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09.12.03
 

Válvula trata hidrocefalia de pressão normal

 
A hidrocefalia é uma doença caracterizada pelo acúmulo anormal do líquido cefalorraquidiano contido no crânio. Geralmente, é diagnosticada ainda na infância ou até durante a gestação, na fase intra-útero. O tratamento é realizado cirurgicamente e consiste na drenagem do líquido acumulado, por meio, geralmente, da implantação de válvulas capazes de manter o processo de drenagem que o organismo não é capaz de fazer naturalmente. Este recurso possibilita ao paciente manter vida normal.

No entanto, o que poucos sabem é que uma “nova” forma de manifestação da doença tem se tornado cada vez mais comum: a hidrocefalia de pressão normal (HPN), que acomete pessoas com 60 anos ou mais, e que é, habitualmente, confundida e tratada como Mal de Alzheimer, devido à semelhança dos sintomas. Contudo, a principal diferença é que a hidrocefalia é uma doença tratável e praticamente reversível, se diagnosticada em tempo.

Um dos recursos mais modernos, comprovadamente eficaz e disponível hoje no mercado, é a implantação de uma válvula programável, denominada Hakin, que permite a drenagem em quantidade adequada do líquido acumulado. No Brasil, o produto está disponível há cerca de cinco anos e, nos Estados Unidos, foi aprovado pelo FDA (Food and Drugs Administration) em 1999. Na Europa é utilizada desde 1990.
“Um estudo realizado no Japão comprova que 80% dos pacientes que utilizaram este recurso tiveram os sintomas da doença revertidos após três meses de uso”, diz Simone Langue, gerente da Unidade de Negócios Codman da Johnson & Johnson Produtos Profissionais.

Para o neurocirurgião Luiz Carlos de Alencastro, um dos especialistas no Brasil que se dedica ao estudo da hidrocefalia de pressão normal, a principal dificuldade com relação à doença é o fato do diagnóstico preciso ser tardio, uma vez que os sintomas são muito similares aos da doença de Alzheimer (degeneração cerebral manifestada principalmente por sintomas de demência). “Muitas vezes, o diagnóstico da hidrocefalia de pressão normal é realizado apenas quando a doença já está evoluída, reduzindo com isso, as margens de regressão dos sintomas, pois muitas vezes, o déficit já é definitivo” ressalta.

Os principais sintomas da doença são os déficits cognitivos (falhas na memória, dificuldades de cálculo, raciocínio lento, dificuldade para reconhecer familiares, sintomas semelhantes aos da demência senil); problemas motores (dificuldade de locomoção, lentidão nos movimentos, desequilíbrio progressivo ao caminhar) e déficit esfincteriano (incontinência urinária e fecal).

A incidência da hidrocefalia de pressão normal cresce a cada dia. Estima-se que um quarto dos americanos que apresentam sintomas de demência relacionados ao Alzheimer ou ao mal de Parkinson, pode apresentar a HPN.

“No caso da hidrocefalia de pressão normal, como o nome diz, a pressão intracraniana é normal, porém oscila com freqüência, torna-se elevada e apresenta picos, geralmente no período noturno. Pode também ter múltiplas causas: ser crônica ou ainda fruto de traumas com sangramentos, de processos infecciosos intracranianos, de hemorragias, entre outras ocorrências. Em muitos casos, a causa não é descoberta, porém, se o tratamento ocorre em tempo hábil, os sintomas desaparecem e o paciente leva uma vida normal”, detalha Luiz Carlos Alencastro.

Diagnóstico
A hidrocefalia de pressão normal é identificada por meio de exames clínicos e de diagnóstico por imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, que apontam a dilatação dos ventrículos (cavidades do cérebro). Outros exames como a mensuração do fluxo liquórico, punção do líquor, entre outros também são realizados.

A incidência da doença aumenta com o avanço da idade, porém são raros os casos em que o problema se manifesta antes dos 60 anos de idade. A doença afeta brutalmente a qualidade de vida, pois pode incapacitar totalmente o paciente. A evolução se dá de forma gradativa, porém, tem conseqüências graves (pode resultar em dificuldades respiratórias severas, tromboses, AVC – acidente vascular cerebral, entre outros problemas) se não tratada de forma eficaz.

Eficácia do tratamento
Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de sucesso do tratamento. “Embora não seja possível precisar que grupos de sintomas poderão ser revertidos integralmente, com a implantação da válvula, a maioria dos pacientes terá melhora dos sintomas”, ressalta o neurocirurgião Luiz Carlos Alencastro. Ele explica que quanto maior o tempo em que a pressão intracraniana fica alterada, maior a chance do dano definitivo nos neurônios, pois a reversão da doença depende do sistema de células vivas e sadias do sistema neurológico.

O tratamento mais eficaz disponível hoje no mercado é o implante de válvula intracraniana, responsável pela drenagem do excesso do líquor. O dispositivo leva o líquor normalmente para o peritônio, na região abdominal, onde será reabsorvido naturalmente pelo organismo, ou ainda, drenará o líquido para uma veia que transporta o sangue, misturando as duas substâncias sem prejuízos ao paciente. A técnica varia de acordo com o quadro do paciente.

No caso específico da válvula programável Hakin, um dispositivo cuja tecnologia é exclusividade da Johnson & Johnson Produtos Profissionais, o principal benefício recai sobre o fato de que o paciente pode ser submetido a apenas um procedimento cirúrgico, para a implantação da mesma.

Um dos principais benefícios e diferenciais desta válvula é que através de um processo indolor, não invasivo e rápido (com duração de poucos segundos), pode-se fazer o ajuste ideal de pressão para cada paciente. Esta é a única válvula que possui ajuste fino, com 18 diferentes níveis de pressão, o que permite precisão na programação e resultados superiores.

“Uma vez que a válvula esteja implantada no paciente, o ajuste se dá no consultório do médico, em poucos segundos, de forma extracorpórea, não apresentando nenhum desconforto para o paciente. O controle da pressão intracraniana e do processo de drenagem é preciso com a válvula programável”, afirma a gerente da Unidade de Negócios Codman da Johnson & Johnson Produtos Profissionais, Simone Langue.

 
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