“Prezadas
senhoras e senhores, autoridades e lideranças presentes,
Estamos todos aqui reunidos com um sentimento em comum: discutir os problemas,
encontrar soluções e formar uma agenda positiva para o desenvolvimento
do setor saúde no país.
É com muita satisfação que participamos da cerimônia
de abertura de mais uma edição da Hospitalar - Feira e Fórum,
evento que muito tem contribuído para fomentar o debate e o desenvolvimento
deste setor no Brasil. Uma iniciativa que vem discutindo a saúde em todas
as suas esferas, seja no campo dos avanços da ciência, tecnologia
e indústria; seja na evolução da articulação
político-setorial em prol de melhorias para o segmento como um todo.
Mais do que números grandiosos em termos de expositores, congressistas
e temas abordados em sua múltipla programação de congressos
e seminários, um fator que tem de ser considerado é o que se refere
ao importante fórum político em que o evento vem se transformando
de algumas edições para cá.
Chega de sonhar com pleitos impossíveis. É hora de pensarmos
em caminhos viáveis, porque só assim poderemos construir uma saúde
melhor. E, neste sentido, é de fundamental importância a reunião
de esforços e o fortalecimento da nossa capacidade de mobilização,
visando a conquistas que permitam um desenvolvimento com equilíbrio, competência
e sustentabilidade.
Precisamos enxergar a saúde cada vez mais como um investimento. Um investimento
extremamente necessário ao crescimento do nosso país e à
qualidade de vida de nossa população. Hoje, o setor saúde
equivale a 7% do PIB, cerca de 160 bilhões de reais ao ano, além
de gerar mais de 2 milhões de empregos diretos e outros 5 milhões,
indiretos. Existem atualmente cerca de 163 mil estabelecimentos de serviços
de saúde no país, entre públicos e privados.
São, portanto, números expressivos e indicativos da importância
deste setor no Brasil. Apesar disso, faltam recursos e financiamento. Sofremos
com uma pesada carga tributária e com a ausência de linhas de crédito
próprias para a área da saúde, que possibilitariam o seu
incremento e a superação de boa parte de seus problemas. As empresas
do setor clamam por uma reforma tributária, que permitisse, entre outros
avanços, a renegociação dos débitos fiscais e a inclusão
dos estabelecimentos médico-hospitalares no Simples. Um regime do tipo
“Simples-Saúde” seria, certamente, um grande estimulador e
facilitador para todo o segmento, beneficiando consumidores, fabricantes de medicamentos,
equipamentos e serviços em geral.
Da nossa parte, dirigentes e empresários do setor saúde, é
preciso investir cada vez mais em recursos humanos, treinamento e qualificação,
sem jamais esquecer a fundamental relação médico-paciente.
De nada adiantam técnicas avançadas de diagnóstico e tratamento
se deixarmos de lado o aspecto humano, a preparação e atualização
de nossos profissionais e equipes multidisciplinares.
É pensando nisso que vimos lutando tanto pela aprovação
do Projeto de Lei de criação do chamado Sistema S da Saúde,
que através do SESS / SENASS beneficiaria o enorme contingente de trabalhadores
da saúde, oferecendo educação, treinamento e formação
profissional, além de programas de lazer voltados à qualidade de
vida desses profissionais e suas famílias. Um pleito absolutamente legítimo,
racional e justo, cujo Projeto de Lei tramita - porém, a passos lentos
- no Congresso Nacional.
Esperamos que esta nova gestão do Ministério da Saúde,
tendo à frente o médico José Gomes Temporão - um profundo
conhecedor do sistema de saúde nacional e de seus problemas – traga
novo fôlego ao setor, confira maior velocidade às suas demandas e
marque uma nova era. Uma era de maior diálogo, de maior abertura e de aceleração
do crescimento da área da saúde no Brasil.
Em seu discurso de posse, o Ministro já sinalizou neste sentido ao elencar
as 22 prioridades de sua gestão, entre as quais uma Estratégia Nacional
de Desenvolvimento e Inovação para o Complexo Produtivo de Bens
e Serviços de Saúde, bem como prover maiores recursos para o orçamento
da pasta.
Foi também o Ministro Temporão quem ventilou, pela primeira vez
no governo, a necessidade da criação de um PAC específico
para a saúde, amparado na parceria público-privada, com a qual já
nos prontificamos a colaborar.
Vale lembrarmos aqui que foi, justamente, no setor saúde que surgiram
os primeiros indícios de Parcerias Público-Privadas, tão
celebradas e divulgadas no governo Lula. Estou me referindo à fundação
da primeira Santa Casa de Misericórdia, em 1543, além do atendimento
que é realizado pela rede privada, com e sem fins lucrativos, que responde
por mais de 60% do atendimento prestado pelo SUS.
Precisamos regulamentar finalmente a Emenda Constitucional 29, que vincula
recursos da União, Estados e Municípios para a área da saúde.
Entendemos que atualmente existem condições políticas favoráveis
à sua regulamentação.
Precisamos investir na qualidade das nossas escolas, a fim de formarmos profissionais
competentes e prontos para atender às demandas da nossa sociedade. Precisamos
rever os valores das tabelas de procedimentos do SUS, especialmente nas áreas
de atenção básica e média complexidade, há
muito defasadas.
Mais uma vez, necessitamos fazer os nossos governantes e órgãos
competentes entenderem que a inflação médica é, de
fato, muito diferente, muito maior do que aquela medida por qualquer outro setor
da economia em qualquer parte do mundo.
Temos, sobretudo, que trabalhar muito e nos organizar para elucidar as dúvidas
e impasses que entravam o nosso desenvolvimento. Precisamos reunir forças
e caminhar juntos para termos uma voz mais audível e clara.
Neste ponto, não podemos deixar de comemorar o quanto o setor saúde
se mobilizou e se uniu nos últimos anos, um avanço enorme em termos
de politização e organização. Hoje estamos muito mais
coesos e firmes em nossos pleitos. Percebemos quão difícil é
caminhar sozinhos. Percebemos quão importante é desenhar uma agenda
comum e positiva para o setor, que traga benefícios para todos os players
da saúde.
Um exemplo desta união foi o anúncio recente da conquista do
Brasil para sediar, em 2009, o Congresso Mundial da International Hospital Federation.
Um evento que irá reunir, no Rio de Janeiro, cerca de dois mil profissionais
de mais de 100 países e que, certamente, projetará o nosso país
em nível mundial, atraindo para cá atenções e investimentos.
Desde já, convidamos a todos aqueles que fazem a saúde neste país
a participarem conosco desse projeto.
Outro exemplo oportuno da força que o setor vem adquirindo no cenário
sócio-econômico brasileiro é o COMSAÜDE - Comitê
da Cadeia Produtiva do Setor de Saúde, lançado há poucas
semanas pela FIESP em parceria com a
ABIMO. Trata-se de mais uma iniciativa fruto da reunião de forças
e propósitos em prol de novas conquistas e melhorias.
A saúde tem uma grande representatividade econômica, social e
de relevância pública, mas necessita ser assim reconhecida por nossos
governantes. É imprescindível que sejamos consultados quando da
formulação de políticas públicas de saúde.
Não podemos ser apenas agentes passivos dessa discussão. Não
podemos continuar sendo meros ouvintes e cumpridores de ordens. Temos de colaborar
com o governo e estamos dispostos a isso a fim de que possamos executar uma efetiva
política nacional de saúde.
A Confederação Nacional de Saúde, entidade de grau superior
representativa de toda a cadeia produtiva da saúde, aproveita este momento
para entregar ao Ministro José Gomes Temporão uma Carta de Intenções
do Setor de Saúde Nacional. Este documento foi elaborado após ouvirmos
as várias lideranças do setor com o objetivo de apresentar propostas
que possam transformar a gestão e os resultados da assistência à
saúde no Brasil.
Trata-se de uma agenda propositiva, que, seguindo a linha do discurso de posse
do atual Ministro, elenca desta vez as nossas prioridades, as nossas sugestões
para que possamos avançar o discurso, ultrapassar os limites do papel e
realizar, efetivamente, uma reforma da política de saúde no país,
que permita melhorar o atendimento à população, ampliar a
oferta de serviços, intensificar o relacionamento entre todos os atores
e, assim, gerar mais empregos, mais investimentos e, sobretudo, crescimento, desenvolvimento
e excelência na assistência à população. Ganhamos
todos nós, ganha a sociedade, vence o Brasil!
Os tópicos deste documento versam sobre:
• A participação das nossas entidades de representação
na formulação da política nacional de saúde;
• Regulamentação da Emenda Constitucional 29;
• Criação de um regime tributário próprio para
o setor de saúde;
• Expansão do mercado de assistência à saúde;
• Criação de linhas de financiamento próprias para
o setor saúde;
• Investimentos na formação profissional;
• Criação do ‘Sistema S da Saúde’;
• Revisão da política remuneratória dos serviços
prestados;
• Incentivo aos programas de qualificação e acreditação
dos estabelecimentos de serviços de saúde;
• Acompanhamento da incorporação de novas tecnologias.
Acreditamos que através dessas sugestão, estaremos contribuindo
para a criação de um verdadeiro ‘PAC da Saúde’,
que representará um enorme avanço para o país.
Para concluir, agradecemos a todos aqueles que tornaram a realização
deste evento possível, bem como aos nossos pares, que nos confiaram a missão
de estarmos aqui representando-os e falando em prol do setor.
Desejamos a todos bons congressos, boa feira e ótimos negócios!”
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