| A Saúde Brasileira Pode Dar Certo, de autoria do
Dr. Claudio Lottenberg, é o mais novo lançamento da Editora Atheneu.
Cumprindo segundo mandato como presidente do mais avançado hospital privado
da América Latina, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital
Albert Einstein; Claudio Lottenberg foi secretário municipal da saúde
em São Paulo na recente gestão de José Serra e exerceu cargos
em Conselhos Nacionais, é uma das poucas unanimidades brasileiras no setor.
Em seu livro, uma verdadeira aula sobre a saúde do país, o autor
atravessa a história fazendo um passeio pelo surgimento da saúde
suplementar, com uma retrospectiva histórica que inicia em 1789, época
em que havia apenas quatro médicos no Rio de Janeiro. Depois de apontar
seus erros e acertos, vira a página e entre na rede pública. Passa
pela criação do Sistema Único de Saúde (SUS), abordando
os principais problemas vividos atualmente por médicos e pacientes no Brasil.
Incluem-se aí as deficiências da formação médica,
a grande evolução da tecnologia, o envelhecimento da população,
finalizando com possíveis caminhos para o futuro e sua visão do
que seria um modelo eficiente.
Dois capítulos especiais de A Saúde Brasileira Pode Dar Certo
são dedicados à área específica de atuação
de Cláudio Lottenberg, a oftalmologia. Para o especialista, a diferenciação
e a adesão aos novos recursos são um dilema cada vez mais constante
por causa da rápida evolução. “Há uma década,
as pessoas procuravam um médico oftalmologista para trocar seus óculos.
Hoje o procuram para se livrar de óculos”.
Ele pondera que esta mudança no papel do oftalmologista acontece na
medida em que cresce a longevidade. “A inserção de recursos
cirúrgicos em doenças retinianas e o conceito de qualidade de vida
versus catarata são alguns dos bons exemplos dessa nova perspectiva. A
partir da mutação de conceitos, o paciente tem maior capacidade
crítica de avaliar, com os elementos oferecidos pelo médico, como
e por que escolher um ou outro procedimento, lentes e insumos”.
Pode dar certo
O passeio pela saúde brasileira proposto pelo livro começa com a
definição de saúde como sendo um dos pilares sobre o qual
se apóia o bem-estar e a segurança de uma população.
De acordo com o Dr. Lottenberg, investir em saúde, propiciando condições
dignas de vida às pessoas é medida essencial.
“A saúde certamente será um dos maiores desafios que o Brasil
e o mundo terão de equacionar no futuro próximo. Constatar o que
temos hoje para encontrar formas de lidar com esse dilema amanhã se faz
extremamente necessário diante do cenário que se avizinha”.
Para ele, a peça chave deste complexo quebra-cabeça é
descobrir como custear a saúde e torná-la mais acessível
dentro daquela proposta da eqüidade. Na obra, um ponto que é abordado
diversas vezes é a necessidade de fazer prevalecer uma visão processual
na saúde, promovendo maior integração entre os processos,
que são atualmente excessivamente fragmentados.
Caminhos e soluções
Embora haja unanimidade em afirmar que a saúde no Brasil precisa de mudanças
urgentes nem só de tristes constatações é composto
o livro A Saúde Brasileira Pode Dar Certo. Entre as boas notícias,
o Dr. Lottenberg cita com otimismo movimentos que surgem em alguns setores. “O
maior benefício em uma empresa é o de saúde, que vem crescentemente
influenciando resultados de diversas compa¬nhias. Em alguns casos, representam
10% da folha de pagamento”.
Segundo o médico, este comportamento tem mudado o papel do médico
do trabalho que, muito além de cumprir uma exigência legal, hoje
exerce função gerenciadora nas companhias. “Todo um lado humano
passa a ser valorizado mesmo que tenha nascido por inte¬resses de caráter
econômico. E o profissional que está lá pode levantar o perfil
das incidências, como os males de coluna, lesões por vícios
de repetição e assim por diante. Isso é bom porque melhora
a qualidade e barateia o custo da saúde, permitindo que esses recursos
sejam mais bem alocados”.
Custos e Benefícios
Um dos pontos principais do livro é ressaltar a importância da conscientização
da sociedade sobre aspectos custos e qualidade. Pagamento por performance; não
à cultura do desperdício e desmistificação da participação
da iniciativa privada no sistema público são alguns dos tópicos
abordados. “O que não se pode perder de vista é que existe
desperdício enorme com coisas que não agregam valor nenhum para
o paciente. Procedimentos administrativos são responsáveis por 22%
dos gastos em saúde”, aponta. “É muita coisa, dá
para repensar tranquilamente questões como essa”.
Serviço
Título: “A Saúde Brasileira pode dar certo”
Autor: Claudio Lottenberg
Editora: Atheneu
Informações: www.atheneu.com.br
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