de saúde. “A saúde é fator estruturante do Estado, indutor de crescimento econômico, fator de geração de inovação e tem um papel crescente na agenda de cooperação internacional”, destacou. “Porém, há um descompasso entre a tendência do mercado e a capacidade de produção e inovação.” As perspectivas para o complexo econômico-industrial da saúde envolvem todas as esferas de produção e têm relação direta com os serviços, como hospitais, ambulatórios e serviços de diagnósticos.

O encontro debateu também sobre os desafios e oportunidades do mercado farmacêutico. Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, explicou que o mercado farmacêutico no Brasil vem crescendo com consistência, mas o acesso não acompanha esse desenvolvimento. “Uma questão muito importante é que a indústria tem mais capacidade de correr riscos no campo da inovação. Porém, uma quantia mínima do que o Ministério da Saúde comprou de medicamentos veio da indústria farmacêutica nacional”, relatou. A boa notícia é que uma série de medidas regulatórias vem sendo aplicadas para o desenvolvimento da indústria nacional, tais como definição de produtos estratégicos do SUS, desoneração tributária e garantia de mercado para empresas nacionais.

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