O câncer de estômago é a segunda maior causa de morte por câncer entre os homens no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O cirurgião do aparelho digestivo Alexandre Sakano, da Faculdade de Medicina da USP, alerta para um fato de apenas 10% dos casos de câncer gástrico serem detectados em estágio precoce no Brasil, o que dificulta bastante as chances de sucesso no tratamento e cura.
Em estágio precoce, as possibilidades de cura deste tipo de câncer são de 98% dos casos, já naqueles diagnosticados em estágio avançado este índice cai para apenas 25%. O especialista ressalta ainda outro dado alarmante: no Brasil os índices de cura por este tipo de câncer são de apenas 30% dos casos aproximadamente, contra mais de 70% no Japão, país onde a prevenção e a detecção precoce são realizadas de maneira global.
Atualmente, estima-se que aproximadamente 900 mil pessoas recebem diagnóstico de câncer gástrico a cada ano e que ocorrem cerca de 650 mil mortes anuais pela doença ao redor do mundo. Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos. Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estavam previstos 23.200 novos casos de câncer de estômago no Brasil para o ano de 2006 (14.970 entre os homens e 8.230 entre as mulheres).
No resto do mundo, dados estatísticos revelam um declínio da incidência do câncer gástrico, especificamente nos Estados Unidos, Inglaterra e em outros países mais desenvolvidos. A alta mortalidade é registrada atualmente na América Latina. Porém, o maior número de casos de câncer de estômago ocorre no Japão, onde são registrados 780 casos por 100.000 habitantes.
Segundo o especialista Alexandre Sakano, os estudos demonstram que a qualidade da dieta é um fator importante no aparecimento do câncer de estômago. Uma alimentação pobre em vitamina A e C, carnes e peixes, ou ainda com um alto consumo de nitrato, alimentos defumados, enlatados, embutidos, com corantes ou conservados no sal são fatores de risco para a manifestação deste tipo de câncer.
“Há outros fatores de risco envolvidos no câncer de estômago, como alguns tipos de anemia e as infecções gástricas pela bactéria Helicobacter pylori, tabagismo, consumo excessivo de bebida alcoólica e histórico familiar”, afirma.
A prevenção do câncer de estômago está baseada, principalmente, em uma dieta balanceada, que deve incluir vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras. Devem ser evitados os alimentos citados acima, o fumo e o consumo em excesso de álcool.
Em muitos casos, principalmente no início, o câncer de estômago não apresenta sintomas. No entanto, perda de peso, anorexia, fadiga, sensação de plenitude gástrica, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar a presença da doença.
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