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04.03.08

Nova abordagem para tratar Doença de Alzheimer

 

A população idosa é a que mais cresce no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2025 serão cerca de 34 milhões brasileiros na faixa acima dos 60 anos, que representarão 15% da população. Esta projeção é baseada na elevação da expectativa de vida no país. Atualmente, uma pessoa que nasceu em 2006 possui uma expectativa média de vida de 72,3 anos.

Com o envelhecimento da população dois fenômenos se destacam, a senescência e a senilidade. O primeiro representa o processo natural de envelhecimento, ao qual todo ser vivo está submetido. Já a senilidade acontece quando, durante o processo de envelhecimento, há o esmorecimento da memória e limitações físicas. “Uma das doenças que mais fragiliza o idoso é a Doença de Alzheimer, pois ela ataca o sistema cognitivo do indivíduo e, dessa maneira, prejudica as relações interpessoais afastando a pessoa do convívio social e familiar”m, afirma o Dr. Paulo Renato Canineu, médico geriatra e gerontólogo.

A busca pelo bem-estar e a qualidade de vida do paciente tem direcionado a ciência e a medicina para atuarem em conjunto, reunindo especialidades que abordam o paciente de forma complementar. “A interdisciplinaridade resulta em uma medicina para prevenção, que reduz a incidência de doenças da senilidade e atenua seus fatores. Por exemplo, durante o V Congresso Mundial de Demência Vascular, em Budapest, foi demonstrado que a arteriosclerose se aproxima cada vez mais da doença de Alzheimer, pois a má circulação pode desencadear processos degenerativos” exemplifica o especialista.

Diante deste cenário, novas formas de abordagem da doença de Alzheimer, voltadas ao bem-estar e qualidade de vida do paciente, têm se mostrado bastante eficientes como coadjuvantes nos tratamentos farmacológicos. A Ciência não tem respostas, mas metade das pessoas não reage bem ao uso de remédios. Somente os mais sensíveis oferecem resposta positiva aos medicamentos.

“As abordagens interdisciplinares, entre especialidades médicas e não-médicas, resultam de uma combinação entre procedimentos que reeducam a pessoa por meio de um novo processo cognitivo. Acredita-se que o ser humano possui cerca de 100 bilhões de neurônios. No entanto, durante toda a vida, uma parte deles permanece em repouso no cérebro” esclarece o Dr. Canineu.

Em quadros de demência manifestada, a exemplo da doença de Alzheimer, calcula-se que há uma perda de pelo menos 40% dos neurônios (cerca de 40 bilhões), que são atingidas pelo processo de degeneração. A Ciência se volta cada vez mais para o que é possível fazer com os quase 60 bilhões de neurônios que ainda estão lá.

“A chave para a senescência pode estar no que chamamos de neuroplasticidade, a capacidade de um neurônio diferenciar-se em funções específicas e assumir àquelas das células que foram prejudicadas. Temos como exemplo os casos de pessoas que, ao sofrerem um Acidente Vascular Encefálico, perderam a fala e com o auxílio de técnicas de reabilitação a recuperaram”, exemplifica o médico.

Trabalhar a cognição é investir na capacidade de aprendizado do indivíduo, uma função sincrônica do cérebro que envolve a atenção, a percepção, a memória, o raciocínio, o juízo, a imaginação, o pensamento e a linguagem. É como ensinar novamente o paciente a aprender e, dessa maneira, desenvolver os potenciais ainda existentes.

Pesquisas recentes também associam os hábitos alimentares ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. De acordo com a Academia Americana de Neurologia, uma alimentação rica em ômega 3, presentes em substâncias como óleo de canola, óleo de linhaça e óleo de nozes, pode reduzir os riscos de Alzheimer em até 60%.

 
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