De acordo com a Organização Mundial da Saúde,
as diferenças entre os sexos em relação aos transtornos mentais
ficam evidentes, principalmente, quando o assunto é depressão. Segundo
dados de um estudo do Banco Mundial, a depressão, em mulheres de países
em desenvolvimento, foi responsável por cerca de 30% dos casos de incapacidade
laboral (afastamento do trabalho ou de atividades cotidianas por tempo determinado
ou não) decorrentes de doenças mentais, enquanto a porcentagem entre
os homens foi de 12,6%.
Em outro estudo realizado em São Paulo, 11,7% dos homens tinham uma
hipótese diagnóstica de transtorno mental relacionado à depressão,
transtorno bipolar, esquizofrenia, entre outros, em contraste com os 24,6% das
mulheres. Em outras áreas urbanas brasileiras, as mulheres podem apresentar
chances quatro vezes maiores de sofrer de algum transtorno mental do que o sexo
oposto.
Diversos aspectos podem ser atribuídos à maior prevalência
da depressão entre as mulheres, como a diversidade de papéis que
elas desempenham: donas de casa, profissionais, esposas e mães. A oscilação
hormonal durante o ciclo menstrual também é relevante para o início
de um novo episódio depressivo, pois há interações
importantes entre neurotransmissores (serotonina e noradrenalina) e os hormônios
femininos que podem provocar mudanças no estado psíquico e no humor.
Devido à maior incidência em mulheres e o fato delas procurarem
auxílio médico com maior freqüência do que os homens,
é importante que os clínicos gerais, ginecologistas e obstetras
estejam atentos às manifestações físicas e psíquicas
da depressão em suas pacientes.
A identificação da doença não é uma tarefa
simples mesmo para médicos, já que as fronteiras da depressão
vão muito além da tristeza e de outros sintomas emocionais, como
a perda de interesse, ansiedade, angústia, desesperança e estresse.
Existem também os sintomas físicos da depressão, como alterações
gastrintestinais, durante o ciclo do sono e no apetite, dores de cabeça,
dores que não são explicadas por razões orgânicas (sem
causa clínica definida) e baixa energia.
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