A Oncologia do HC2 e a Pesquisa Clínica do INCA publicaram
numa revista internacional trabalho científico em que todo o estudo foi
realizado na instituição. Trata-se do "Fase I Ensaio com erlotinibe
combinado com cisplatina e radioterapia para pacientes com câncer cervical
de células escamosas localmente avançado". O estudo foi publicado
na revista científica Clinical Cancer Research, editada pela Associação
Americana para Pesquisa do Câncer e considerada a referência mundial
na área de desenvolvimento precoce de novas terapias.
Assinam o estudo Angélica Nogueira-Rodrigues, Cláudio C. do Carmo,
Célia Viegas, Felipe Erlich, Cláudia Camisão, Karina Fontão,
Roberta Lima, Daniel Herchenhorn, Renato G. Martins, Giulliana M.Moralez, Isabele
A. Small e Carlos G. Ferreira. À exceção de Karina Fontão
e Renato Martins, os demais pesquisadores são ligados ao INCA. "É
um grande feito para a instituição. A publicação de
estudos de fase I com estratégias inovadoras em revistas de ponta demonstra
a maturidade do INCA em termos de pesquisa clínica e a sua competitividade
internacional", avalia Carlos Gil Ferreira, coordenador geral do estudo e
chefe da Pesquisa Clínica.
A Fase II, que avalia em mais detalhes a eficácia do esquema, já
está em andamento. A previsão é que a Fase III seja feita
em 2009, em estudo internacional, coordenado pelo INCA. Será a primeira
vez que o ciclo de desenvolvimento de uma droga numa determinada indicação
(ou seja da fase I à fase III) é realizado na área de oncologia
no Brasil.
O objetivo do estudo foi determinar a tolerância máxima e a toxicidade
associada ao erlotinibe quando administrado concomitantemente com cisplatina e
radioterapia. "Vários estudos mostram a superioridade da quimioterapia
com cisplatina associada à radioterapia, quando comparada à radioterapia
isolada nas pacientes com câncer de colo uterino. Entretanto, apesar dos
benefícios dessa associação, os índices de cura no
câncer de colo de útero de células escamosas localmente avançado
atingiram um platô nos últimos anos. A sobrevida após cinco
anos em pacientes com doença nos estádios III e IV são de
40% e 15%, respectivamente. É necessário explorar novas estratégias
para melhorar o prognóstico neste grupo", justificou o chefe da Pesquisa
Clínica.
O estudo envolveu 15 pacientes, com idades entre 36 e 59 anos, sendo sete com
doença no estádio II e oito em estádio III. As pacientes
foram divididas em três grupos, cada um recebendo 50mg, 100mg ou 150mg de
erlotinibe combinado com 40mg/m2 de cisplatina, semanalmente, durante cinco ciclos,
e radioterapia.
Os pesquisadores concluíram que a combinação entre erlotinibe,
cisplatina e radioterapia é viável e bem tolerada. O evento adverso
mais comum foi rash cutâneo. Entre as pacientes, 36% apresentaram grau 1,
50% grau 2 e 14%, grau 3. Não foi necessário interromper a medicação.
As pacientes foram selecionadas entre dezembro de 2004 e agosto de 2006.
A revista Clinical Cancer Research publica artigos originais descrevendo
pesquisa clínicas, prevenção, diagnóstico e terapia
do câncer. Seu foco é inovação em pesquisa clínica
e translacional que relacionam laboratório e clínica. |