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15.10.08

Brometo de tiotrópio reduz mortalidade e melhora função pulmonar em longo prazo de pacientes com DPOC

 

Os resultados do estudo UPLIFT, apresentados no Congresso da Sociedade Respiratória Européia (European Respiratory Society - ERS), demonstraram que a utilização do brometo de tiotrópio (Spiriva®) no tratamento da DPOC proporcionou melhora sustentada da função pulmonar dos pacientes ao longo de 4 anos, ainda que não tenha alterado a velocidade da progressão da doença. O estudo também confirmou o perfil favorável de segurança do brometo de tiotrópio.

DPOC é a sigla de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, problema que atinge aproximadamente 210 milhões de pessoas em todo o planeta (5,5 milhões no Brasil, segundo o Datasus). Os portadores de DPOC sofrem com os sintomas da doença que, em casos mais graves, podem levar à incapacitação. A doença é causada principalmente pelo cigarro e provoca falta de ar, tosse e cansaço.

Durante o estudo foi constatado que o brometo de tiotrópio, em comparação ao placebo, amplia em mais de 4 meses o tempo para a primeira exacerbação (crise respiratória) e reduz em 14% o número destes eventos por paciente/ano (p<0.001). Além disso, houve redução significativa (também de 14%) no número de internações causadas por exacerbações no grupo que tomou tiotrópio, quando comparado ao grupo controle. Exacerbações são crises respiratórias que freqüentemente levam os pacientes à internação e que pioram o quadro de DPOC. Portanto, reduzir as exacerbações impacta positivamente o curso clínico da doença. O uso de brometo de tiotrópio também levou a uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, que se manteve ao longo dos 4 anos do estudo.

Houve ainda uma diminuição significativa de 16% na mortalidade (p=0.016) durante o período em que os pacientes receberam o tiotrópio, e este efeito foi mantido durante os 4 anos do estudo. Foi também realizada uma análise considerando os 30 dias após a conclusão do período de tratamento que revelou uma redução de mortalidade de 11%, apesar deste dado não ter atingido significância estatística (p=0.086). O uso do tiotrópio reduziu a morbidade cardíaca (p<0.05) e respiratória (p<0.05), o que confirma o perfil favorável de segurança do medicamento. Assim como em estudos prévios, o evento adverso mais observado com tiotrópio foi boca seca.

Diferentemente da maior parte dos estudos em pneumologia, o UPLIFT permitiu que os pacientes recebessem outros medicamentos respiratórios concomitantes, com exceção de outros anticolinérgicos inalatórios. Dessa forma, foi possível estudar os efeitos do brometo de tiotrópio em uma situação similar à encontrada na realidade. O pesquisador e professor de medicina da Universidade Católica do Hospital de Leuven, na Bélgica, Marc Decramer, disse: "UPLIFT encarou um desafio considerável para demonstrar os benefícios do tratamento. O tiotrópio se saiu muito bem ao longo do tempo do estudo, melhorando a taxa de sobrevida, função pulmonar, taxa de exacerbações e qualidade de vida dos pacientes e confirmou seu perfil favorável de segurança. Os dados do UPLIFT ampliam o conhecimento de como o tratamento pode impactar no curso clínico da DPOC. Isto permitirá aos médicos prescrever um tratamento de manutenção de longo prazo, precocemente e com confiança."

Os dados demonstram que o brometo de tiotrópio proporciona benefícios importantes para pacientes que estão em uma fase moderada da doença classificada como Estágio II pelo GOLD - Iniciativa Global para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica1. Por isso, é importante estar atento aos sintomas da doença, a fim de diagnosticá-la e trata-la o mais cedo possível, quando os resultados do tratamento são mais impactantes.

 
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