A maior adesão e o início da prática
esportiva cada vez mais cedo e sem a orientação profissional adequada
são alguns dos fatores que contribuíram para o aumento no número
de casos de lesões no joelho, que acomete um número mais substancial
de jovens a cada ano. “Em períodos como o atual – pós
Jogos Pan-americanos e com a volta às aulas – os jovens ficam mais
influenciados à prática de esportes. Porém, muitos não
tomam o devido cuidado e acabam sofrendo lesões”, analisa o ortopedista
Ari Zekcer, especialista em medicina esportiva pela Unifesp e cirurgião
do joelho. “90% dos procedimentos cirúrgicos que realizamos atualmente
em jovens acontecem em decorrência de traumas durante atividades esportivas”,
alerta.
Um estudo do Centro de Pesquisas em Traumas do Esporte de Oslo, da Universidade
de Esportes e Educação Física da Noruega, apontou que os
ferimentos do esporte representam algo entre 10 e 19% de todas as lesões
agudas tratadas em departamentos de emergência. O levantamento acompanhou
120 times de handebol daquele país e reuniu 1.837 atletas com idade entre
15 e 17 anos, dos quais 958 (808 mulheres e 150 homens) no grupo de intervenção
e 879 (778 mulheres e 101 homens) no grupo de controle.
Durante a estação de oito meses, 262 (14%) dos 1.837 jogadores
que foram incluídos no estudo sofreram um total de 298 lesões. Destas,
241 (81%) eram lesões agudas (que ocorrem repentinamente durante o jogo
ou exercício) e 57 (19%) ocorreram em decorrência de overuse (sobrecarga
de exercícios/movimentos das articulações). O estudo concluiu,
porém, que um programa de aquecimento adequado pode reduzir em até
50% os riscos de lesões de tornozelo e joelho, que são as mais freqüentes.
Um levantamento realizado recentemente em 11 regiões de São Paulo
pela Secretaria de Estado da Saúde e o Celafiscs (entidade especializada
em estudos da área de atividade física) indicou que 76,6% dos adolescentes
paulistas com idade entre 14 e 18 anos praticam rotineiramente alguma atividade
esportiva. A pesquisa indicou que 51,5% desses jovens não recebem recomendações
profissionais.
Outro detalhe é que o início da prática de esporte competitivo
é iniciado mais cedo. “Isso fez com que o número de cirurgias
de joelho em pré-adolescentes e adolescentes aumentasse cerca de 30% nos
últimos 20 anos”, avalia o especialista. Vale considerar que os recursos
tecnológicos para o segmento também apresentaram um incremento significativo.
Isso propiciou a realização de cirurgias em situações
em que não era recomendado anteriormente, uma vez que aumentaram as possibilidades
de determinados procedimentos serem bem sucedidos. “Hoje, já é
comum jovens com idade entre 15 e 16 anos sofrerem lesões nos meniscos
e ligamentos dos joelhos e terem que submeter-se a cirurgias corretivas”,
conclui Dr. Zekcer.
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