Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas sofram
de osteoporose no Brasil. A doença é considerada crônica e
degenerativa por exigir tratamento contínuo e é resultado da dificuldade
de retenção de cálcio pelo osso, deixando-o mais suscetível
a fraturas. Segundo dados do Ministério da Saúde, 30% das pessoas
com mais de 65 anos sofrem quedas no mínimo uma vez por ano, muitas estando
relacionada ao enfraquecimento dos ossos. Além disso, cerca de 25% dos
indivíduos com fratura de fêmur morrem em decorrência do evento
durante o primeiro ano.
Para prevenir o enfraquecimento dos ossos e, conseqüentemente o número
de fraturas, especialistas indicam o consumo diário de 1.200 miligramas
de cálcio ao dia, índice recomendado internacionalmente. Porém,
estudo realizado pela Unifesp alerta que o consumo pelos brasileiros é
três vezes menor do que o recomendado. A suplementação do
nutriente torna-se, portanto, uma alternativa para auxiliar a ingestão
adequada do mineral.
Diversos estudos clínicos têm demonstrado o papel fundamental
do cálcio para a redução do grau de hiperparatireoidismo
secundário, além da perda óssea e o risco de fraturas por
osteoporose (Dawson-Hughes, 1991; Reid e col, 1995; Heaney, 2000). Uma ingestão
adequada de cálcio também significa menor risco de hipertensão
(o nutriente melhora a capacidade da artéria de se distender e voltar ao
normal) e comprovadamente menor probabilidade de adquirir câncer de intestino.
Cálcio e vitamina D também previnem a chamada síndrome metabólica
(reduzindo a circunferência abdominal).
Recente estudo realizado nos Estados Unidos testou a eficácia da suplementação
de cálcio para prevenção de fraturas. Este estudo é
uma publicação apoiada no estudo original, o NIH WCH (Estudo da
poli-prevenção do Cálcio), iniciada há 10 anos por
John Baron em Dartmouth College, que foi conduzida em inúmeros centros
clínicos de várias partes do mundo.
O estudo avaliou o uso de suplemento de cálcio durante quatro anos e
seus efeitos após o término da aplicação, em um prazo
de 10 anos. Para o estudo foram selecionadas 930 pessoas, entre homens e mulheres,
saudáveis (em vitamina D) e idade média abaixo dos 80 anos. Primeiramente,
foram analisadas fraturas mínimas e fraturas provenientes de quedas. Foram
ministrados o suplemento de cálcio e placebo para um grupo de controle,
e avaliados os riscos de fratura por baixo impacto.
Durante a pesquisa, foi observado que houve uma significativa redução
de risco de todos os tipos de fraturas, entre os que utilizaram o suplemento,
em comparação ao grupo placebo, concluindo que com a suplementação
de cálcio, há redução dos riscos de todos os tipos
de fraturas e incidência de fraturas e traumatismos mínimos entre
os indivíduos saudáveis. Porém, notou-se que o índice
de fraturas não diminuiu quando a suplementação foi interrompida.
O estudo mostrou que o suplemento protege bastante, mas somente durante seu uso.
Os benefícios, porém, terminam quando se pára com a suplementação.
Especialistas alertam para a promoção de uma alimentação
saudável e rica em cálcio desde a infância com o objetivo
de prevenir a carência do nutriente na fase adulta. |