
Médicos e representantes de entidades de classe como a Associação
Médica Brasileira (AMB), Associação Paulista de Medicina
(APM), e jornalistas especializados na área de saúde participaram
do primeiro debate sobre o Exercício da Medicina no Século XXI realizado
na Hospitalar.
Integraram
a mesa deste debate o presidente da Associação Médica Brasileira
(AMB) Dr. José Luiz Gomes do Amaral; Dr. José Carlos Machado Curi,
presidente da APM; Dr. Edmund Chada Baracat, secretário geral da AMB; Maria
Inês Dolci, coordenadora do Departamento de Relações Institucionais
da Pro Teste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor;
e as jornalistas Isabel Vasconcelos (Saúde da Mulher), Cilene de Souza
(Fornecedores Hospitalares) e Jaqueline Falcão (Diário de S. Paulo).
Para o Dr. José Luiz Gomes do Amaral, o exercício da Medicina deve ser analisado sob dois aspectos: social e profissional. “O exercício da profissão médica exige sigilo que atualmente vem sendo ameaçado. Portanto, se faz necessário criar mecanismos para devolver a ética e a liberdade para prescrição de benefícios que devem envolver a todos e não apenas uma parte da sociedade”.
Já Dr. José Carlos Curi falou sobre a exclusão dos melhores serviços médicos e diagnósticos modernos à parte mais pobre da sociedade. “É necessário criar novos mecanismos e associar a ação médica com avanços tecnológicos sim, mas para beneficiar também a população carente e, para isso, é fundamental manter a autonomia médica no contexto social”.
Outro tema discutido entre os especialistas foi a importância da formação e especialização médica. Dr. Curi acredita que a formação médica é fundamental para o futuro da sociedade e que os médicos precisam se envolver com o avanço dos diagnósticos computadorizados, mas não devem se esquecer das diretrizes médicas.
“Os profissionais da saúde, em especial a classe médica, precisam cada vez mais se atualizar e não deixar de clinicar, pois o clínico geral consegue ter mais conhecimento – diagnóstico e terapêutico – sobre os pacientes do que os especialistas de modo geral. Por isso, a formação médica e a residência devem ser fundamentais”, completou o presidente da APM.
Dr. José Luiz Gomes do Amaral finalizou o debate revelando que nenhum
país do mundo tem sofrido tanto com a pressão na "comercialização"
dos cursos universitários, em especial o de Medicina, como no Brasil. Segundo
ele, é muito fácil abrir um curso universitário no país
e isso acaba prejudicando a formação profissional.
“Atualmente são 167 faculdades de medicina no Brasil e muitos pedidos para abertura de outros cursos, portanto os novos médicos não têm tido formação adequada e isso é preocupante porque coloca em risco muitas vidas. É preciso que as autoridades limitem a formação médica para manter a qualidade profissional”, concluiu Dr. José Luiz Gomes do Amaral.
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