O Setor de Psicologia do HCor – Hospital do Coração
realizou um estudo inédito e identificou os fatores mais freqüentes
da recaída no tratamento de fumantes. Durante a pesquisa foram avaliados
61 pacientes fumantes e o resultado apontou que os motivos mais freqüentes
para a recaída são estresse (62%) e ansiedade (19%). Dentro deste
contexto, 56% são do sexo feminino, principalmente por conta da dupla jornada
(lar e trabalho), e 44% do sexo masculino, sendo que 77% dos pacientes participantes
manifestaram grande satisfação com o tratamento – mais especificamente
com o apoio psicológico.
Segundo Silvia Cury Ismael, chefe do Setor de Psicologia do HCor, durante a
pesquisa foi detectado que o fumante não pode ser tratado apenas com medicação.
“Conseguimos verificar que o apoio psicológico é fundamental
ao paciente fumante. A conclusão do estudo apresenta um aumento de 20%
no sucesso do tratamento em relação ao uso de medicamentos - isto
mostra que o fumante não pode ser apenas tratado do ponto de vista físico,
mas também do psicológico”, esclarece Silvia.
Além disso, o estudo revela que se o paciente nunca tentou parar de
fumar e usa o cigarro como estimulante, ele tem até seis vezes mais chances
de recaída. Já no grupo de pacientes insatisfeitos com questões
pessoais, o índice de recaída é cinco vezes maior. Um dado
alarmante é que estudos realizados revelavam que os jovens começavam
a fumar antes dos 19 anos, mais freqüentemente entre 10 e 15 anos, principalmente
por influência de pais fumantes e amigos.
Fatores de risco para a recaída:
• maior número de anos que o paciente fuma;
• menor número de cigarros fumados por dia;
• morar com outros fumantes;
• menor teor de nicotina do cigarro;
• menor freqüência nas sessões do tratamento.
Motivos para o paciente fumar:
• Estimulação externa
• Entusiasmo
• Dificuldade de ficar sem fumar em locais proibidos
• Ter dó de si mesmo
• Insatisfação no trabalho
• Insatisfação em relação à vida sexual
Mudança de comportamento
Para se livrar da dependência, o fumante que já caiu nas garras do
cigarro não deve recorrer apenas a um tipo de tratamento. Segundo Silvia
Cury, a dependência química é apenas um dos fatores que desestimulam
o paciente e o fazem parar. “Estresse e ansiedade também atrapalham.
O fumante acaba inserindo o cigarro em sua rotina diária e não se
dá conta. Existem ainda os gatilhos, como fumar após as refeições,
após o café, ao dirigir, ao telefone, no computador, durante as
atividades intelectuais. Por isso, é fundamental que o paciente modifique
a sua rotina e conte com um acompanhamento multidisciplinar para resistir às
recaídas. É preciso que ele tome as rédeas da situação
e se sinta seguro de sua decisão”, conclui a psicóloga.
O tratamento de doenças causadas pelo hábito de fumar custa mais
de 200 bilhões de dólares para os cofres públicos em todo
o mundo. Só no Brasil o tabaco faz anualmente 200 mil vítimas. De
acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o fumo é o causador
principal de mais de 50 tipos de doenças, entre elas, os problemas cardiovasculares,
respiratórios e o câncer.
Programa de controle do tabagismo do HCor
Formado por grupos de seis a 10 pessoas que se reúnem uma vez por semana,
durante dois meses, o programa tem obtido êxitos inéditos. Logo após
o tratamento, por exemplo, cerca de 80% dos pacientes permanecem em abstinência.
Após um ano, 60% deles resiste ao cigarro, diminuindo consideravelmente
os riscos de doenças cardiovasculares, hipertensão, câncer
de diversos tipos, diabetes, entre outros males.
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