Estudo apresentado durante o Bariatric Endoscopy Surgery Trends – BEST 2007,
que aconteceu em agosto, em Porto Alegre, mostrou que está crescendo a
prática da cirurgia da obesidade em mulheres. Os números foram levantados
pelo coordenador do evento, o cirurgião Nilton Kawahara, que coordena também
o setor de videolaparoscopia da disciplina de cirurgia geral do Hospital das Clínicas
da USP.
Interessado em traçar um perfil dos pacientes operados, Kawahara analisou
um universo de 1.000 pacientes, que se submeteram à cirurgia da redução
do estômago desde 1999. As estatísticas revelam que as mulheres,
entre elas, da capital gaúcha, constituem a maioria dos pacientes, 78,2%.
Deste total, quase metade estão entre as faixas etárias mais jovens,
de 15 a 25 anos (18,9%) e de 26 a 35 anos (28,9%). Ou seja, a faixa entre 15 e
35 anos responde por quase metade das cirurgias realizadas.
Segundo Kawahara, as gaúchas estão em segundo lugar no ranking
das mulheres que mais se preocupam em fazer a cirurgia de redução
de estômago, bem como o regime. Além do fator cultural como a ingestão
de alimentos gordurosos como bacon e carne vermelha em excesso, além do
consumo de alimentos calóricos como macarrão, até por conta
do frio, as sulistas são descendentes de alemães e italianos que
têm o costume de comer em grande quantidade.
“Existem alguns fatores que contribuem para que a mulher seja mais suscetível
à obesidade. O primeiro deles é o metabolismo mais lento em relação
ao do homem a partir de uma determinada faixa etária. Uma porcentagem significativa
das mulheres que chegam à obesidade também se deve à gestação,
na qual a paciente engorda muito e depois não consegue recuperar o peso
anterior. Também podemos dizer que a mulher, em geral, consome mais doces
que os homens”, explica dr. Nilton Kawahara.
Tanto em mulheres quanto em homens obesos mórbidos, a cirurgia acaba
sendo a única alternativa de tratamento. O paciente obeso mórbido,
que atinge índice de massa corporal acima de 40 kg/m2, já não
consegue emagrecer por meio de dietas. Em geral, ele perde de 10% a 15% do seu
peso inicial e pára por aí, não consegue avançar.
Depois, engorda tudo de novo, até mais do que havia perdido.
Ainda no levantamento, as mulheres na faixa etária de 36 a 45 anos representam
30,1% das operadas. Entre 46 a 55 anos, o número cai para 16,4% e acima
de 56 anos, para 5,4%. “Apesar de ser um número pequeno de mulheres
mais velhas que se submetem à cirurgia, é importante ressaltar que
é possível aplicar as mesmas técnicas em mulheres idosas.
Já operei pacientes com 70 anos. Não é porque elas atingiram
determinada idade que não poderão se submeter a um tratamento que
melhore sua qualidade de saúde e conseqüentemente de vida, trazendo
um aumento na longevidade”, avalia Kawahara.
Os homens mais maduros também procuram a cirurgia da obesidade. O levantamento
revela que eles são 18,6% na faixa dos 46 a 55 anos e 31,8% na faixa dos
36 a 45 anos. As mulheres são as campeãs porque, além de
sofrerem mais com a obesidade, preocupam-se mais com a aparência e a auto-estima.
Além disso, são mais corajosas e enfrentam melhor um procedimento
cirúrgico. Mas isso tende a mudar, na medida em que os homens ficam mais
vaidosos e passam a se preocupar mais com a saúde, conclui Kawahara.
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