Pesquisas coordenadas pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS), Rafael Roesler, abrem perspectivas importantes para a descoberta
de novos tratamentos para doenças neurológicas e psiquiátricas,
câncer e doenças inflamatórias. As novas possibilidades foram
apontadas a partir da investigação de uma família de moléculas
chamada de peptídeos, que têm papel importante na regulagem das funções
biológicas.
Desenvolvidas com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq/MCT), as pesquisas foram feitas com peptídeos
semelhantes à bombesina, uma molécula descoberta na década
de 70 na pele de sapos da espécie Bombina bombina, em especial o peptídeo
liberador de gastrina (GRP), encontrado em seres humanos e outros mamíferos,
localizado, normalmente, nos neurônios do cérebro e sistema nervoso
periférico. A bombesina e o GRP agem como neurotransmissores e pertencem
a uma família de peptídeos naturais que regula vários aspectos
da função celular.
Doenças neurológicas e câncer
Uma das linhas de pesquisa do Prof. Roesler, desenvolvida no Departamento de Farmacologia
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e no Laboratório de
Pesquisas em Câncer do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, em parceria
com os pesquisadores Gilberto Schwartsmann da UFRGS e Felipe Dal Pizzol, da Universidade
do Extremo Sul Catarinense, está associada à ação
de peptídeos como o GRP no combate às doenças neurológicas
e câncer. "Atualmente estamos demonstrando a participação
dessas moléculas em doenças neurológicas e câncer,
usando tanto amostras de tumores humanos como células cultivadas em laboratório
e animais de laboratório", disse o pesquisador, que é bolsista
de Produtividade em Pesquisa do CNPq.
Resultados recentes das pesquisas no Hospital das Clínicas indicam que
o RC-3095, um fármaco experimental que bloqueia a ação do
GRP, inibe a multiplicação de células de câncer cerebral
cultivadas em laboratório, representando uma possibilidade de nova classe
de medicamentos eficazes no tratamento do câncer.
Alzheimer e medo
As pesquisas de Roesler apontam, também, a relação entre
a ação dos peptídeos da família da bombesina (PSBs)
e disfunções de memória e distúrbios emocionais, ao
identificar que essas moléculas contribuem de forma importante para a memória
e o processamento emocional.
"Usando modelos animais de função cerebral e de doenças
neurológicas demonstramos que a bombesina pode prevenir a disfunção
de memória associada à doença de Alzheimer e, em um modelo
animal de memória traumática, que a proteína GRPR, onde age
a bombesina, participa do processamento do medo e pode ser usada para buscar novos
tratamentos para transtorno de estresse pós-traumático", explicou
Roesler.
O desenvolvimento desse projeto já possibilitou a publicação
de cerca de 15 artigos internacionais e várias dissertações
de mestrado e doutorado. Mais recentemente, as pesquisas tiveram destaque na edição
de setembro da revista Scientific American Brasil.
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