O SETOR EM NOTÍCIAS - Novidades Científicas HOME 

01.04.08

Tumores minúsculos na mama também
podem ser agressivos e exigir terapia pesada

 

Pequenos tumores na mama – com apenas um centímetro de comprimento ou mesmo menores – também podem ser muito agressivos e exigir terapia mais intensiva do que a que é a rotineiramente administrada hoje pelos médicos, afirmam pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida.

O estudo é um dos poucos que vêm examinando os efeitos de tumores minúsculos, que ainda não se propagaram para os gânglios linfáticos. A descoberta sugere que os problemas causados por dois tipos de câncer de mama – aqueles classificados como HER2-positivo (HER2+) e triplo-negativo – podem não ser resultantes apenas do tamanho dos tumores.

“Esse é um estudo pequeno, mas sugere que aspectos biológicos – não apenas o tamanho – também devem ser levados em consideração, na hora de selecionar a terapia para tratar tumores pequenos e invasivos”, diz a pesquisadora líder do estudo, a médica Surabhi Amar, uma especialista da Divisão de Hematologia e Oncologia da Clínica Mayo de Jacksonville.

Atualmente, não existem diretrizes definitivas para o tratamento de tumores menores que um centímetro em tamanho, porque estudos clínicos são normalmente conduzidos apenas com mulheres cujos tumores estão mais crescidos ou estão associados a envolvimento com os gânglios linfáticos, diz a médica. “A verdade é que não dispomos de muitas informações sobre tumores tão pequenos. Assim, o tratamento se torna uma questão de critério do médico”, ela afirma.

Pesquisadores das três unidades da Mayo – Jacksonville (Flórida), Scottsdale (Arizona) e Rochester (Minnesota) -, participaram do estudo, que examinou 401 mulheres em processo de tratamento de câncer de mama, entre 2001 e 2005, nas clínicas de câncer de mama em Jacksonville e Scottsdale.

Desse universo de pacientes, 350 mulheres (87%) tinham tumores que foram classificados como HER2-negativo e ER/PR-positivo (ou HER2-negativo/ER/PR+); 27 mulheres (6,7%) tinham tumores que eram HER2+; e 24 mulheres (5,9%) foram diagnosticadas com câncer triplo-negativo – isto é, ER/PR-negativo e HER2-negativo. Essas classificações se referem a receptores presentes no exterior da célula do tumor, que alimentam o crescimento dele. O câncer classificado como ER/PR+ é considerado o menos agressivo das três categorias. De uma maneira geral, os estudos têm mostrado que de todas as pacientes diagnosticadas com a doença, um grupo de 15% a 20% tem câncer de mama do tipo HER2+ e um grupo de 10% a 15% têm câncer triplo-negativo.

As pacientes foram acompanhadas por quase três anos, em média. Até agora, os pesquisadores acumularam dados de todas as pacientes com câncer HER2+ e câncer triplo-negativo e de 219 pacientes com câncer HER2-negativo/ER/PR+. Os pesquisadores descobriram que:

• No caso dos dois subtipos raros, havia muito mais mulheres com tumores de grau 2 e grau 3 – 92% das mulheres com câncer HER2+ e 91% das com câncer triplo-negativo – comparado com os casos de HER2-negativo/ER/PR+ (36%). Os tumores recebem graus de 1 a 3 e tumores com graus mais altos têm maior probabilidade de crescerem mais rapidamente e de serem mais difíceis de tratar do que tumores com graus mais baixos.

• O câncer reincide, com maior freqüência, nas pacientes com tumores HER2+ (a taxa de reincidência é de 7,4% dos casos) e naquelas com câncer triplo-negativo (reincidência de 12,5%), comparado com o câncer HER2-negativo/ER/PR+ (reincidência de 1,3%).

• Apesar dos resultados gerais nos casos de pequenos tumores gânglio-linfático-negativo terem sido excelentes (índice geral de sobrevivência de 97,4% e de sobrevivência sem câncer de 95,1%), esses resultados foram diferentes em três subgrupos estudados. A taxa de mortalidade foi maior entre pacientes com câncer de mama triplo-negativo: ocorreu um caso de morte num grupo de 24 pacientes com tumores triplo-negativo, nenhum caso num grupo de 27 mulheres com câncer HER2+ e um caso de morte, atribuído à recaída, num grupo de 219 mulheres com câncer HER2-negativo/ER/PR+.

Apesar de apenas um pequeno número de mulheres ter os subtipos raros de câncer incluídos nesse estudo, as descobertas sugerem que mulheres com tumores HER2+ e triplo-negativo devem se submeter ao tratamento mais rigoroso possível, para prevenir a reincidência do câncer, diz Surabhi Amar. Os pesquisadores descobriram que apenas 35% das mulheres com câncer triplo-negativo foram tratadas com quimioterapia adjuvante (quimioterapia após a cirurgia), apesar do grau mais alto de seus tumores. “A quimioterapia pode não funcionar tão bem nesses tumores, como gostaríamos, mas, ainda assim, os médicos que tratam pacientes com câncer triplo-negativo devem estar atentos para o alto risco de recaída, mesmo que os tumores sejam bem pequenos”, ela afirma.

A quimioterapia adjuvante foi ministrada a 28% das pacientes com tumores HER2+. A 4% das pacientes foi ministrado o medicamento Herceptin, uma “terapia dirigida” desenvolvida para tratar especificamente essa classe de tumores. “O Herceptin deveria ter sido ministrado no caso de tumores gânglio-negativo tão pequenos? Não há dados suficientes, atualmente, para responder a essa questão”, declara a médica. “Mas, esse estudo ressalta, definitivamente, o fato de que tumores HER2-positivo, mesmo que muito pequenos, podem justificar terapias mais agressivas”, ela afirma.

Apenas 3,9% das pacientes com câncer HER2-neg/ER/PR+ foram tratadas com quimioterapia. “Assim, apesar das taxas de uso de quimioterapia adjuvante terem sido significativamente maiores nos casos dos subgrupos HER2+ e triplo-negativo, esses grupos ainda apresentaram uma taxa maior de reincidência do câncer”, ela diz.

A pesquisadora principal do estudo é a diretora da Clínica Multidisciplinar de Mama da Clínica Mayo de Jacksonville, a médica Edith A. Perez. Outros pesquisadores participantes do estudo incluem Ann E. McCullough, M.D.; Xochiquetzal J. Geiger, M.D.; Rebecca B. McNeil, Ph.D.; Winston Tan, M.D.; Kyle E. Coppola; Beiyun Chen, M.D.; e Judy C. Boughey, M.D.


 
envie este texto
para um amigo
versão para impressão