| Após cinco anos de trabalho e pesquisa, a equipe chefiada pelo ortopedista e professor Eduardo Carrera, do Departamento de Ombro e Cotovelo da UNIFESP/EPM (Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina), desenvolveu dois tipos de placa para fixação e tratamento das fraturas do úmero proximal. Os produtos acabam de receber o registro da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para sua utilização.
O novo modelo de placa é uma alternativa que permite tratar fraturas complexas do ombro de forma segura e eficiente. Além disso, é um método de fixação mais fácil e mais barato.
A aprovação da ANVISA permite que a partir de agora as placas sejam utilizadas nos hospitais de todo o Brasil. O médico Eduardo Carrera explica que este sistema de fixação é composto por duas placas diferentes, indicadas para tipos diferentes de fraturas. As placas são fabricadas em titânio e os dois tipos estão sendo comercializados com o nome CBS (“Compressed Bone System”) e NCBS (“Non Compressed Bone System”). De acordo com o pesquisador, sua equipe sugeriu uma nova classificação para as fraturas do úmero proximal que considera a compressão do tecido ósseo ou não. Portanto, são duas placas diferentes para o tratamento de quase todos os tipos de fraturas do úmero proximal, segundo o conceito da compressão óssea.
“Com estas duas placas conseguimos tratar quase todas estas fraturas. Além disso, percebemos uma característica nas fraturas mais complicadas e mais graves, que permitiu sugerirmos uma nova classificação para entendermos melhor este tipo de fratura”, explica.Carrera e sua equipe trabalharam três anos no desenvolvimento do segundo tipo de placa, produzindo um modelo em aço cirúrgico inoxidável. “Nos últimos dois anos, fizemos algumas modificações em relação às placas que chamamos de primeira geração, que foram as primeiras que desenvolvemos, e passamos a usar o titânio. Com isso, conseguimos uma eficiência ainda maior no método”, explica. Na Unifesp, ele e seus colegas operaram 45 pacientes utilizando a placa em aço inoxidável com resultados acima da média.
As placas foram idealizadas por Carrera e seu grupo de trabalho e foram desenhadas na fábrica por desenhista especializado. “Concebi o formato das placas durante as cirurgias que fazia naqueles casos de fraturas complexas (graves) na Unifesp, na minha clínica privada e em outros hospitais que tive a oportunidade de operar. Desenvolvi essa placa porque a solução com as placas tradicionais não me satisfaziam, e, por isso, sempre procurei uma alternativa para resolver esta dificuldade”, conta. As placas estão sendo produzidas pela NeoOrtho, de Curitiba, e distribuídas no País pela Implamed – Implantes Especializados, com sede em São Paulo (SP).
Vale destacar que o método já foi apresentado em dois eventos internacionais, com boa repercussão dos médicos participantes. Em abril, foi mostrado no Encontro Latino de Ortopedia – 1º Curso Internacional de Reconstrução Osteo-Articular (RECOA I), em Viseu, Portugal; e em setembro no 10º Congresso Internacional de Cirurgia do Ombro e Cotovelo, na Bahia.
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