O pós-doutor Julio Voltarelli, médico e pesquisador da Universidade de São Paulo, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP), apresentou sua pesquisa “Células Tronco no Diabetes Melito” no Hospital Santa Cruz, em Curitiba. O estudo foi recentemente publicado no The Jornal of The American Medical Association.
A pesquisa do médico, realizada desde setembro de 1992, destaca que a terapia celular pode reverter o diabetes tipo 1, mas ainda não é possível se falar em cura do diabetes.
O pesquisador iniciou o estudo do uso de células-tronco hematopoéticas em transplantes não mieloablativos para pacientes com diabetes melito tipo 1 recém-diagnosticados. Ao todo, 19 pacientes foram submetidos ao procedimento e a continuidade da pesquisa demonstrou que 74% (14 pacientes) ficaram livres continuamente da insulina, sendo que alguns deles, por períodos de mais de três anos. O demais pacientes apresentaram uma redução da dose diária de insulina.
O diabetes melito tipo 1 se caracteriza pela resposta auto-imune contra as células beta-pancreáticas e sua apresentação clínica inicial, ocorre quando cerca de 2/3 destas células já foram lesadas. Isso pode ocorrer ao longo de meses ou até anos, conforme a idade inicial da doença, sendo hiperglicemia o indício inicial dessa doença em estágio avançado. O tratamento convencional da doença é realizado com o uso de insulinoterapia, porém, a preservação das células beta-pancreáticas está associada a uma menor incidência de eventos hipoglicêmicos e de suas complicações vasculares.
Os principais estudos para a preservação das células-beta direcionam-se para o controle do fenômeno auto-imune e de sua capacidade de regeneração. O potencial de plasticidade das células-tronco levou grupos de pesquisadores internacionais e nacionais a iniciarem estudos clínicos com enfoque na sua capacidade de diferenciação em células beta-pancreáticas e no controle da agressão imunológica que estas células sofrem.
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