Com o objetivo de identificar a incidência de pessoas vítimas de depressão, a ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) realizou, através do Instituto IBOPE, uma pesquisa qualitativa e quantitativa que verificou o índice de depressão no estado de São Paulo.
Foram contatados 793 homens e mulheres, com mais de 18 anos, das mais variadas classes sociais. Para avaliar o índice de depressão nas pessoas entrevistadas, foi utilizado um questionário com nove perguntas, sendo que as duas primeiras serviram como filtros para identificação das pessoas com incidências de sintomas da depressão. O questionário foi validado pela classe médica para utilização em leigos sobre sintomas depressivos.
Os critérios de seleção para medir a incidência de pessoas com depressão foram feitos através de cotas de sexo, idade e classe social de acordo com a população da cidade de São Paulo. Os 793 contatos resultaram em 174 entrevistas finais, com pessoas que responderam positivamente às duas questões filtro: a pergunta n°1 (Nas duas últimas semanas, sentiu-se triste, desanimado (a), deprimido (a), durante a maior parte do dia, quase todos os dias?) e a pergunta n°2 (Nas duas últimas semanas, teve, quase todo tempo, o sentimento de não ter mais gosto por nada, de ter perdido o interesse e o prazer pelas coisas que lhe agradam habitualmente).
O Resultado
Das 793 pessoas entrevistadas, 22% (174 indivíduos) responderam as perguntas 1 e 2, apresentando a incidência da doença.
Dentro do universo de mulheres pesquisadas neste mapeamento, pode-se observar que 27% destas apresentam incidência de sintomas depressivos, contra apenas 16% do universo masculino que foi pesquisado.
Em se tratando de classe social, notou-se uma incidência maior de sintomas depressivos no público das classes C e D, em que cerca de 25% apresentaram sintomas da depressão, contra 15% de representantes das classes A e B acometidos pelos mesmos sintomas.
Ao analisar a idade das pessoas que apresentaram um quadro depressivo, notou-se que a doença é muito mais representativa nas pessoas mais jovens. Foi detectada maior incidência em 25% dos entrevistados na faixa etária de 18 a 29 anos, seguido por pessoas entre os 30 e 39 anos que apresentam um índice de 23%.
Transtornos do Humor e Sintomas Físicos
Das 174 pessoas que apresentaram os sintomas básicos de depressão como tristeza, desânimo, sentimento de não ter mais gosto por nada e perda do interesse e prazer, 81% atestaram que o cansaço e a falta de energia são sintomas mais freqüentes, e que os pensamentos ruins são os sintomas de menor incidência, afetando 56% das pessoas que identificaram algum sintoma da doença.
Porém, cabe ressaltar que não apenas os transtornos do humor fazem parte dos sintomas da depressão, e que os sintomas físicos, como dores difusas pelo corpo, são componentes importantes do quadro depressivo.
“Geralmente os pacientes que buscam ajuda não entendem que sintomas físicos podem ser sintomas de depressão e sinalizam a necessidade de se buscar ajuda. Há tratamentos eficazes para lidar com os sintomas físicos como a duloxetina”, afirma Dr. Rodrigo da Silva Dias, psiquiatra e membro do conselho científico da ABRATA.
Pesquisas já revelaram que mais de 70% dos pacientes reconhecem as dores como sintomas que incomodam bastante, porém não acreditavam, antes do diagnóstico, que sintomas físicos dolorosos, tais como dores de cabeça inexplicáveis ou dores nas costas e até distúrbios gastrintestinais, fossem sintomas típicos da depressão.
Conclusão
Através desta pesquisa, pode-se concluir que a incidência de pessoas com sintomas de depressão na cidade de São Paulo chega a 22%, e deste grupo, as mulheres são as mais atingidas possivelmente devido a fatores culturais como maior liberdade de assumir determinados problemas e fatores físicos como distúrbios ou mudanças hormonais.
Pode-se verificar também que as classes mais baixas, como C e D, são as mais acometidas por sintomas depressivos, que podem ser associados a problemas financeiros e dificuldades encontradas em morar em uma cidade como São Paulo. Além disso, percebeu-se que os jovens entre 18 a 29 anos são os mais atingidos, e atribui-se a presença dos sintomas da síndrome depressiva a uma vida ainda não estabilizada e à maior dificuldade de arrumar emprego, o que gera uma incerteza sobre o futuro.
“Esta pesquisa é de extrema importância para todos aqueles que sofrem de depressão, sendo que demonstra o quanto esta doença é comum nos dias de hoje, tornando sua aceitação mais fácil e ajudando as pessoas a buscarem orientação médica e tratamento. Tradicionalmente, apenas os sintomas emocionais são o foco do tratamento da depressão. Porém, sabemos da existência de sintomas físicos, especialmente os dolorosos, que podem mascarar o diagnóstico e complicar o tratamento dos pacientes”, explica a Dra. Helena Calil, Professora Titular do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP-EPM e presidente da ABRATA. |