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03.04.07

Unifesp estuda viabilidade da radioterapia
intraocular no tratamento da MRI

 

Há dois anos o Instituto da Visão da UNIFESP vem realizando estudos com uma técnica de radioterapia intra-ocular para tratamento da Maculopatia Relacionada à Idade (MRI), uma das principais causas de perda da visão em pacientes acima de 55 anos.

Como MRI se torna mais comum à medida em as pessoas envelhecem, a doença deverá ter um crescimento alarmante devido ao aumento da expectativa de vida da população, tornando-se um problema de saúde pública. Só no Brasil são estimados 100 mil novos casos da doença a cada ano. Atualmente, estima-se que cerca de 5 milhões de brasileiros são acometidos por alguma forma da doença, que apresenta-se com duas manifestações: seca ou atrófica e úmida ou exudativa.

A doença é conhecida desde 1901, quando foi descrita pela primeira vez, mas até há cerca de 10 anos não existia tratamento que controlasse sua evolução. O único tratamento que existia, a partir da década de 90, era a fotocoagulação com raio laser que, apesar de na maioria dos casos causar uma piora inicial, tinha resultados melhores do que a evolução natural da doença.

A UNIFESP sempre se empenhou no combate à doença e na elaboração de novos tratamentos, sendo precursora nessa área de pesquisa no Brasil. Tanto que é responsável pela realização da primeira pesquisa com terapia fotodinâmica da América do Sul - onde o tratamento ainda é utilizado – e pelo desenvolvimento pioneiro de um novo tratamento denominado Fototrombose com indocianina verde, desde a sua fase experimental até a aplicação clínica.

Essa terapia foi amplamente difundida na América Central e do Sul, por ser de menor custo e resultados comparáveis aos tratamentos realizados na época comenta o Prof. Michel Farah, primeiro coordenador dessas pesquisas no Brasil.

Com o surgimento de novas propostas terapêuticas, o Instituto da Visão da UNIFESP tornou-se o centro de pesquisa que mais incluiu pacientes nos protocolos científicos realizados com utilização de injeções de anti-angiogênicos (substâncias que impendem o crescimento de vasos anormais na mácula, administrados por meio de injeção intra ou peri-ocular), como o Anecortave, pegactanibe e ranibizumaBE e Bevacizumabe, num total de cerca de mil pacientes, com muitos resultados promissores no controle da evolução da doença. Com os novos tratamentos e novas pesquisas cerca de 40% dos pacientes apresentaram melhora relativa da visão central, ou seja, capacidade de detectar formas e cores, inclusive de letras e números, o que pode facilitar a leitura, tão importante nessa idade. Além desses, milhares de pacientes receberam tratamento clínico para a doença no setor de Retina e Vítreo do Departamento de Oftalmologia da UNIFESP. No entanto, ocorrem variações individuais nas respostas terapêuticas.

O restante dos pacientes geralmente apresenta estabilidade ou eventualmente piora, porém menor do que se não fossem submetidos ao tratamento. Apesar de nem sempre se conseguir a recuperação da visão, é possível controlar a evolução da doença nas maioria dos casos. Exceções existem, principalmente quando os pacientes apresentam o problema há muito, sem tratamento. Daí a importância do diagnóstico precoce, que possibilita melhor prognóstico.


Tratamento com Radioterapia
Segundo o dr. Michel Farah, investigador principal da maioria desses estudos na UNIFESP, “o tratamento com uso de radioterapia intra-ocular já foi utilizado em 22 pacientes do Instituto da Visão, completando o número necessário para análise”. Ele explica que nessa fase inicial o tratamento é realizado por meio de uma micro-cirurgia, em que se aplica um isótopo de estrôncio-90 ( substância radioativa), por cerca de quatro minutos, na lesão macular. O procedimento completo dura cerca de 30 minutos, com a participação da equipe de Oftalmologia e Radioterapia do Hospital São Paulo (físicos nucleares e médicos).

A primeira fase do estudo utilizou apenas a radioterapia intra-ocular, enquanto na segunda fase foi associado o uso de Bevacizumabe, intra-ocular, com a expectativa de se diminuir a necessidade de reaplicações e injeções intra-oculares, que muitas vezes tornam o tratamento exaustivo e oneroso. Dr. Michel Farah salienta “os resultados desses estudos são preliminares, sem nenhuma conclusão definitiva até o momento. Para isso precisamos avaliar todos os participantes após um ano de tratamento e até o momento somente a metade do grupo completou esse período”, pondera.

Apesar de todos os estudos com novas drogas e terapias, até o momento o resultado se resume ao controle da evolução natural da doença. Segundo a Dra. Cristina Muccioli, responsável pelo setor de pesquisas do Instituto da Visão, “os resultados preliminares são promissores, mas ainda estão no campo experimental”.

A UNIFESP e a Universidade Federal de Goiânia são os principais centros que realizaram essa pesquisa no mundo. A partir desta fase, novos centros no mundo inteiro serão envolvidos. “O Instituto da Visão continuará participando ativamente da busca pela cura dessa e de outras doenças oftalmológicas graves”, completa a Dra. Ana Luisa Höfling-Lima, professora titular e chefe do Departamento de Oftalmologia da UNIFESP.

 
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