O HCor - Hospital do Coração concluiu recentemente um levantamento inédito, realizado pelo serviço de check-up clínico, junto a 690 pacientes do sexo masculino, com idade entre 18 e 59 anos. O estudo apontou que 63% deles estão com obesidade abdominal acima dos 94 cm e que 35% deste universo apresentaram níveis elevados de colesterol (acima dos 200 mg/dL). Além disso, a média geral do Índice de Massa Corpórea (IMC) apurada foi de 27.5, o que representa que os pacientes estão com sobrepeso (pré-obesidade).
"Esse conjunto de constatações mostra que o grupo de pacientes analisado está na faixa de risco das doenças cardiovasculares. A falta de hábitos alimentares saudáveis, como o consumo de frutas e legumes ou o uso freqüente de azeite extra virgem no preparo das refeições (inclusive nas frituras), é o que gera a grande maioria dos problemas", explica o cardiologista e nutrólogo do HCor, Daniel Magnoni.
Segundo Magnoni, a combinação desses fatores é preocupante. "Observamos que os pacientes cometiam erros alimentares constantes, como concentrar a alimentação em duas ou três grandes refeições diárias, quando o ideal é comermos pouco e com mais freqüência. Muitos não tomavam café da manhã enquanto outros consumiam exageradamente comidas calóricas no período noturno, o que ratifica outro aspecto percebido: o desconhecimento do valor nutricional dos alimentos", relata o cardiologista, ressaltando que no Brasil existe a facilidade da comida por quilo, ou seja, associar esse tipo de alimentação com educação nutricional pode ser a chave da solução.
De acordo com o médico, percebeu-se também a ingestão elevada de carne vermelha e, em contrapartida, o consumo incipiente de peixes. E as pessoas costumam associar mais de um alimento com alto teor de carboidratos numa mesma refeição e ainda apresentaram quantidade insuficiente de mastigação. O cardiologista adverte que todos esses fatores associados contribuem para o aumento do risco de doenças cardiovasculares.
Existe relação direta entre as doenças cardiovasculares, os altos níveis de colesterol ruim (LDL), a circunferência abdominal e a obesidade. Esta última, aliás, é um verdadeiro problema de saúde pública no Brasil. Segundo o IBGE, 40,6% da população adulta, ou o equivalente a 38 milhões de pessoas, é obesa ou está com sobrepeso.
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