Um estudo apresentado no 15º Congresso Europeu de Psiquiatria, em Madri, Espanha, mostra que o antidepressivo duloxetina diminui não somente os sintomas emocionais da doença, como tristeza, perda de interesse, ansiedade, angústia, mas também atua significativamente na redução das dores de cabeça, nas costas e outras associadas à depressão. O estudo foi realizado durante oito semanas, com 327 adultos que apresentavam dores de nível moderado a grave, sem causa clínica definida.
De acordo com a avaliação dos pesquisadores na oitava semana do estudo (última visita realizada), os pacientes tratados com duloxetina tiveram diminuição média de 45% na intensidade da dor, enquanto que este índice foi de 29% entre os pacientes que receberam placebo. Em relação aos sintomas emocionais apresentados, a duloxetina proporcionou redução de 56% e o placebo, de 39%. Ao final dos estudos, 53% das pessoas tratadas com duloxetina alcançaram remissão, ou seja, desaparecimento pleno dos sintomas depressivos, comparado aos 29% que tomaram placebo.
“Tradicionalmente, apenas os sintomas emocionais são o foco do tratamento da depressão. Porém, sabemos que a existência de sintomas físicos, especialmente os dolorosos, podem mascarar o diagnóstico e complicar o tratamento dos pacientes”, diz o pesquisador chefe do estudo, Koen Demyttenaere, que é também professor do Departamento de Psiquiatria do Hospital Universitário de Gasthuisberg, na Bélgica. “Além disso, o estudo comprovou a eficácia da duloxetina na diminuição dos sintomas dolorosos e na interferência em outras atividades realizadas”, completa Demyttenaere.
Metodologia do estudo
O estudo randomizado e duplo-cego teve duração de oito semanas e foi realizado na Bélgica, Finlândia, França, Alemanha e Eslováquia. Entre os pacientes estudados, 165 receberam placebo e outros 162 foram medicados com duloxetina. O objetivo era avaliar a eficácia da duloxetina frente às dores relacionados à depressão e, em relação aos sintomas emocionais, a resposta e remissão dos pacientes tratados com duloxetina, além da sua segurança e tolerabilidade.
Os pacientes estudados tinham idade igual ou superior a 18 anos e apresentavam:
- Transtorno depressivo maior (TDM), com gravidade de acordo com a Montgomery-Asberg Depression Rating Scale (MADRS, com pontuação maior que 20) e a Clinilcal Global Impression of Severity scale, com índice maior que 4.
- Dor a partir do nível moderado, não atribuída a outro diagnóstico clínico de acordo com o Brief Pain Inventory (BPI, com índice igual ou maior que 3), uma escala utilizada para avaliar a gravidade da dor e o impacto da mesma nas funções diárias.
Sobre a duloxetina
A duloxetina atua sobre a serotonina e noradrenalina, mediando sinais enviados do cérebro para a medula espinhal. Estudos apontam a duloxetina como um duplo inibidor balanceado e potente da recaptação de serotonina e noradrenalina. Os cientistas ainda acreditam que a eficácia deste medicamento na percepção da dor deve-se ao aumento do nível de serotonina e noradrenalina no sistema nervoso central.
A duloxetina é aprovada para o tratamento da depressão e da dor neuropática periférica diabética em vários países, sendo que em alguns também é indicada para o tratamento da incontinência urinária de esforço. Nos Estados Unidos e México recebeu ainda a indicação para o tratamento do transtorno de ansiedade generalizada. |