O SETOR EM NOTÍCIAS - Notícias HOME 
Arquivo

27.09.04
 

Teste do Pezinho mais completo
detecta maior número de doenças

 

Conhecida popularmente como Teste do Pezinho, a triagem neonatal tem como objetivo diagnosticar doenças que, se não forem tratadas precocemente, poderão conduzir a graves prejuízos, inclusive a deficiência mental. Regulamentado pelo Ministério da Saúde e obrigatório por lei desde 1990, o Teste do Pezinho básico consegue diagnosticar a fenilcetonúria (doença hereditária causada por uma falha na transformação da fenilalanina, um aminoácido presente em muitos alimentos, que pode provocar lesões graves e irreversíveis no sistema nervoso central, como a deficiência mental); o hipotireoidismo congênito (doença causada pela falta parcial ou total da tiroxina, um hormônio tireoidiano imprescindível para o desenvolvimento normal de todo o organismo, inclusive do cérebro) e as hemoglobinopatias, dentre as quais a anemia falciforme (caracterizada pela tendência das hemácias, quando sob determinadas condições de baixa tensão de oxigênio, sofrerem alteração no seu formato, fato que provoca graves dificuldades de circulação e oxigenação do sangue).

No entanto, a versão mais completa do Teste do Pezinho amplia o alcance do diagnóstico para mais algumas doenças. É o caso do Teste MAIS, realizado gratuitamente pelo Hospital e Maternidade São Luiz em parceria com a Apae de São Paulo. O Teste MAIS consegue identificar também, além das doenças diagnosticadas pelo teste básico, a hiperplasia adrenal congênita (causada pela deficiência da enzima 17 OH progesterona, envolvida na produção de vários hormônios da glândula supra renal); a deficiência de biotinidase (doença causada pela deficiência da enzima que libera a biotina dos alimentos e que, se não tratada, pode provocar até mesmo à deficiência mental); a deficiência de G6PD (a deficiência desta enzima causa instabilidade na membrana das hemáceas, podendo facilitar o surgimento de anemias hemolíticas de intensidade variável); a galactosemia (provocada pela falta das enzimas responsáveis pelo metabolismo da galactose, levando a um quadro que inclui atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência mental); a fibrose cística (defeito de síntese protéica que causa aumento na viscosidade das secreções, fato que provoca dificuldade na absorção dos alimentos e infecções respiratórias); a leucinose (causada pela deficiência da enzima responsável pelo metabolismo da leucina, levando a quadros que vão desde crises convulsivas até a deficiência mental) e a toxoplasmose congênita (que ocorre quando a gestante foi infectada pelo protozoário Toxoplasma gondii e que por transmissão vertical pode provocar um quadro grave que inclui a deficiência mental).

Para se ter uma idéia da eficácia deste teste mais abrangente, no período de janeiro de 2003 a janeiro de 2004, foram realizados 8.941 testes deste tipo no Hospital, sendo detectadas 84 crianças com patologias diferentes daquelas verificadas no Teste Básico. “Com o teste padrão obrigatório não conseguiríamos identificar nenhuma destas patologias. Já com o teste ampliado, detectamos e já indicamos o tratamento e acompanhamento necessários para que o problema seja solucionado o mais rápido possível”, explica dr. Luiz Carlos Bueno Ferreira, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade São Luiz.

Todos os casos detectados nos recém-nascidos pela equipe do São Luiz são encaminhados para a Apae de São Paulo, que está entre os cinco maiores centros mundiais de triagem neonatal. “O laboratório da Apae de São Paulo foi o pioneiro no Brasil e na América Latina na aplicação do Teste do Pezinho e é responsável pela sua realização em mais de 30 mil crianças por mês. Nossa equipe interdisciplinar trabalha com o objetivo de impedir a manifestação dos sinais e prejuízos nos casos em que houve diagnóstico precoce, além de evitar o agravamento das doenças em casos de diagnóstico tardio”, afirma dr. José Eduardo Lauandos, coordenador do laboratório da Apae de São Paulo.

Para sua realização, o procedimento é o mesmo que o do Teste básico. Ou seja, a coleta deve ser realizada após 48 horas do nascimento, quando o recém-nascido já teve ingestão protéica suficiente, ainda na primeira semana de vida, de preferência quando o bebê ainda está na maternidade. “A única exceção na realização da coleta é com relação ao diagnóstico da galactosemia, que, neste caso, exige que o bebê esteja com uma pausa alimentar não inferior a uma hora”, explica dr. Lauandos.

 
envie este texto
para um amigo
versão para impressão