O oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio
Queiroz Neto, lembra que para quem passou dos 40 anos a vida digital pode se transformar
num verdadeiro tormento. O médico explica que nesta idade 90% das pessoas
têm presbiopia ou vista cansada que é a redução da
visão de perto provocada pela perda de elasticidade do cristalino, membrana
ocular responsável pelo foco.
Do celular ao laptop, observa, todas as tecnologias exigem mais da visão
de perto e a presbiopia somada à compactação das telas dos
equipamentos chega a diminuir em 30% a produtividade profissional. O esforço
visual de quem tem presbiopia associada a vícios de refração
- miopia (dificuldade de enxergar de longe), astigmatismo (falta de foco para
longe e para perto), hipermetropia (dificuldade de enxergar de perto) - é
ainda maior. Por isso causa cefaléia, visão embaçada e dificuldade
de concentração mesmo em quem não é usuário
intensivo do computador.
A boa notícia é que um estudo feito pelo oftalmologista, durante
os últimos 10 meses, em que acompanhou 512 pacientes com idade entre 40
e 55 anos, sendo 262 mulheres e 250 homens, mostra que a cirurgia refrativa utilizada
na correção dos vícios de refração também
pode eliminar a presbiopia. O estudo aponta que entre portadores de hipermetropia
associada ou não ao astigmatismo 6 em cada 10 pacientes operados se livram
dos óculos de leitura. Já para quem tem astigmatismo ou miopia este
índice é de 90%.
“A cirurgia refrativa não elimina a causa da presbiopia, que é
o enrijecimento do cristalino. Retarda a necessidade de óculos de leitura
por uma década ou mais, dependendo da idade e acomodação
visual de cada paciente”, destaca.
Queiroz Neto diz que algumas pessoas podem ficar com algum grau residual do
vício refrativo que não atrapalha no dia-a-dia. “Por exemplo,
a cirurgia em uma paciente míope que aos 45 anos voltou a estudar eliminou
a necessidade de usar óculos tanto para dirigir como para trabalhar no
computador.”
Ele esclarece que o bom planejamento cirúrgico leva mais em conta a
função visual, ou seja, a qualidade de visão necessária
para eliminar os óculos durante as atividades cotidianas exercidas por
cada pessoa. “Não adiantaria zerar a miopia e deixar esta paciente
dependente de óculos de leitura para trabalhar no computador ou fazer anotações
em sala de aula”, declara.
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