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30.10.07

Pesquisa aponta tratamento de doenças
neurológicas e câncer com a pele de sapo

 


Pesquisas coordenadas pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rafael Roesler, abrem perspectivas importantes para a descoberta de novos tratamentos para doenças neurológicas e psiquiátricas, câncer e doenças inflamatórias. As novas possibilidades foram apontadas a partir da investigação de uma família de moléculas chamada de peptídeos, que têm papel importante na regulagem das funções biológicas.

Desenvolvidas com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), as pesquisas foram feitas com peptídeos semelhantes à bombesina, uma molécula descoberta na década de 70 na pele de sapos da espécie Bombina bombina, em especial o peptídeo liberador de gastrina (GRP), encontrado em seres humanos e outros mamíferos, localizado, normalmente, nos neurônios do cérebro e sistema nervoso periférico. A bombesina e o GRP agem como neurotransmissores e pertencem a uma família de peptídeos naturais que regula vários aspectos da função celular.

Doenças neurológicas e câncer
Uma das linhas de pesquisa do Prof. Roesler, desenvolvida no Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e no Laboratório de Pesquisas em Câncer do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, em parceria com os pesquisadores Gilberto Schwartsmann da UFRGS e Felipe Dal Pizzol, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, está associada à ação de peptídeos como o GRP no combate às doenças neurológicas e câncer. "Atualmente estamos demonstrando a participação dessas moléculas em doenças neurológicas e câncer, usando tanto amostras de tumores humanos como células cultivadas em laboratório e animais de laboratório", disse o pesquisador, que é bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.

Resultados recentes das pesquisas no Hospital das Clínicas indicam que o RC-3095, um fármaco experimental que bloqueia a ação do GRP, inibe a multiplicação de células de câncer cerebral cultivadas em laboratório, representando uma possibilidade de nova classe de medicamentos eficazes no tratamento do câncer.

Alzheimer e medo
As pesquisas de Roesler apontam, também, a relação entre a ação dos peptídeos da família da bombesina (PSBs) e disfunções de memória e distúrbios emocionais, ao identificar que essas moléculas contribuem de forma importante para a memória e o processamento emocional.

"Usando modelos animais de função cerebral e de doenças neurológicas demonstramos que a bombesina pode prevenir a disfunção de memória associada à doença de Alzheimer e, em um modelo animal de memória traumática, que a proteína GRPR, onde age a bombesina, participa do processamento do medo e pode ser usada para buscar novos tratamentos para transtorno de estresse pós-traumático", explicou Roesler.

O desenvolvimento desse projeto já possibilitou a publicação de cerca de 15 artigos internacionais e várias dissertações de mestrado e doutorado. Mais recentemente, as pesquisas tiveram destaque na edição de setembro da revista Scientific American Brasil.

 

 
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