| O professor Titular de Emergências da Faculdade de
Medicina do ABC (FMABC) e médico do Instituto do Coração
(INCOR), Dr. David Everson Uip, inaugurou na última sexta-feira (28 de
outubro) o CEPES – Centro de Estudo, Pesquisa, Prevenção e
Tratamento em Saúde da FMABC. O local reunirá pesquisas das mais
diversas especialidades e setores da Instituição e servirá
como pólo para captação de novos parceiros e investidores.
O CEPES será mantido com a verba das próprias pesquisas. Com mais
de 2,3 mil metros quadrados, o local permitirá à Faculdade realizar
estudos em todos os níveis. “A pesquisa é dividida em quatro
níveis. Hoje a Medicina ABC desenvolve trabalhos nos níveis três
- com humanos voluntários - e quatro, que corresponde aos estudos multicêntricos,
realizados em grandes populações e em diversos Centros do mundo
simultaneamente. Com o CEPES, passaremos a pesquisar em nível um, com a
sintetização e descoberta de novas drogas, e em nível dois,
por meio da experimentação animal”, explica o Diretor da Faculdade
de Medicina do ABC e Presidente do CEPES, Luiz Henrique Camargo Paschoal.
Hoje a Medicina ABC é referência para estudos níveis três
e quatro e os trabalhos são patrocinados por grandes indústrias
farmacêuticas, principalmente para verificação da efetividade
de medicamentos e confirmação de estudos e tratamentos existentes.
O projeto do Centro foi trazido em 2001 pelo Dr. David Uip e desde então
os esforços estiveram direcionados à captação de recursos
para viabilizar a idéia. A obra e os equipamentos consumirão aproximadamente
R$ 4 milhões. O Centro de Pesquisas já recebeu cerca de R$ 1 milhão,
entre doações da iniciativa privada, eventos com renda destinada
ao projeto e da parceria com as prefeituras de Santo André, São
Caetano e São Bernardo, que se comprometeram a contribuir com R$ 200 mil
cada.
Hepatites e HIV já em pesquisa
As primeiras pesquisas do local tiveram início em abril. Para isso, foi
criada a Urdip – Unidade de Referência para Doenças Infecciosas
Preveníveis, que de início atua focada no estudo das hepatites virais
e HIV e, posteriormente, abrangerá outras doenças como sífilis,
doença de Chagas e HTLV.
Hoje são realizados no local cerca de 35 atendimentos referenciados
por semana e em novembro terá início nova linha de pesquisa, voltada
para pacientes com HIV e portadores de Hepatite C.
A pesquisa terá duração de 72 semanas e trata-se de estudo
comparativo dos diferentes tempos de tratamento para pacientes portadores das
duas doenças. O tratamento é totalmente gratuito e o trabalho multicêntrico.
No Brasil esse estudo estará em andamento em mais nove centros de pesquisa.
“O tempo de tratamento para pacientes com HIV e Hepatite C ainda é
incerto e está em pesquisa no mundo todo. Utilizaremos o melhor medicamento
conhecido, em diferentes períodos de administração, para
assim tentarmos padronizar o tempo ideal de tratamento”, explica Maria Cássia
Mendes Correa, médica e pesquisadora da Urdip.
Células-tronco
Por iniciativa de médicos e professores da disciplina de Reprodução
Humana da Faculdade de Medicina do ABC, foi criado em julho o IPCT - Instituto
de Pesquisas em Células-Tronco, que já tem espaço físico
garantido nas novas instalações do CEPES. A entidade é distinta
da FMABC, mas composta exclusivamente de profissionais da Instituição,
das mais variadas áreas e especialidades. O Instituto aguarda parecer do
Ministério da Justiça para caracterizar-se como OSCIP (Organização
da Sociedade Civil de Interesse Público).
Segundo o Diretor Executivo do IPCT e Regente da Disciplina de Reprodução
Humana da FMABC, Caio Parente Barbosa, estima-se que para o início das
pesquisas no IPCT sejam consumidos R$ 2 milhões em equipamentos. “Independente
do apoio da iniciativa privada, a disciplina de Reprodução Humana
já está investindo no projeto. Contratamos uma bióloga, cujo
doutorado é sobre células-tronco, e custeamos sua viagem e a da
coordenadora de pesquisas do IPCT, Angela Mara Bentes de Souza, para a Universidade
de Wisconsin, maior centro de pesquisas em células-tronco dos EUA”,
acrescenta Caio.
A viagem visou o aprimoramento dos conhecimentos das profissionais, para que as
pesquisas sejam iniciadas ainda este ano, o que está previsto para novembro
com a inauguração do Laboratório de Reprodução
Animal. A construção do local está em fase final e custou
aproximadamente R$ 200 mil para a Reprodução Humana da FMABC. “A
legislação nos permite realizar pesquisas com células-tronco
de embriões humanos congelados há mais de três anos. Já
temos esse material disponível, mas antes de utilizarmos precisamos dominar
a técnica, o que será feito por meio da produção de
embriões animais e testes no novo Laboratório”, garante Parente
Barbosa.
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