Os resultados latino-americanos do maior e mais longo estudo
clínico mundial com pacientes de bronquite crônica, o GIANT (Greatest
International Antibiotic Trial), foram apresentados recentemente em congresso
médico na República Dominicana.
Segundo especialistas, 70% dos pacientes que receberam o antibiótico
cloridrato de moxifloxacino para tratar as manifestações da doença,
tiveram uma rápida recuperação e melhora dos sintomas, quando
comparados com o tratamento convencional. O estudo continua em curso e envolve
mais de 49 mil pacientes de 46 países, sendo dois mil da América
Latina.
Uma das características da bronquite crônica é a manifestação
freqüente de exacerbação, cujos sintomas podem afetar os pacientes,
em média, até 2,5 vezes por ano. Um dos fatores freqüentes
que podem desencadear estas exacerbações é a infecção
bacteriana ou viral, que são caracterizadas pelo aumento da produção
de muco espesso e purulento, se bacteriana, pelos pulmões. Durante a crise,
são comuns sintomas como excesso de tosse, pois o organismo tenta limpar
as vias respiratórias, dispnéia aguda (roncos) e distúrbios
do sono.
A duração das crises, associadas aos transtornos do sono, altera
significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O estudo GIANT mostrou que
com tratamento padrão as crises duram, em média, seis dias e os
distúrbios do sono quatro noites.
Com o moxifloxacino, houve uma redução para 1,6 dia na duração
da crise e para 1,2 noite nos distúrbios do sono. No terceiro dia de tratamento,
sintomas como febre, expectorações purulentas, fadiga e problemas
do sono haviam melhorado em cerca de 67% dos pacientes e em 89% dos casos no quinto
dia. “Outro benefício do moxifloxacino é que o tratamento
adequado das exacerbações da bronquite crônica decorrentes
de infecção bacteriana pode aumentar o intervalo entre as crises,
principalmente nos pacientes mais graves e com mais idade”, explica o Prof.
Dr. José Jardim, Professor Adjunto de Pneumologia da UNIFESP.
O estudo GIANT foi desenhado para avaliar o impacto da bronquite crônica
nos doentes, assim como a eficácia e a segurança do antibiótico,
indicado para tratar pneumonias, sinusites e bronquites. “Esses primeiros
achados trazem novas informações sobre os aspectos epidemiológicos
e demográficos da doença”, explica a biomédica Marta
Christo, assessora de pesquisa clínica da Bayer. Ela é responsável
pela coordenação do estudo no Brasil, que está em fase de
avaliação final de dados.
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