O mercado mundial de saúde tem crescido em média 5,5% ao ano, desde
o início do século 21. Em 2005, a cadeia atingiu um cifra global
superior a US$ 3 trilhões “e nada indica que este ritmo vá
diminuir nos próximos anos”, destaca o empresário Franco Pallamolla.
Ao falar na abertura da Hospitalar 2009, ontem (2) o Presidente da ABIMO –
Associação Brasileira da Indústria Médico-Odontológica
disse que o faturamento conjunto das empresas nacionais do setor cresceu 5% entre
2007 e 2008, alcançando cerca de US$ 4 bilhões.
Essa expansão
pode ser explicada pelo crescimento da economia brasileira (inclusive no setor
privado de assistência médico-hospitalar); pela consistência
das políticas públicas de saúde (principalmente ampliando
os investimentos nas regiões menos assistidas) e pelo fomento à
inovação tecnológica, favorecendo a competitividade das empresas
que hoje têm capacidade para suprir 90% da demanda de um hospital.
“Apesar disso, a dependência de insumos de maior valor agregado
continua altíssima, sendo que em 2008, o déficit da balança
comercial brasileira no setor chegou a US$ 2 bilhões”, informa Pallamolla.
Muitos desafios para atender a demanda
A tendência do mercado de saúde representa grandes desafios, pois
o acréscimo do poder aquisitivo da população, a expansão
dos seguros privados em saúde e da cobertura médico-hospitalar pública
conduzem a um aumento no consumo de insumos tecnológicos convencionais.
“Somado a isto, há o envelhecimento crescente da população
e o avanço das terapias de alta complexidade que irão requerer,
a curtíssimo prazo, maciços investimentos em modernização
tecnológica que fogem da realidade das empresas de capital nacional”,
pontua o Presidente da ABIMO.
Para o empresário, o caminho para enfrentar esta situação
é uma nova abordagem das diretrizes públicas para o setor, configuradas
na Política Industrial da Saúde e na disposição governamental
de enfrentar os desafios relacionados ao PAC da Saúde.
Os empresários esperam também um maior volume de compras do Governo
junto às empresas nacionais. Além da necessidade de elevar o patamar
de produtividade da indústria nacional, os empresários brasileiros
enfrentam o descompasso entre a crescente produção científica
brasileira e a incipiente inovação do tecido empresarial. “De
2007 para 2008, o Brasil saltou da 15ª para a 13ª posição
na classificação global da produção científica.
Porém, entre 2002 e 2007, regredimos no acesso e uso das tecnologias da
informação e comunicação, que constituem insumos indispensáveis
à imprescindível inovação”, enfatiza Franco
Pallamolla.
Fortes na produção
“É no front produtivo que precisamos nos fortalecer – enfatiza
o Presidente da ABIMO. Não queremos o retorno do protecionismo, o estabelecimento
de barreiras alfandegárias, a simples proibição de importações.
Entretanto, precisamos encontrar uma fórmula para estimular as economias
nacionais. Apesar de parecer contraditório, a desaceleração
econômica global oferece ao Brasil oportunidade de afirmar seu novo papel
no mundo. O crescimento sustentável de um país está associado
à sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. O conhecimento
atrai investidores e torna mais competitivas nossas empresas”, completa
Pallamolla. |