Estudo realizado na América Latina revela que mais
uma doença tipicamente masculina cresce entre as mulheres. Trata-se da
DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), um problema respiratório
grave, causado principalmente pelo hábito de fumar. A sigla é usada
para classificar tanto a bronquite crônica quanto o enfisema pulmonar, manifestados
em conjunto ou separadamente. Apesar de pouco conhecida, é a quinta causa
de morte no País. De acordo com o Consenso Brasileiro de DPOC, existem
hoje aproximadamente 5,5 milhões de brasileiros portadoras da doença,
com um crescimento de 340% nos últimos 20 anos.
Segundo o estudo, no Brasil, a prevalência da DPOC entre as mulheres com
mais de 40 anos foi de 14% frente a 18% nos homens, o que mostra uma evolução
preocupante. Durante muito tempo, a DPOC era considerada uma doença predominantemente
masculina, justamente por estar associada ao tabagismo, hábito socialmente
“recriminado” entre as mulheres. As mudanças comportamentais
ocorridas principalmente a partir dos anos 60 trouxeram uma mudança neste
quadro. Hoje se constata que a mulher que começou a fumar há 20
ou 30 anos, até como forma de auto-afirmação social, agora
é uma séria candidata a desenvolver a DPOC.
A pesquisa foi desenvolvida pela Associação Latino-americana
de Tórax (ALAT) com o objetivo de mapear a prevalência da DPOC na
região, com o nome de Projeto PLATINO (Projeto Latino Americano para Investigação
da Doença Obstrutiva Pulmonar). O trabalho compreendeu 5 grandes cidades:
São Paulo, Montevidéu, Santiago do Chile, Caracas e Cidade do México.
Em cada uma delas foram estudadas em torno de 1.000 pessoas, com idade acima de
40 anos, sendo cerca de 40% homens e 60% mulheres.
|