| A educação e assistência a distância
podem contribuir para a solução dos problemas em saúde bucal
no Brasil. O assunto foi discutido durante o "I Encontro Brasileiro de Teleodontologia",
que aconteceu em Belo Horizonte. Organizado pelo Conselho Brasileiro de Telemedicina
e Telessaúde e seus serviços credenciados (Núcleo de Teleodontologia
da Universidade Sagrado Coração, de Bauru, e Disciplina de Telemedicina
da Faculdade de Medicina da USP), o evento reuniu cerca de 80 pessoas, entre professores
e coordenadores dos cursos de odontologia das faculdades e universidades do país.
Deste encontro, saiu o Consenso de Belo Horizonte com uma série de diretrizes
para promover a Teleodontologia no Brasil.
Segundo o coordenador de Telemedicina da FMUSP, Dr. Chao Lung Wen, a Telemedicina
é hoje um instrumento indispensável na otimização
do sistema de saúde. Por meio da Telemedicina, foi estruturada a Estação
Digital Médica, rede brasileira de educação continuada e
assistência em saúde, lançada durante a Feira Hospitalar 2003.
Ele afirma que a Área de Teleodontologia da Disciplina de Telemedicina
da FMUSP tem importante papel na Estação Digital Médica,
proporcionando acesso dos dentistas de qualquer região do país a
especialistas. “A odontologia tem vários ramos de conhecimento (Prótese,
Implantologia, Periodontia, Odontogeriatria), que levam à necessidade do
profissional trocar idéias e receber uma segunda opinião em casos
mais específicos. Esta comunicação, chamada de interconsulta,
beneficia os pacientes e otimiza os processos de promoção de saúde
bucal”, afirma.
Outro benefício apontado pelo Dr. Chao é o aprimoramento contínuo
profissional, sem necessidade de deslocamento físico. Ele explica que a
Teleodontologia desenvolveu estratégias educacionais que incentivam o aluno
a construir um conhecimento sólido, baseado nas suas atividades diárias
de assistência, na simulação de casos clínicos, na
interatividade com outros especialistas e no estudo com acompanhamento de desempenho
e avaliação da aprendizagem. Estas estratégias são
viáveis graças ao Cyberambulatório e Cybertutor.
Dr. Chao destaca ainda a melhoria da qualidade e expansão do atendimento
odontológico, através da teleodontologia, que rompe as barreiras
da distância física, promovendo a comunicação por meio
de internet, videoconferência e outros equipamentos com tecnologia wireless,
como Front-line e Tablet PC. Estes recursos aumentam o acesso da população
aos programas de saúde bucal e ao tratamento odontológico de qualidade.
“Enfim, a Teleodontologia permite a comunicação eficiente
entre profissionais, técnicos, pacientes, estudantes e agentes voluntários
envolvidos em programas de promoção de saúde bucal. Esta
comunicação gera os benefícios citados anteriormente, desde
que somada a bons programas didáticos e a sistemas que viabilizem o teleatendimento
odontológico”, conclui.
Na prática
O desenvolvimento da Telodontologia teve início com a estruturação
de programas de educação e assistência baseados em tecnologia.
Os recursos empregados são o Cybertutor, Cyberambulatório e Homem
Virtual.
De acordo com a Dra. Érika Siqueira, coordenadora da Área de
Teleodontologia da Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP,
estes programas significam oportunidades de aperfeiçoamento profissional
e de desenvolvimento de novos produtos e negócios. “Eles estão
à disposição de profissionais e instituições
(universidades, associações), como estratégia de orientação
aos pacientes, além de complemento e modernização dos eventos
convencionais de educação continuada. Também podem ser empregados
por empresas do setor, que desejem relacionar seus produtos e serviços
com material educacional e assistencial inédito”, disse.
O Cybertutor é um sistema web (site de acesso restrito), no qual são
oferecidos cursos de aprimoramento e capacitação a profissionais
da área, que possibilita estudo de acordo com a disponibilidade de tempo
do dentista e interatividade com o coordenador do curso e profissionais participantes.
O tutor eletrônico estimula a cognição e reforça o
conteúdo estudado e avalia o aprendizado por meio de perguntas e de orientação
após as respostas do aluno. Os cursos que estão em desenvolvimento
são: Odontologia em Gerontologia; Implantologia; e Sedação
consciente por Óxido Nitroso. Já os Cursos desenvolvidos com a participação
de docentes da USC (Universidade Sagrado Coração, de Bauru) são:
Nomenclatura, Anatomia da ATM e Fisiologia da ATM.
O Cyberambulatório é um ambiente web (site com acesso restrito)
para interconsulta, proporcionando teletriagem e teleatendimento (no qual foi
desenvolvida a telepropedêutica odontológica - métodos de
entrevista do paciente para obtenção de dados que facilitem o diagnóstico).
Fichas inseridas no cyberambulatório da Teleodontologia facilitam ao profissional
colher e transmitir as informações relevantes para o diagnóstico
de um caso clínico. As fichas são específicas para cada especialidade.
Inclusive há fichas com perguntas específicas para pacientes com
necessidades especiais, desenvolvidas com o apoio dos profissionais da USC.
Já o Projeto Homem Virtual é uma modernização das
iconografias para educação em odontologia, através de imagens
dinâmicas desenvolvidas por computação gráfica com
tecnologia 3D. O resultado são visões inéditas da anatomia
e fisiologia bucal. Os temas são distribuídos em CD-Rom, facilitando
seu uso em universidades, hospitais, clínicas e consultórios, inclusive
para a orientação de pacientes. Está disponível o
título sobre a Articulação Têmporo – Mandibular,
elaborado em conjunto com os docentes da USC. O CD mostra detalhes anatômicos
e os movimentos de abertura e fechamento, protrusão e lateralidade mandibular.
Atualmente, a Área de Teleodontologia da Disciplina de Telemedicina/FMUSP
está desenvolvendo imagens da Estrutura Dental.
Saúde bucal
Segundo o Ministério da Saúde, a perda dentária precoce é
grave: acontece a partir dos 15 anos de idade. Atualmente, cerca de 8 milhões
de brasileiros com mais de 30 anos precisam usar prótese dentária
total. "A falta dos dentes gera dificuldades de alimentação
e mastigação, causando nutrição inadequada, problemas
gástricos e lesões na gengiva", explica a Dra. Érika
Sequeira.
Aproximadamente 13% dos adolescentes brasileiros nunca foram ao dentista. "Uma
das etapas para garantir a saúde bucal destes jovens é a capacitação
de professores dos ensinos médio e fundamental", afirma a Profa. Dra
Claudia Piccino Sgavioli, coordenadora do Curso de Odontologia da Universidade
do Sagrado Coração. "A Teleodontologia fornece instrumentos
para um treinamento e educação continuada adequados a estes professores",
ressalta.
O Ministério da Saúde também revela que as crianças
do norte e nordeste do país apresentam os maiores números de dentes
cariados não tratados. Estas diferenças entre as regiões
brasileiras podem ser amenizadas com a Teleodontologia, a partir do treinamento
de agentes comunitários e educação continuada aos dentistas
e profissionais da rede básica de saúde, sem que eles precisem se
deslocar fisicamente.
"Estas devem ser ações integradas com entidades públicas
e privadas. Assim, haverá o resgate social de milhões de brasileiros,
com aumento da auto-estima e conseqüente melhoria na qualidade de vida",
destaca o Prof. Dr. György Miklós Böhm, presidente do Conselho
Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde e Professor Titular da Faculdade
de Medicina da USP.
Clique aqui e leia na íntegra o Consenso
de Belo Horizonte.
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