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01.11.05

Faculdade de Medicina do ABC inaugura Centro de Pesquisa

 

O professor Titular de Emergências da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e médico do Instituto do Coração (INCOR), Dr. David Everson Uip, inaugurou na última sexta-feira (28 de outubro) o CEPES – Centro de Estudo, Pesquisa, Prevenção e Tratamento em Saúde da FMABC. O local reunirá pesquisas das mais diversas especialidades e setores da Instituição e servirá como pólo para captação de novos parceiros e investidores.

O CEPES será mantido com a verba das próprias pesquisas. Com mais de 2,3 mil metros quadrados, o local permitirá à Faculdade realizar estudos em todos os níveis. “A pesquisa é dividida em quatro níveis. Hoje a Medicina ABC desenvolve trabalhos nos níveis três - com humanos voluntários - e quatro, que corresponde aos estudos multicêntricos, realizados em grandes populações e em diversos Centros do mundo simultaneamente. Com o CEPES, passaremos a pesquisar em nível um, com a sintetização e descoberta de novas drogas, e em nível dois, por meio da experimentação animal”, explica o Diretor da Faculdade de Medicina do ABC e Presidente do CEPES, Luiz Henrique Camargo Paschoal.

Hoje a Medicina ABC é referência para estudos níveis três e quatro e os trabalhos são patrocinados por grandes indústrias farmacêuticas, principalmente para verificação da efetividade de medicamentos e confirmação de estudos e tratamentos existentes.

O projeto do Centro foi trazido em 2001 pelo Dr. David Uip e desde então os esforços estiveram direcionados à captação de recursos para viabilizar a idéia. A obra e os equipamentos consumirão aproximadamente R$ 4 milhões. O Centro de Pesquisas já recebeu cerca de R$ 1 milhão, entre doações da iniciativa privada, eventos com renda destinada ao projeto e da parceria com as prefeituras de Santo André, São Caetano e São Bernardo, que se comprometeram a contribuir com R$ 200 mil cada.


Hepatites e HIV já em pesquisa

As primeiras pesquisas do local tiveram início em abril. Para isso, foi criada a Urdip – Unidade de Referência para Doenças Infecciosas Preveníveis, que de início atua focada no estudo das hepatites virais e HIV e, posteriormente, abrangerá outras doenças como sífilis, doença de Chagas e HTLV.

Hoje são realizados no local cerca de 35 atendimentos referenciados por semana e em novembro terá início nova linha de pesquisa, voltada para pacientes com HIV e portadores de Hepatite C.

A pesquisa terá duração de 72 semanas e trata-se de estudo comparativo dos diferentes tempos de tratamento para pacientes portadores das duas doenças. O tratamento é totalmente gratuito e o trabalho multicêntrico. No Brasil esse estudo estará em andamento em mais nove centros de pesquisa. “O tempo de tratamento para pacientes com HIV e Hepatite C ainda é incerto e está em pesquisa no mundo todo. Utilizaremos o melhor medicamento conhecido, em diferentes períodos de administração, para assim tentarmos padronizar o tempo ideal de tratamento”, explica Maria Cássia Mendes Correa, médica e pesquisadora da Urdip.


Células-tronco
Por iniciativa de médicos e professores da disciplina de Reprodução Humana da Faculdade de Medicina do ABC, foi criado em julho o IPCT - Instituto de Pesquisas em Células-Tronco, que já tem espaço físico garantido nas novas instalações do CEPES. A entidade é distinta da FMABC, mas composta exclusivamente de profissionais da Instituição, das mais variadas áreas e especialidades. O Instituto aguarda parecer do Ministério da Justiça para caracterizar-se como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público).

Segundo o Diretor Executivo do IPCT e Regente da Disciplina de Reprodução Humana da FMABC, Caio Parente Barbosa, estima-se que para o início das pesquisas no IPCT sejam consumidos R$ 2 milhões em equipamentos. “Independente do apoio da iniciativa privada, a disciplina de Reprodução Humana já está investindo no projeto. Contratamos uma bióloga, cujo doutorado é sobre células-tronco, e custeamos sua viagem e a da coordenadora de pesquisas do IPCT, Angela Mara Bentes de Souza, para a Universidade de Wisconsin, maior centro de pesquisas em células-tronco dos EUA”, acrescenta Caio.

A viagem visou o aprimoramento dos conhecimentos das profissionais, para que as pesquisas sejam iniciadas ainda este ano, o que está previsto para novembro com a inauguração do Laboratório de Reprodução Animal. A construção do local está em fase final e custou aproximadamente R$ 200 mil para a Reprodução Humana da FMABC. “A legislação nos permite realizar pesquisas com células-tronco de embriões humanos congelados há mais de três anos. Já temos esse material disponível, mas antes de utilizarmos precisamos dominar a técnica, o que será feito por meio da produção de embriões animais e testes no novo Laboratório”, garante Parente Barbosa.


 
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