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06.05.08
Marcapasso nacional entra na segunda fase
 

O Genius Instituto de Tecnologia, especializado em pesquisa e desenvolvimento de soluções de inovação para a indústria, e o Instituto do Coração (InCor), iniciaram a segunda fase do projeto que está desenvolvendo um marcapasso 100% nacional.

Mário Ferreira Filho, gerente de projetos corporativos do Genius, estima que dentro de aproximadamente três anos e meio o marcapasso esteja em produção. Segundo ele, ao utilizar tecnologias de ponta, as características do dispositivo em desenvolvimento são comparáveis ou superiores aos similares atualmente disponíveis para os pacientes.

A implantação de marcapassos é indicada para pessoas com problemas de arritmia, que podem causar desde um simples mal estar até paradas cardíacas com morte súbita. Para se ter uma idéia da importância de se desenvolver um marcapasso com tecnologia 100% nacional, em 2005, apenas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil gastou R$ 165 milhões com a importação desses aparelhos e implantou 18 mil marcapassos, o que corresponde a pouco mais da metade da demanda, segundo informações do DataSUS. Embora ainda não seja possível estimar quanto custará o marcapasso nacional, Ferreira Filho afirma que será mais barato do que o importado, cujos preços variam de R$ 5.225,00 a R$ 31.250,00, dependendo das funcionalidades, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Além dos parceiros já citados, o projeto conta ainda com a colaboração das universidades federais de Santa Catarina (UFSC), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Campina Grande (UFCG) e da Universidad Catalolica del Uruguay (UCU). Ferreira Filho explica que nessa etapa será desenvolvido um protótipo pré-industrial do marcapasso já com as características elétricas e mecânicas do produto final, similares às principais características dos dispositivos existentes no mercado mundial. “Em 18 meses vamos entregar um marcapasso testado e validado, atendendo aos requisitos predefinidos e às normas médicas internacionais visando sua pré-qualificação e homologação, viabilizando assim a fase final do projeto que será a industrialização.”

Entre os principais objetivos do projeto estão melhorar da qualidade de vida do paciente cardíaco brasileiro, aumentar o número de implantes, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e possibilitar ao Sistema Único de Saúde a ampliação desse tipo de serviço. “Além disso, a idéia é dominar uma tecnologia que terá grande impacto social na área de saúde, possibilitando novas aplicações, tais como controle de dor e obesidade”, declara Ferreira Filho. O sucesso do projeto também vai contribuir para desenvolver a competência na área de microeletrônica na região Norte, gerar empregos e renda e inserir o Brasil em um mercado cuja tecnologia é dominada por poucos.

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